Gonçalo Junior lança biografia de José Luis Salinas, mestre da HQ argentina

Por Marcelo Naranjo
Data: 27 fevereiro, 2018

Há quem afirme que José Luis Salinas (1908-1985) foi o maior quadrinhista argentino de todos os tempos, embora não tenha construído uma obra de conteúdo nacionalista na maior parte de sua carreira. A explicação para isso estava no fato de ele ser um artista do mundo. E que trabalhou para o mundo, mesmo morando em Buenos Aires.

Seus quadrinhos de The Cisco Kid e Dico, o artilheiro, distribuídos para todo o planeta pela agência americana King Features Syndicate, romperam barreiras e fizeram de seu traço uma referência internacional.

Muitos que fizeram quadrinhos nas décadas de 1950 a 1970 sofreram influência de Salinas. A lista vai de Frank Frazetta a Paolo Eleuteri Serpieri, dentre outros. Nesta primeira biografia do artista, José Luis Salinas – Visionário dos Quadrinhos (formato 14 x 21 cm, 252 páginas, R$ 54,90), escrita pelo jornalista brasileiro Gonçalo Junior (autor de A Guerra dos Gibis, Companhia das Letras), com o apoio de argentinos, o leitor conhecerá toda a grandiosidade desse artista, além de ficar estarrecido ao perceber que alguém tão importante é, até hoje, um desconhecido em seu país.

Gonçalo preenche uma lacuna na memória dos quadrinhos até mesmo da Argentina, pois jamais foi lançada naquele país uma biografia de Salinas. Ele destaca como, de modo inexplicável, o artista, que morreu há quase 40 anos, é hoje um ilustre desconhecido entre “los hermanos”. Suas criações e histórias – como Hernán, o corsário, pioneiro no gênero aventura nas historietas – não são reeditadas há décadas, e as novas gerações não sabem de sua importância e de seu legado.

A obra pretende mostrar como e por que Salinas se tornou um dos mais influentes artistas dos comics em todo o mundo, por ser um desbravador, um inovador, um visionário, que chegou a ser comparado em importância a outros nomes celebrados, como Alex Raymond e Hal Foster.

O título já está á venda no site da Editora Noir.

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  • Marquito Maia

    Como assim: “de modo inexplicável, o artista, que morreu há quase 40 anos, é hoje um ilustre desconhecido entre ‘los hermanos'”???
    Sempre nutri o maior respeito pelos nossos vizinhos por vários motivos, entre eles:
    – a produção de quadrinhos local, com revistas como Skorpio e autores e artistas como Héctor Germán Oesterheld, Arturo Del Castillo, Carlos Trillo, Quino, o próprio Salinas, sem essa de querer ficar copiando super-herói norte-americano…
    – o alfajor
    – o futebol (Sou mais o Maradona do que o Pelé…)
    – o tango
    E agora me deparo com essa notícia, ou melhor, essa prova de ignorância e estupidez da nova geração!!!
    E La Nave Va…

    • Alex Manpelo

  • Diêgo Silveira

    O lançamente de tal biografia é uma ocasião feliz, porém me faz pensar e lamentar que a tradição de Foster, Salinas e, de forma diferente, Serpieri ou Palacios já não esteja em voga. Bem, pelo menos temos o Alex Ross (que também não promete fazer escola, mas ainda dura um bom tempo… espero).

    • Gonçalo

      Muito obrigado, Diêgo! Gonçalo

  • Diêgo Silveira

    Preciso te agradecer, Naranjo, eventualmente, ter disposto de três nomes do meu “top ten” em um mesmo texto. Isso me causa a ótima sensação de que alguém além de mim os relaciona. Se tal relação tiver sido depreendida da obra do Gonçalo, meus cumprimentos a ele também.

  • Alessandro Souza

    Nosso grande mestre, Shimamoto ao citar suas influências, coloca Salinas entre os grandes, Hal Foster e Alex Raymond.

  • Antonio Cruz

    Realmente é estranho imaginar que um artista deste nível é desconhecido em qualquer lugar, principalmente no seu país de origem. Tenho um único exemplar de Cisco Kid, da L&PM, desenhado por José Luis Salinas, que consegui num sebo, e quando quero falar sobre qualidade e excelência nos quadrinhos, esse gibi é a referência.

  • Antonio Cruz

    É no mínimo interessante imaginar que ele não seja conhecido em qualquer lugar, ainda mais no seu país de origem. Tenho apenas uma HQ de Cisco Kid desenhada por José Luis Salinas, da L&Pm e quando quero falar sobre qualidade e arte nos quadrinhos ela é a referência.

  • Antonio Cruz

    É bastante interessante imaginar que um artista como este não seja conhecido, principalmente em seu próprio país. Eu tenho uma única revista de Cisco Kid, desenhada por José Luis Salinas, da Editora L&PM, que adquiri por acaso num Sebo e quando quero falar sobre qualidade e excelência nos quadrinhos ela é uma das minhas referências.