Le Soir celebra os 50 anos de Corto Maltese com coleção de álbuns

Por Sérgio Codespoti
Data: 13 março, 2017

Corto MalteseO jornal belga Le Soir está celebrando os 50 anos de Corto Maltese, personagem criado por Hugo Pratt, com uma coleção de álbuns.

A série de 16 álbuns, em formato grande, publicará as 29 aventuras originais do marinheiro veneziano, na ordem cronológica de sua criação. Cada edição terá um dossiê sobre a aventura, escrito por Daniel Couvreur, o especialista em quadrinhos do Le Soir, e ilustrado com aquarelas de Pratt.

O primeiro volume, A Balada do Mar Salgado – Parte 1, foi lançado em 17 de fevereiro. Também já foram publicados: Volume 2 – A Balada do Mar salgado – Parte 2, Volume 3 – Coleção 1 (com quatro histórias curtas) e Volume 4 – Coleção 2 (outras quatro histórias curtas).

A seguir serão lançados: Volume 5 – Coleção 3 (com cinco histórias curtas); Volume 6 – As Célticas; Volume 7 – As Etiópicas; Volume 8 – Corto Maltese na Sibéria; Volume 9 –Fábula de Veneza; Volume 10 – A Casa Dourada de Samarcanda – Parte 1; Volume 11 – A Casa Dourada de Samarcanda – Parte 2; Volume 12 – A Juventude de Corto Maltese; Volume 13 – Tango; Volume 14 – As Helvéticas; Volume 15 – Mu – Parte 1; e Volume 16 – Mû – Parte 2.

Os volumes 3 a 5 dessa série incluem as histórias anteriormente publicadas como Sob o Signo do Capricórnio, volumes 1 e 2.

Os álbuns estão à venda nas bancas de jornal e cada volume custa 18 euros, um preço razoável para a região, considerando que as edições normais da Casterman – editora que possui os direitos de publicação do material no mercado franco-belga – custam entre 18 e 30 euros, dependendo do volume; e as edições em preto e branco custam 25 euros.

Na Itália, a série é publicada pela editora Rizzoli Lizard, com preços bem mais acessíveis.

Corto Maltese surgiu em 1967, nas páginas da revista italiana Sgt. Kirk # 1, e sua primeira aventura foi A Balada do Mar Salgado.

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Coleção Le Soir Corto Maltese

• Outros artigos escritos por

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  • VAM!

    Olá Sergio, essa realmente é uma iniciativa invejável.

    Não somente pela oportunidade de se colecionar Corto Maltese, em tão belas edições, mas também pelo de que em nosso País os ainda maiores jornais em circulação, ignoram por completo esse modelo de negócio.

    Até mesmo a Folha que se destaca por oferecer ótimas coleções cinematográficas, não demonstra nenhum interesse em estender para o seguimento de HQs.

    Mesmo agora, com o mercado de quadrinhos tendo fechado o ano de 2016 com um crescimento de quase 6% nas vendas. Não parece haver sinal de mudança na mentalidade.

    Pra você ver, única proposta levemente parecida e me parece já ter completado mais de uma década, foi quando o Jornal Extra do Rio, junto com a Panini ofereceram encalhes de títulos variados da Marvel.

    Acaso, o companheiro teria uma opinião sobre o(s) motivo (s) para tamanho descaso?

    Abs,
    VAM!

    • codespoti

      Infelizmente algumas obras clássicas vendem mal. As editoras buscam vendas maiores e de custo menor. A distribuição e a divulgação precisam melhorar.

      • VAM!

        Nem me refiro necessariamente a Corto Maltese, Sergio. Mas, a qualquer coleção cujo tema sejam quadrinhos. A prática é ignorada por completa.

        Houve uma época em que o suplementos infanto-juvenis alavancavam as vendas dos jornais. Com o aquecimento do mercado de quadrinhos, iniciativas poderiam ser pensadas para aproveitar a demanda.

        Abs,
        VAM!

