Heróis da DC terão lugar para tratar transtorno de estresse pós-traumático

Por Samir Naliato
Data: 30 janeiro, 2018

Além de lesões físicas, algumas situações causam também profundas feridas psicológicas, como soldados em uma guerra, policiais que convivem com violência diariamente ou até mesmo pessoas comuns que passam por momentos traumáticos.

O transtorno de estresse pós-traumático pode ser grave, a ponto de gerar síndrome do pânico, automutilação e até suicídio, sendo recomendado tratamento com profissionais adequados.

Dentro deste panorama, como os super-heróis, que lidam com situações extremas corriqueiramente, lidariam com o problema? Por muitas vezes os leitores viram seus personagens preferidos machucados e se tratando após as batalhas em que se envolvem, mas como cuidar das feridas que não são físicas?

Com isso em mente, o escritor Tom King (Batman, Senhor Milagre, VisãoO Xerife da Babilônia) introduzirá um novo conceito no Universo DC: o Santuário.

“Eles também precisam de ajuda profissional”, afirma o autor. “Acho que é a ideia mais óbvia que já tive. A DC tem muitos super-heróis, e tudo o que eles fazem é lutar. Isso traz um efeito psicológico, certo? Não se pode viver uma vida de violência e não sentir essa violência no fundo de seu coração. A Trindade (Superman, Batman e Mulher-Maravilha) se importa com os outros heróis, eles se veem como figuras paternas, a fundação que sustenta todos os outros. Se importam porque são boas pessoas, mas também porque, se um trauma os levarem à loucura, isso se torna um perigo em potencial.”

King comparou o Santuário com os centros de tratamento de veteranos nos Estados Unidos.

Segundo ele, esse conceito estará ligado a algo maior por vir no Universo DC.

Tom King tem tido destaque nos últimos anos com elogiados trabalhos. Antes de escrever quadrinhos, ele era um agente de contra-terrorismo da CIA.

Tom King

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  • Anteriormente (já tem uns bons anos), alguns escritores já davam a entender que existia um sistema de proteção e ajuda para os heróis veteranos da LigaSociedade da Justiça para situações pós-traumáticas quando arcos ou sagas de grande stress acometiam os heróis. Geralmente, quem fazia o papel de terapeuta era o próprio Caçador de Marte, com sua telepatia e filosofia. O Caçador foi importantíssimo com situações onde Superman e Mulher-Maravilha ficaram presos mais de ”mil anos no Ragnarok” (enquanto que no mundo físico só tinham se passado algumas horas) ou quando o Homem-Borracha na saga ” A Busca por Aquaman” (depois que a equipe viajou pra o passado de Atlântida e enfrentou uma super equipe, e o herói foi reduzido a milhares de pedaços de plástico que ficaram vagando pelo mundo por milhares e milhares de anos. Até ser reunido na época atual e revivido). O coitado quase enlouqueceu no processo e com razão.

    Essas preocupações seriam mais que óbvias em uma equipe organizada de heróis ultra poderosos como a Liga: imaginem uma situação de stress onde qualquer um deles enlouqueceria e partiria pra fazer crimes, dominar o mundo ou coisas do tipo. Coisa que aconteceu com frequência em histórias (alternativas ou não) como ”Injustice” ou ”Crise Zero Hora”, por sinal. Ou seja, esse acompanhamento psicológico é algo que ajuda até a ser convinvente que todos eses heróis veteranos consigam manter um padrão de caráter diante de tantas tragédias que sofrem toda semana.

    Na Marvel já deram a entender que o Profesor Xavier, Doutor Samson e outros especialistas em telepatia ou psicologia fornecem esse acompanhamento quando os heróis pedem. Mas, como Xavier já se demonstrou não confiável, muitos temem liberar a mente para telepatas, com receio de serem manipulados.

    • Sim, mas até então não era um elemento de destaque, um conceito determinante. Super heróis no divã distorcem o ideal de superioridade. Uma humanização exagerada e desnecessária.

      • A ideia não é ruim. Se for bem contada, vale a pena até para melhorar o background de cada um (e não só do Batman) e aprofundar o universo em seus bastidores. ”Supers no divã” seria uma forma muito simplória e errada deles trabalharem com isso, além da perda de uma boa oportunidade. Tomara que eles usem essa publicação pra mostrar informações relevantes.

