Luiz Gê lança livro de charges sobre a Ditadura em São Paulo

Por Marcelo Naranjo
Data: 14 março, 2016

O Brasil é um país em constante processo de transformação política. Desde 2013, o povo vai às ruas. Dentre as várias manifestações, uma chamou a atenção: o pedido de volta à ditadura militar que governou o país entre 1964 e 1985.

Mas o que foi a ditadura e, sobretudo, qual o seu legado para o Brasil?

Trabalhando na Folha de S.Paulo, o quadrinhista Luiz Gê acompanhou de perto o processo de abertura política rumo à democracia, com charges sobre o que viria a ser o Brasil democrático. Reunidas pela primeira vez em livro, revelam um panorama que mostra passo a passo como o presente se apoia no passado, uma janela poderosa para o processo político que ainda marca nosso país.

Ah, como era boa a Ditadura… (Companhia das Letras, R$ 59,90) terá sessão de autógrafos na próxima quinta-feira, 17 de março, a partir das 18h na Livraria Cia dos Livros – Mackenzie (Rua da Consolação, 896, São Paulo/SP).

Ah, como era boa a Ditadura...

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  • Stephan

    Houve aqui um Regime Militar, o que é diferente de uma Ditadura, como as que existem em Cuba e na Coréia do Norte, por exemplo, onde só o fato de se discordar dos Partidos (únicos) que governam tais países já é motivo de fuzilamento.
    Embora, infelizmente, a Censura tenha prejudicado uma parte do setor cultural, isso não impediu que muitas revistas circulassem nas bancas e que artistas que discordassem do sistema então vigente lançassem suas obras (ainda que com críticas veladas) ao contrário de hoje, onde não há Censura mas, em muitos casos, favorecimentos políticos que, através das tais leis de incentivo cultural, privilegiam a mesma patota de sempre.Também a situação política da época não impediu que existisse mercado para os profissionais de desenho; quantos desenhistas hoje podem dizer que vivem exclusivamente do mercado brasileiro, tanto nos Quadrinhos quanto na Publicidade, ou mesmo em ambos os dois?
    Ademais, o estímulo que havia tanto para a Leitura quanto para a Educação formava novos leitores continuamente, diferentemente do que ocorre atualmente, em que o populismo político implantou um sistema de aprovação automática, resultando em uma multidão de semi-analfabetos que tem alergia a tudo que é impresso em papel.
    E antes que alguém me acuse de militarista, não, não sou a favor de sua volta no Brasil, apenas tento ver os dois lados da história…

    • Samir Naliato

      Houve sim uma Ditadura Militar no Brasil. Minimizar ou esquecer isso é varrer a História do Brasil para debaixo do tapete e fingir que um dos nossos momentos mais negros nunca aconteceu.

      Ainda mais num momento tão turbulento no qual, inacreditavelmente, muitas pessoas pedem intervenção militar.

      Triste.

  • Eu acho q ainda não entendi.. o povo pede a volta da ditadura ou a intervenção militar para tirar o atual governo do poder ? Intervenção militar (ou seja, golpe) para se apropriar do poder implantando uma ditadura ou para dar direito de poder a outros políticos sem acabar com a democracia?!

    • Stephan

      Há quem peça ambos, mas não creio que os militares irão querer pegar de novo este abacaxi em que se transformou o Brasil. Precisamos, no entanto, ficarmos atento sob qual conceito definimos ditadura, pois, sob diversos aspectos, o atual governo usa do poderio econômico e de várias cartilhas político-ideológicas para barrar a voz de muitos que não concordam com o seu ponto de vista, inclusive no campo dos patrocínios culturais.
      Alguém ainda se lembra do fiasco da cinebiografia do presidente mais honesto do Universo? Pois é, fracasso de público e crítica, devidamente pago por nós através de altíssimos impostos. Imaginem quantos bons gibis não poderiam ter sido publicados com a quantia gasta nessa bomba doutrinária?
      Leni Riefenstahl fez o mesmo na Alemanha Nazista com Hitler, mas aqui pega mal compararmos as coisas, pois seria considerado exagero.
      Hipoteticamente, se alguém quisesse fazer um documentário sobre algum político brasileiro de direita, seria considerado, no mínimo, um reacionário fascistoide ou direitopata, a não ser que fosse para mostrar apenas um lado da moeda, ou seja, o lado dos que agora comandam o País. Irônico que, ao mesmo tempo em que criticam a Censura de outrora, adotam as mesmas táticas para praticarem o revanchismo cultural, vide a história do músico Wilson Simonal, por exemplo.
      Quem duvidar, pode ir no órgão ligado à Cultura – municipal/estadual/federal – mais próximo de sua casa e tentar um financiamento de algum projeto para mostrar os podres do governo atual seja em quadrinhos ou no campo audiovisual.
      Ah, sim, vivemos em uma Democracia, a Censura acabou e o auge que existiu no mercado editorial nas décadas de 60 e 70 é apenas fruto de imaginações saudosistas…