  • 0-Drix

    Até hoje não sei porquê a Nemo parou de publicar Corto Maltese por aqui. Foram 3 edições em capa-dura e nada mais – nem explicação.

    • Pedro Bouça

      Vendeu mal.

  • Pena que dificilmente essas edições serão lançadas aqui no Brasil (mas não custa nada sonhar, né?)…

  • Luiz Eduardo Fontoura Teixeira

    O jornal Clarín de Buenos Aires tem essa prática: já editou duas series de HQs e personagens clássicos (Fantasma, Flash Gordon, etc) e também uma série de Corto Maltese em 15 volumes, vendidos com o exemplar de domingo a R$10,00 (preço da época).Em nosso país de vendem edições de culinária, clássicos de literatura, menos HQ de qualidade. Pior pra nós.

  • 0-Drix

    Sim, tenho esses da Pixel. Minha expectativa era que a Nemo completasse a coleção.

  • The Tarakian

    E eu continuo sonhando que um dia veremos as adaptações de Corto Maltese, a série em DVD……..

  • Rafael Olivato

    Corto Maltese foi publicado originalmente em preto e branco e depois lançaram uma versão colorida? Ou o contrário? Como funciona isso?

    E essa coleção aí é colorida ou preto e branco?

    Morramos todos de inveja.

    • Pedro Bouça

      Saiu originalmente em P&B. É italiano. ;-)

      • Rafael Olivato

        Obrigado pela resposta, Pedro. :)

        Você prefere a versão colorida ou P&B? Dê uma olhadinha na resposta que dei pro Sérgio logo acima.

    • codespoti

      Rafael, saiu originalmente em italiano, em preto e branco. Eventualmente a HQ foi lançada em versão colorida. Isso aconteceu com centenas de HQs européias, Inclusive metade da obra do Hergé, por exemplo. Essa coleção é colorida, mas a editora francesa da obra tem no seu catálogo disponível para compra e venda toda a série em cores e quase todas as edições também em versão preto e branco, para colecionadores, fãs, etc.

      • Rafael Olivato

        Obrigado pelo esclarecimento, Sérgio. Fui pesquisar agora no Guia dos Quadrinhos e vi que, considerando as edições mais recentes de Corto Maltese lançadas no Brasil, Pixel e Nemo optaram por formatos diferentes. Os álbuns lançados pela Pixel foram em P&B, enquanto todos os lançados pela Nemo foram coloridos.

        Você prefere a versão colorida ou em P&B? Tenho uma impressão de que há menos resistência ao colorido quando se trata de HQs europeias. Os fãs de mangás parecem ser mais chatos em relação a isso. Eu mesmo não ficaria muito feliz se a JBC tivesse anunciado a versão em cores de Akira, mas não me lembro de já ter visto fãs reclamando que o Tintim lançado pela Cia das Letras é colorido.

  • brunoalves65

    No Brasil houve uma experiência dessas em Pernambuco – e salvo engano, única no país. Entre novembro de 2001 e fevereiro de 2002 o cartunista Lailson Cavalcanti publicou a série Pindorama – a Outra História do Brasil em 12 fascículos que vinham encartados no jornal Diário de Pernambuco. Não lembro quanto custava a mais que o valor do jornal, mas era baratinho. O projeto tinha patrocínio da companhia de energia do estado e incentivo do Funcultura, programa de apoio a projetos culturais. Nesse período, a venda do jornal aumentou quase 10% (não lembro do número exato) nos dias em que saia o quadrinho. O jornal ficou tão animado que encomendou um projeto piloto ao Lailson para publicar um tablóide semanal com histórias em quadrinhos. Lailson reuniu um grupo de desenhistas e roteiristas (do qual fiz parte) para criar e produzir as séries. Infelizmente não vingou, não sei bem por quais motivos. Embora tenha acontecido em outro contexto histórico e econômico, essa iniciativa mostra que quadrinho + jornal poderia funcionar por aqui.