João Paulo Sette fornece mais detalhes sobre o Social Comics, que será lançado em agosto

Por Zé Oliboni
Data: 13 julho, 2015

Se a Netflix fosse um canal de TV, estima-se que em 2016 ela seria a mais vista dos Estados Unidos. O sucesso desse modelo de assinatura com acesso ilimitado iniciou uma corrida na indústria cultural que não encontrava resposta para a pirataria digital. Depois da consolidação da Netflix veio o Spotfy  para a música e muitos começaram a se perguntar sobre quando esse formato chegaria aos quadrinhos.

Recentemente, surgiram rumores de que o ComiXology anunciará, ainda neste ano, seu serviço de assinatura (leia aqui) e no Brasil dois aplicativos anunciaram esse serviço já para 2015.

O Social Comics é um desses aplicativos e promete, por um preço mensal fixo de R$ 19,90, mais quadrinhos do que alguém conseguiria ler em um mês. A plataforma oferece 14 dias de teste grátis e tem o lançamento oficial marcado para agosto. Já neste mês, será disponibilizada uma versão de teste que estará disponível para um grupo de leitores que se inscreverem pelo site.

Outra iniciativa para promover o aplicativo e entender melhor o leitor é uma pequisa que está disponível até 15/07 na página do Facebook da empresa. Os leitores que responderem concorrerão a prêmios.

Um dos diferenciais prometidos é uma rede social formada entre os leitores que poderão comentar e recomendar as HQs que leram e gostaram. Outro é um acervo inicial com aproximadamente dois mil títulos de HQ anteriores a 1950, que já caíram em domínio público.

Para os autores e editores, a remuneração será feita por meio de uma divisão proporcional ao número de páginas lidas de 70% do valor arrecadado com mensalidades. A partir do dia 22 de julho, o site abrirá inscrições para os autores independentes que quiserem disponibilizar suas HQs pela plataforma.

O Universo HQ entrevistou João Paulo Sette, CEO do Social Comics e COO da Comic Con Experience, e esclareceu algumas dúvidas sobre o aplicativo.

Social Comics

Universo HQ: A partir de agosto, vocês lançarão o sistema de assinaturas. Existirão planos de assinaturas diferentes ou um único? Terá venda de HQ avulsa? O pagamento será feito direto no app ou será externo no site?

João Paulo Sette: Inicialmente, teremos o plano básico de R$ 19,90 no cartão de crédito ou débito em conta corrente. Como todo o planejamento no negócio, precisamos fazer as coisas acontecerem aos poucos e irmos aprimorando com a experiência dos usuários. Sabemos que no Brasil a venda via boleto bancário é bem forte, como mostram os estudos do mercado eletrônico do País, então vamos proporcionar essa feature num futuro bem próximo e, aí sim, oferecer planos trimestrais, semestrais e anuais, com descontos específicos para cada um desses planos.

Sobre a venda avulsa de HQs, nós não achamos que esse seja um modelo interessante de negócio. O Social Comics foi pensado inicialmente com essa base, mas poucos meses depois da concepção e após um benchmarketing do modelo OTT (Over The Top Content), migramos para o modelo assinatura, que, no final, acaba sendo vantajoso principalmente para os usuários, que têm um grande acervo disponível com um custo muito baixo.

Sobre o pagamento, ele será diretamente no nosso site. O app estará conectado com a conta do usuário no nosso sistema e ele fará o pagamento no cadastro via web.

UHQ: Sobre a parte tecnológica. O serviço de assinaturas será um “streaming” ou o leitor baixa a HQ e passa a ter ela disponível para leitura off-line? O aplicativo funcionará como um leitor de quadrinhos para quadrinhos adquiridos em outros sites?

JP: O serviço de assinaturas será via streaming, ou seja, você precisa ter internet para usar o aplicativo ou ler o quadrinho via web. Porém, pensando em pessoas que possam passar por situações que não tem internet disponível (como pegar um avião ou pegar estrada, por exemplo), nós criamos o sistema de leitura off-line. Funciona assim: serão até dez quadrinhos que o usuário poderá escolher para ler off-line, por meio do app do seu device. Esses quadrinhos estarão disponíveis durante o período de sete dias naquele device específico e ele só poderá ler dentro do app do Social Comics. Após os sete dias, aquele quadrinho deixa de ficar disponível off-line e o usuário precisa ficar online novamente se quiser novos quadrinhos off-line.

