Gustavo Duarte fala ao UHQ sobre seu projeto para a DC Comics

Por Samir Naliato
Data: 9 fevereiro, 2015

A ascensão de Gustavo Duarte no mercado de quadrinhos foi meteórica. Formado em design gráfico pela Unesp-Bauru, em 1999, ele começou a carreira de cartunista e ilustrador dois anos antes, no Diário de Bauru, e colaborou com os jornais Folha de S.Paulo e Lance!.

Há apenas cinco anos, em 2010, venceu o Troféu HQ Mix como desenhista revelação pelo seu trabalho em Có!, que também levou o prêmio como melhor publicação independente. No ano seguinte, mais prêmios HQ Mix de melhor cartunista e melhor publicação independente por Taxi. E ainda faturou o Prêmio Angelo Agostini de melhor cartunista.

Em 2012, lançou Monstros! pela Quadrinhos na Cia. e, em 2013, foi o autor de Chico Bento – Pavor Espaciar, o terceiro álbum do selo Graphic MSP.

No ano passado, a Quadrinhos na Cia. relançou histórias de Gustavo Duarte no encadernado Có! & Birds. E Monstros! foi publicado nos Estados Unidos pela editora Dark Horse Comics no especial Monsters! And Other Stories, o que acabou chamando a atenção da Marvel Comics e rendeu o convite para ilustrar os Guardiões da Galáxia.

Agora, ele tem um novo desafio pela frente ao ser anunciado pela DC Comics como o artista de Bizarro, título que faz parte de uma reestruturação que a editora planeja para o próximo mês de junho.

O Universo HQ conversou com Gustavo Duarte sobre o novo projeto e outros assuntos.

Gustavo DuarteGustavo Duarte

“O convite foi via Mark Doyle (editor da DC). Conhecemo-nos há algum tempo por causa do Rafael Albuquerque, que trabalha com ele em Vampiro Americano. Na última ida à NYCC (outubro de 2014), conversando com o Rafa sobre fazer algo pra DC, eu tive uma ideia com o Bizarro”, relembra. “Mark quis bater um papo a respeito, mas descartou o personagem porque eles tinham uma ideia para ele, que acabou não indo para frente. Porém, mais para o final do ano, ele me escreveu chamando para participar de um projeto do Bizarro, mas com uma nova abordagem.”

O projeto foi anunciado como uma minissérie em seis edições, mas existe o desejo de ser mais longo. “Na verdade, será mensal, os editores esperam que dure bem mais que seis números. Fazer um projeto mensal será uma nova experiência para mim, algo novo, mas que estou muito contente em fazer. Há tempos gostaria de produzir mais constantemente”, explica Gustavo.

Com o desejo da editora de disponibilizar variações temáticas nesta nova fase, Bizarro terá um perfil diferente e não necessariamente seguirá à risca o que foi apresentado na saga Vilania Eterna. “Acredito que não. Isso está sendo decidido agora. Será uma história mais descompromissada e com um tom muito mais engraçado. A pegada será mais de humor e aventura”, analisou.

Gustavo trabalhará com o roteirista Heat Corson, mais conhecido por animações baseadas em personagens da DC. E os dois já tiveram a chance de conversar. “Conversamos pela primeira vez na semana passada e foi um papo bem legal. Percebemos que temos várias visões em comum a respeito do personagem. Ele se mostrou aberto para opiniões, pedindo sugestões para as histórias. Se depender desse primeiro contato, será uma ótima relação”, disse. “Todo o pacote me atraiu. Trabalhar com um personagem que gosto, numa grande editora e com a minha linguagem. Acho que pode ser realmente bem legal.”

E qual será abordagem do desenhista para o vilão? “Isso é algo que verei com o tempo, estamos fechando os primeiros roteiros. Acredito que o caminho é parecido com o que eu tenho nos meus trabalhos anteriores. Porém, a cada novo trabalho, surgem caminhos novos, aprendemos e tentamos coisas diferentes. A ideia é sempre tentar melhorar”.

Bizarro, por Gustavo DuarteBizarro, por Gustavo Duarte

Ao começar a trabalhar para o mercado norte-americano, Gustavo muda também o esquema de produzir quadrinhos. Acostumado a cuidar de todos os aspectos da criação (roteiro, arte e cores), agora as tarefas são divididas.

“Por enquanto, as experiências estão sendo ótimas. É uma maneira diferente. Também é legal produzir em equipe, principalmente quando é uma boa equipe. Tive a chance de trabalhar com o Andy Lanning e o Ron Marz no meu primeiro trabalho para a Marvel. Estou fazendo agora, antes do Bizarro, uma nova história com o Andy, também para a Marvel. Dois grandes nomes no universo dos quadrinhos”, comemora.

“Trabalhar com os dois foi ótimo. Eles me deixaram à vontade o tempo todo. Assim está sendo novamente nessa nova história com o Andy. Além deles, trabalhei com o Jeff Loveness, em Avengers – No More Bullying. Com o Jeff, apesar de ser uma história bem curta, o contato também foi ótimo. E com o Heath, como já disse, começou muito bem”, explicou.

Gustavo Duarte também celebra a boa repercussão de Monstros! por lá. “Está sendo legal. Monstros! está indo bem, teve diversos reviews legais. Completou um ano agora e está próximo da terceira impressão. E foi ela que acabou abrindo as portas para a Marvel. E quando a história dos Guardiões saiu, também foi bem.”

O caminho que o levou a trabalhar com famosos personagens de grandes editoras do mercado norte-americano foi uma surpresa, mas ele pretende aproveitar a oportunidade. “Olha, sinceramente, foi algo inesperado. Pretendia estar no mercado americano, assim como no mercado franco-belga. Tenho trabalhado para isso e aos poucos tenho conseguido publicar meus trabalhos por lá. Mas não imaginava que editoras como DC e Marvel me chamariam para trabalhar com os personagens deles. Apesar de não esperar, estou muito contente e está sendo muito bacana. Vou aprender muito com essa nova fase”, aposta.

Mas ele não acredita em contrato de exclusividade e ainda tem trabalhos autorais nos planos. “Pretendo continuar trabalhando onde houver bons projetos, não penso muito para onde será. Mercados como o americano e o franco-belga são grandes e apresentam boas possibilidades, mas exclusividade, hoje em dia, acho que é algo para nomes bem grandes. Portanto, não vejo isso como algo que se encaixa para mim”.

Sobre outros projetos, Gustavo tem três ideias. “Tenho três roteiros meus, para eu escrever e desenhar. Penso em escolher um deles para produzir no ano que vem. Gostaria de lançar simultaneamente aqui, nos Estados Unidos e na França/Bélgica/Suíça. Meu editor na França já disse que está interessado e devemos conversar a respeito quando eu for no segundo semestre para lá divulgar Monstres!, lançada agora no Festival de Angoulême. Agora é ver se há interesse aqui e nos Estados Unidos”, finalizou.

 

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