  • Marquito Maia

    Confesso que não me lembro se a DC tem algum personagem que exerça a profissão de terapeuta, psiquiatra etc. (só me vem à cabeça o Hugo Strange), mas quando a Marvel copiar, digo, usar como referência essa ideia, aposto que vão colocar o dr. Leonard Samson como diretor do instituto em questão…

    • Vagner Gomes

      Arlequina?? kkkkkkkk. Tbm não sei, mas seria engraçado.

  • Aster Yupio

    Vá para o inferno com mais essa palhaçada.

  • Canoa Furada

    O Alan Moore diz que hq’s de super herois são pra crianças, aí me vem um autor desses querendo dar uma “adultizada” na coisa, pra provar que hq’s de super herois são mesmo pra crianças.

    Até o título da notícia soa engraçado.

    • Gustavo Campello

      Kkkkkkkk…. Bem isso.

      “Vamos deixar as coisas coerentes e reais em um mundo onde homens voam com cuecas pra fora da calça e roupas chamativas”

  • Poucopixel

    A DC e seus escritores tem a liberdade para escrever o tipo de história que quiserem.( Assim como a Marvel)

    Mas acho que hoje eles se encontram na encruzilhada do Tostine. Não fazem mais estórias para o público infantil porque o público infantil não lê HQ ou o público infantil não lê HQ porque não fazem mais histórias para ele?

    Acho que tanta a Marvel como a DC precisam rever a atenção que dão a esse público. É lógico que fiz difícil competir com videogames e desenhos animados, mas cada vez mais os quadrinhos se tornam um clube de antigos fãs onde novos fãs não tem espaço nem interesse para entrar.

    Sem falar que os escritores querem cada vez mais escrever histórias “adultas” para se tornar cada vez mais reconhecidos no mundo da literatura convencional.

    Meu sonho era ver essas editoras trabalhando pelo menos parte do seu material como a Pixar faz em seus filmes. Ou seja divertido para as crianças mas também com nuances que só os mais velhos conseguem entender.

    Não se trata de nostalgia, mas os quadrinhos dos anos 70, 80 eram meio assim. Outro dia estava relendo alguns números de ” Teia do Aranha” e fiquei surpreso com alguns detalhes que não pegava quando era moleque mas hoje fazem sentido para mim.

    • Justamente, como você mencionou, por causa do sucesso almejado pelos roteiristas (com possíveis desdobramentos cinematográficos) é que a tendência seja perpetuar quadrinhos de super heróis enquanto entretenimento de fantasia adolescente para adultos. Para a indústria, é suficiente que as crianças sejam atingidas em segundo plano, exclusivamente por filmes que são muito mais rentáveis.

      Desenhos e filmes “para toda a família” devem ser atrativos também para os pais que levam os filhos pro cinema. Assim, em parte, teve início a atual simbiose entre adulto consumindo entretenimento entendido como infantil e criança consumindo entretenimento entendido como adulto. A adolescência enquanto meio termo na cultura pop. A criança tem que crescer o quanto antes e o adulto estacionar.

  • Stephan

    Quem precisará de terapia são os leitores…Santa Crise de Imaginação, como diria o Robin!

  • Marquito Maia

    Mas ele só recebia os membros da equipe (Destrutor, Polaris, Lupina, Mércurio, Homem-Múltiplo e, hã, Fortão, se não me falha a memória.)
    Os roteiros do Peter David eram bem divertidos e eu curtia muito a arte do Larry Stroman!

  • Alexandre Floquet da Rocha

    O primeiro herói do Universo DC que precisa de um tratamento psiquiátrico é justamente um dos personagens que o Tom King coloca como “figura paterna” dos outros super-heróis. Claro que estou falando do Batman.

  • Batman vai ser fundador e primeiro paciente?

  • No Tom King eu confio! Tem escrito as melhores coisas publicadas nos últimos anos pela Marvel e DC…

  • Into

    Excelente! O King é um excelente roteirista, esses títulos isolados do grande cerne UDC aumentam ainda mais o leque de possibilidades!

  • brunoalves65

    Isso me lembra a hq SuperEgo, do Caio Oliveira. :)