Sobre quadrinhos adquiridos em outros sites, não é nosso modelo de negócio.

UHQ: A venda de quadrinhos digitais já existe há algum tempo, mas até agora não surgiu um aplicativo que tenha a dimensão de uma “Netflix dos quadrinhos”. Há rumores de que o maior site do gênero, o ComiXology, lançará seu sistema de assinaturas ainda neste ano, mas ainda não se sabe ao certo se as grandes editoras americanas vão ceder a esse formato. Qual o grande empecilho para a existência desse serviço? E como vocês pretendem contornar isso?

JP: Estamos acompanhando o ComiXology há bastante tempo e sabemos desse movimento para um serviço de assinatura porque é uma estratégia da própria Amazon após adquirir a plataforma. De fato, não existe um “Netflix dos quadrinhos”, na verdade, porque acredito que ninguém despertou para isso. Ainda encontramos editoras e autores preocupados que o serviço digital acabe “matando” a venda física do quadrinhos. Isso é reflexo de um mercado com poucos modelos profissionais bem-sucedidos, principalmente falando-se de Brasil. Acredito que esse pensamento seja um dos principais empecilhos para o desenvolvimento desse modelo. Nós estamos tentando mostrar a essas editoras e artistas que o pensamento tem que ser totalmente inverso. Acredito que uma plataforma como o Social Comics vá potencializar o mercado editorial físico. Vou exemplificar: se um usuário não conhece determinado artista ou autor ou mesmo editora e vai até uma livraria comprar algum quadrinho, ele vai pensar várias vezes antes de adquirir um que ele não conhece, exatamente por não ter certeza se a história é boa, se vai se identificar ou se vai, principalmente, perder dinheiro. Se ele já é assinante do Social Comics e viu um quadrinho com essas características, o que impede ele de ler esse quadrinho? Nada, ele já é assinante e, tenho certeza que se, como um verdadeiro amante de quadrinhos, ele gostar, vai querer ter na prateleira. Ou seja, o modelo do negócio é desconhecido e nós estamos fazendo um trabalho de informação constante, explicando uma a uma as editoras, um a um os artistas como a plataforma funciona, como nós nos preocupamos no fomento do mercado e tirando todas as dúvidas sempre.

UHQ: Sempre que se fala nesse tipo de serviço a principal questão é o catálogo. Vocês já anunciaram algumas editoras, inclusive a Devir e Mythos. Quais outras editoras veremos?

JP: Já conversamos com várias editoras. A Devir foi a primeira a entrar na jornada. Quando uma grande editora entra no processo, isso dá mais credibilidade para outras. Mythos, JBC, PACO’s, RED BOX, Instituto dos Quadrinhos, Draco, Editora Europa… a lista é grande. Porém, como falei, nem todas as editoras estão apostando todos os seus títulos de catálogo e lançamento, exatamente porque querem conhecer melhor a plataforma e ter certeza que estamos fazendo um trabalho concreto e profissional. Acreditamos, que aos poucos, mais e mais títulos dessas editoras e de outras estarão disponíveis no Social Comics. Mas já teremos um bom acervo de início.

UHQ: Durante os anos 2000, a Panini tem sido a editora dominante nas bancas. Existe alguma possibilidade de ela entrar no catálogo?

JP: Existe possibilidade de qualquer editora participar do Social Comics. Uma coisa que posso garantir é que já iniciamos conversa com várias que ainda não estão fechadas, inclusive com a Panini. Temos bastante interesse no conteúdo deles, não só o material internacional, mas também nacional. Porém, ainda estamos em processo de negociação.

UHQ: Tradicionalmente, o público leitor de HQs no Brasil é mais voltado para a leitura de quadrinhos estrangeiros, principalmente as grandes editoras americanas (Marvel/DC/Image) e mangás. Vocês terão materiais estrangeiros? Eles virão por intermédio das editoras brasileiras ou serão negociados e traduzidos diretamente por vocês?

