Livro em campanha no Catarse traz de volta o Judoka

Por Marcelo Naranjo
Data: 14 junho, 2018

Em maio de 1970, foi lançada a sétima aventura em quadrinhos de um personagem que marcou época e a infância de milhares de fãs dos quadrinhos nacionais: chegava às bancas a aventura A Caçada, de O Judoka, Um Herói Brasileiro, personagem publicado mensalmente pela revista de mesmo nome, lançada pela Editora Brasil-América – Ebal.

Era a primeira história escrita e desenhada por um desenhista desconhecido até então: Floriano Hermeto de Almeida Filho, que assinava como FHAF. Ao imprimir ao personagem agilidade cinematográfica e enquadramentos inusitados, ele chamou a atenção dos leitores, da crítica especializada e de estudiosos dos quadrinhos, como Álvaro de Moya e Moacy Cirne. Moya, inclusive, levou os desenhos de FHAF para uma exposição no Congresso Internacional de Quadrinhos de Lucca, na Itália, em 1971.

Nos seis números anteriores do título, dois ótimos desenhistas se revezaram para dar forma ao personagem: Eduardo Baron e Mario Lima. Mas foi Floriano Hermeto que realizou mudanças importantes, dando consistência ao roteiro, além de fazer uma releitura da estrutura visual das histórias.

A revista do Judoka foi um sucesso de vendas e o personagem chegou às telas do cinema num filme estrelado pelo modelo Pedro Aguinaga e a atriz Elizângela. Foi publicada até julho de 1973 e muitos outros desenhistas assumiram a responsabilidade de traçar novas aventuras. Foram 46 histórias ao todo e quase uma dezena de desenhistas.

O livro O Judoka, por FHAF, que está em campanha na plataforma colaborativa Catarse, busca fazer justiça a esse desenhista e roteirista ímpar. Em suas 180 páginas, serão republicadas as cinco histórias clássicas de O Judoka desenhadas por FHAF, que foram lançadas originalmente entre maio de 1970 e abril de 1972.

Além delas, a obra virá repleta de extras, como uma entrevista com Floriano Hermeto; um panorama histórico e cultural da época e 15 páginas inéditas desenhadas por FHAF. Confira as recompensas e participe clicando aqui. Para outras informações, visite a página do Facebook.

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  • marco aurélio santiago

    Mario Lima desenhava melhor e o livro mereceria uma capa bem melhor!

  • Stephan

    O Catarse é uma alternativa para quem não tem os acessos privilegiados das leis de incentivo à Cultura, leis essas que geralmente premiam projetos tão “interessantes” que no ano seguinte eles caem no esquecimento. Porém, no Catarse há o problema da grande demora em entregar os livros/gibis aos financiadores, o que tem solução, se assim os administradores do site o quiserem…
    O Judoka é um dos melhores exemplos de que quadrinhos de super-heróis brasileiros podem dar certo sim, e é um personagem que pode ser explorado inclusive em action figures!
    Tomara que esse projeto dê certo, e que outros na mesma linha venham para resgatar um tempo em que podíamos comprar ao menos um título brasileiro de quadrinhos nas bancas.

    • Nesse caso, a culpa é de cada projeto, o Catarse é só a plataforma, isso tem dado muitos problemas.

  • Marquito Maia

    Bela iniciativa! MAS, desde quando o Judoka é um super-herói? Ele tá mais pra um herói normal, tipo o Vigilante Rodoviário! Aliás, já pensou um “team-up” dos dois?

    P.S. Marco Aurélio, que tal, então, escrever um livro sobre o Mario Lima e bolar uma capa genial? Fica aqui a sugestão…

    • Stephan

      Os parâmetros para se definir quais personagens são super-heróis ou simplesmente heróis são variáveis e, em alguns casos, questionáveis. Por exemplo, para uma criança, qualquer personagem dessa linha será um super-herói, mas à medida que ela vai crescendo e amadurecendo, ela passa a vê-lo sob outra perspectiva. Quanto ao crossover, pensei em Judoka, Falcão Negro(o brasileiro), Vigilante Rodoviário, Jerônimo, o Herói do Sertão, o Anjo e, claro, o saudoso Capitão Aza, todos juntos enfrentando o …Garra Cinzenta!

  • Renato França

    O cara que interpretou o Judoka era freguês da loja onde eu trabalhei.

  • Bruno Messias

    Quero muito esse livro! Só achei meio caro… Mas esse precisa entrar na coleção!

  • O Judoka foi uma das mais bem sucedidas revistas em quadrinhos brasileiras que não eram infantil ou terror, Holy Avenger é outro exemplo.