JP: Sim. Temos quadrinhos estrangeiros. Mas nós, em hipótese alguma, queremos atravessar as editoras brasileiras que já são licenciadas. Se fôssemos diretamente nas editoras americanas, japonesas ou europeias, estaríamos canibalizando o mercado no Brasil e não é isso que queremos. Traduzir e editorar não é nosso modelo de negócio. Para que eu vou comprar um direito digital de um quadrinho que já tem tradução no Brasil, se posso potencializar a editora que já está aqui? Como é nosso lema, queremos fomentar mercado e não atravessá-lo. Nós temos reuniões marcadas com todas essas editoras nas comic-cons americanas, neste ano. Tivemos pessoal nosso em San Diego. Estive na comic-con do Chile, neste ano, e também estarei na de Nova York. A nossa ideia é trazer para o Brasil conteúdos que ainda não temos por aqui e conseguir uma editora parceira para traduzir esses títulos ou, caso nenhuma se interesse, podemos contratar um serviço de tradução e editoração para disponibilizar o título no Social Comics. Mas, em hipótese alguma, vamos atravessar editoras brasileiras que já possuem os direitos. Com nossos contatos, queremos incentivar as editoras estrangeiras a liberar os direitos digitais para os seus atuais parceiros no Brasil. Ganhamos em agilidade, o parceiro ganha com um novo canal de distribuição e os usuários ganham com mais conteúdo.

UHQ: Das editoras confirmadas, elas virão com quadrinhos estrangeiros ou apenas nacionais?

JP: Estrangeiros e nacionais.

UHQ: Especificamente sobre a Mythos, veremos Bonelli no Social Comics?

JP: Ainda vamos começar a divulgar os principais títulos que teremos na plataforma. Lembra do que respondi na pergunta da Panini? Se aplica o mesmo por aqui.

UHQ: Existe um público grande de mangás no Brasil e há a fama de os japoneses serem difíceis de negociar. Vocês oferecerão títulos japoneses?

JP: Uma das principais editoras de quadrinhos japoneses no Brasil é a JBC e já temos negociação com eles, como citei anteriormente. Os japoneses realmente são cautelosos nas decisões, mas quando dão um voto de confiança, tudo caminha muito rápido. Acredito que o principal impasse sobre negociação com o mercado japonês já foi superado, agora temos de fazer a coisa acontecer. Mas sabemos que é tudo com paciência. A dica aqui é que o Social Comics está totalmente preparado para mangás, inclusive com o modelo de leitura. Pensamos muito nos fãs de mangá, para que eles tenham a mais próxima experiência possível da leitura tradicional.

UHQ: Vocês têm um plano bem interessante de remuneração para autores independentes. A remuneração das editoras seguirá o mesmo modelo dos independentes ou vocês tiveram que licenciar materiais separadamente?

JP: O modelo é basicamente igual para editoras e independentes. A diferença é exatamente isso que você falou. Por se tratarem de títulos bastante conhecidos, as negociações com as editoras vão bem mais além, principalmente envolvendo canais de marketing e do nosso media kit. O trato com as editoras é direto e o BI (Bussiness Inteligence) para elas é diferenciado, mais robusto e completo, pois a partir dele as editoras poderão tomar decisões estratégicas para o seu negócio.

UHQ: Um dos grandes atrativos da Netflix é a produção de conteúdo exclusivo. Vocês têm planos para isso? Há possibilidade de vermos material tanto nacional quanto estrangeiro, que não foi publicado no Brasil ainda?

JP: Com toda e absoluta certeza. Esse é nosso caminho. Já temos autores desenvolvendo conteúdo exclusivo para o Social Comics e nós, particularmente,  já fechamos acordo com algumas franquias brasileiras muito conhecidas, mas que não possuem quadrinhos. Esse conteúdo exclusivo está sendo criado especificamente para o Social Comics e não estará disponível em lugar algum. Teremos todo um carinho especial, pois acreditamos que esse será um grande diferencial da plataforma. Tanto é que nós criamos um modelo diferente para a produção de conteúdo exclusivo. Faremos o lançamento do primeiro conteúdo exclusivo na Comic Con Experience, neste ano ainda. Vamos divulgar essas franquias mais para a frente, mas temos certeza que o público vai adorar.

UHQ: A venda de assinaturas será exclusiva para o mercado brasileiro ou será internacional? O material nacional estará disponível em outros idiomas?

JP: Inicialmente, a assinatura dos quadrinhos será apenas para o mercado brasileiro, porque as editoras têm direitos para o Brasil ou língua portuguesa. Porém, nosso plano de negócios já prevê uma expansão internacional. Já temos Europa e América Latina como mercados abertos para expansão. Só precisamos fazer isso com cautela, para não atrapalhar nenhuma das operações. Como me ensinou meu amigo Pierre Mantovani, CEO da CCXP e do Omelete, só devemos pensar nisso quando chegarmos no nível que almejamos. Quando isso acontecer, temos total interesse em levar o conteúdo nacional para fora do País. Esse intercâmbio faz parte do fomento do mercado. O que queremos fazer com editoras internacionais pouco conhecidas por aqui é o mesmo que queremos fazer com conteúdo brasileiro para o mercado internacional.

UHQ: Sempre que se fala no formato digital, a primeira questão que vem à mente é a pirataria. Como vocês abordam essa questão?

JP: Acreditamos que o modelo de streaming combate a pirataria. Os usuários querem ter conteúdos oficiais, licenciados, mas para muitos, por causa dos custos no Brasil e da carga tributária, que são altíssimos, os produtos oficiais acabam se tornando não tão acessíveis. Isso vem mudando. Com a Comic Con Experience por exemplo, o mercado de cultura pop vem se profissionalizando ainda mais. E não será diferente para o mercado de quadrinhos. Veja o Netflix, como falei antes, hoje se vê poucos ambulantes com DVDs piratas na rua. Isso é o efeito Netflix. Acreditamos que vamos ter o efeito Social Comics também para o mercado de quadrinhos, basta trabalhar profissionalmente e oferecer aos usuários uma experiência boa que o próprio mercado acaba se adequando. Sabemos que é difícil e que é questão de tempo, mas estamos trabalhando para isso.

UHQ: Além de vocês, há outro aplicativo prometendo um serviço de assinaturas no Brasil, ainda neste ano. Há espaço para dois serviços semelhantes? Vocês exigirão exclusividade dos autores que quiserem estar na sua plataforma?

JP: Já ouvimos falar não só em um, mas em pelo menos três outros aplicativos de serviço de assinaturas de quadrinhos no Brasil. E devem aparecer mais, é natural quando um modelo de negócio se destaca aparecerem vários players. Mas isso não é algo que nos incomode, pelo contrário, isso é reflexo de um mercado reprimido que existe no País. Porém, eu acredito que haverá uma seleção natural do mercado. Afinal, criar um serviço de streaming para quadrinhos não é exatamente algo inovador e original. Netflix, sim foi original e inovador. Porém, o desenvolvimento do business é o verdadeiro diferencial. Para fazer algo como o Social Comics acontecer, é necessário um business plan bem elaborado, anos de planejamento e o principal: relacionamento direto com o mercado de cultura pop. E isso não se conquista em um mês.

Nossa missão é bem simples, fomentar o mercado de quadrinhos. Então, exatamente por isso, não podemos pedir exclusividade para nossa plataforma. Se fizéssemos isso, estaríamos indo contra o que pregamos, reprimindo um mercado só para nós. Então, não, não pedimos exclusividade. Mas, como disse anteriormente, o mercado fará uma seleção natural, é normal em qualquer business.

UHQ: Em teoria, a equação do modelo de assinatura é perfeita. O leitor ganha porque economiza. O autor ganha porque não é pirateado. O distribuidor (aplicativo) ganha pelo seu serviço. Mas ainda se fala sobre o modelo não ser sustentável. Vocês têm um estudo de quantos assinantes precisariam, no mínimo, para o serviço ser viável para a sua empresa e para os produtores de conteúdo?

JP: Sim. Como falei antes, temos um plano de negócio montado há dois anos, sobre como a plataforma deve se comportar desde o seu lançamento até os próximos três anos. Sabemos onde queremos chegar, nossas metas, objetivos, temos relacionamento com venture capitals e bancos de investimento que desejam acelerar a plataforma exatamente por terem visto um business plan agressivo e inovador. Estamos com um calendário de investimento em conteúdo e marketing direcionado. Contratamos uma agência de publicidade, a Woon, que é especializada em Facebook Marketing e cultura pop, para nos auxiliar nesses planos, fizemos pesquisa quantitativa e qualitativa, enfim, estamos fazendo nossa parte dentro de algo concreto. Porém, como empreendedores, eu e meus sócios determinamos metas bastante conservadoras com os cálculos de ROI e Break Even. Estamos trabalhando para que essas metas sejam atingidas.

UHQ: A “camada social” do seu aplicativo parece ser um atrativo interessante, principalmente para o autor independente, que pode encontrar seu nicho e até tornar popular dentro do aplicativo uma HQ que seria mais underground. Pode explicar melhor como vai funcionar essa rede social interna? Ela segue alguns dos modelos existentes?

JP: Então, os aspectos sociais do social comics são baseados em uma demanda que identificamos em nossas pesquisas de mercado. Porém, também identificamos que os usuários não querem mais uma rede social para alimentar. O Facebook, principalmente, já atende todas as principais necessidades sociais das pessoas, por isso nós tomamos cuidado para chegar aos aspectos mais específicos e também conectamos toda a plataforma com o próprio Facebook, além do Twitter e do Instagram. Os usuários poderão dar notas aos quadrinhos, eles poderão seguir editoras e artistas, poderão ter amigos e saberão o que os amigos estão lendo. Além disso, nos preocupamos com performance para os mecanismos de busca e também com facebook ads e google adwords. Funciona assim: os artistas, as editoras e os títulos terão suas páginas próprias com itens personalizáveis e url personalizável. Por exemplo, socialcomics.com.br/nomedoartista. Essa página será aberta para os mecanismos de busca e também para os ads. Isso vai proporcionar às editoras e artistas a potencialização de seus conteúdos no Social Comics com campanhas externas que levarão direto para aquela página específica, sem a necessidade de o usuário estar logado no sistema. Porém, ele só terá acesso ao conteúdo ou às interações sociais se ele for um usuário ativo do Social Comics. Já estamos desenvolvendo a versão 2.0 da plataforma, que terá alguns outros aspectos que não teremos na versão 1.0, como badges de leitura e uma timeline para acompanhar o que acontece com suas conexões. Mas isso fica mais para a frente.

UHQ: O leitor de HQ tradicionalmente tem uma paixão pelo impresso e pelo colecionismo. Vocês veem isso como um empecilho ou pretendem ter material impresso também?

JP: Como falei anteriormente, não acredito nisso como empecilho, na verdade acredito como facilitador. Por intermédio da plataforma, os usuários poderão conhecer projetos novos que eles normalmente não apostariam numa banca ou livraria. Depois de conhecer e gostar, com certeza ele vai atrás da versão impressa para ter em sua prateleira. Sobre material impresso, nós estamos oferecendo isso como incentivo ao artista independente que tiver a melhor performance no ano. Sabemos que ter o seu “filho” em mãos é algo que todo artista independente sonha e nós vamos realizar o sonho de um artista por ano. Acreditamos que isso seja um prêmio por um trabalho bem feito e dedicado. Além disso, temos interesse em licenciar esses quadrinhos na confecção de produtos, como camisas, canecas etc. E vamos levar esse artista para nosso estande na Comic Con Experience. Assim, a gente acredita que fomentamos mercado e incentivamos melhores quadrinhos e melhores histórias. Existem vários Alan Moores, Frank Millers e Robert Kirkmans no Brasil que estão escondidos e não conseguem se desenvolver nesse mercado por ser tudo muito difícil. E acreditamos que o Social Comics pode proporcionar a esses verdadeiros talentos uma porta de entrada para trabalhar com o que se ama.

UHQ: A Netflix demorou alguns anos para se tornar lucrativa e ainda tem prejuízo em mercados como o Brasil. Vocês estão investindo pesado em marketing, terão presença forte no CCXP, inclusive levando o Mike Deodato como convidado. Em quanto tempo vocês esperam ter o retorno desse investimento?

JP: Sabemos de tudo isso e sim, estamos investindo pesado em marketing, como você mesmo falou. Temos o Mike Deodato, também o Daniel HDR, dentre outros, como convidados nossos na CCXP. Temos outros nomes que vamos divulgando com o tempo também, é só ficar atento. Sobre o tempo de retorno da nossa plataforma, eu não vou aqui ensinar aos outros como fazer o nosso negócio, então vou te responder com o seguinte: temos boas perspectivas, principalmente como desenhamos o nosso modelo de negócio, que não é apenas baseado nas assinaturas, mas sim em uma complexa equação que envolve desenvolvimento de mercado, marketing, conteúdo e, principalmente, muito amor pelo que se faz. Quando tivermos depositado a primeira comissão de direito autoral para um independente que mora em algum lugar longe e desconhecido no Brasil e que não teria nunca oportunidade se não fosse por meio do Social Comics, teremos a recompensa por tudo que trabalhamos.

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