  • Samir Naliato

    Verdade. Quadrinhos previamente analisados e autorizados, ou com mudanças para poderem ser publicados. Tantos outros quadrinhos e editoras foram boicotados por não “se adequarem”.

    • Stephan

      Antes isso que não ter nenhum gibi nacional mais nas bancas. Aliás, quantas editoras brasileiras ainda publicam quadrinhos mesmo (contando títulos estrangeiros)?

      • Samir Naliato

        Você quer imputar à Ditadura a publicação de quadrinhos no Brasil, ignorando totalmente as diferenças do mercado de mais de 40 anos atrás com o de hoje em dia? Tudo era diferente: televisão, cinema, livro.. até mesmo tiragem de jornal. E isso não é só no Brasil.

        Se você quer sabe quantas editoras publicaram quadrinhos no Brasil, pesquisa aí. A sessão Checklist do ano passado é um bom começo (mas não o único).

        Além disso, você acaba de confirmar que prefere a censura? Sério? Encerro meu caso.

        • Stephan

          A Editora Abril picotava seus quadrinhos, mas, apesar disso, eu ainda prefiro quadrinhos cortados a títulos inexistentes. O caso da Abril até já foi tema de um posto do UHQ ano passado.
          Não gosto de Censura, mas, como disse, é preferível arte censurada a nenhuma arte, e aí caímos justamente no dilema acima levantado: o que é melhor, pouco ou nada?
          Comparativamente há sim muito menos editoras que, hoje em dia, publicam regularmente gibis do que nas décadas passadas (sim, eu acompanho diariamente o ótimo Checklist de vocês). Mesmo se contarmos edições esporádicas, deixa muito a desejar em relação ao passado.
          Indiretamente, quando se investe em Educação, há mais interesse da população em ler, logo, mais vendas, consequentemente, mais editoras, e, por fim, maior variedade de títulos disponíveis, não só no mundo mas também no Brasil, cuja situação específica é que está em foco aqui.
          Indo pela saudosa linha da Marvel “O Que Aconteceria Se…?” como acha que a situação teria sido acaso esta mesma esquerda que hoje dilapidou o sistema de Ensino comandasse o pais na ocasião?

          • Samir Naliato

            Novamente, você está atribuindo à Ditadura e censura a publicação de quadrinhos no Brasil, e ignorando totalmente como o mercado e a própria sociedade mudou nessas décadas.

            Também não entendi a comparação “é preferível arte censurada a nenhuma arte”, visto que estamos longe de ter “nenhuma arte” hoje em dia.

            Percebi ainda que você começou a sair do assunto da Ditadura Militar e começou a falar do governo atual. Em nenhum momento entrei neste mérito, minha resposta foi sobre a tentativa de minimizar o Estado de Exceção que o Brasil viveu.

          • Stephan

            Majoritariamente a “arte” que nos é oferecida de uns anos pra cá pelos grandes meios de comunicação e editoras equivale a(quase) nada. O que se salva é, como um todo, pouco se comparado às boas opções que havia antes, seja na Música, Cinema, Literatura, etc… Qual escritor brasileiro moderno serve de referência para estudos acadêmicos, por exemplo? No exterior eles existem, seja no mainstream quanto no mercado alternativo..
            Acaso tivesse havido uma ditadura sanguinária poderiam Caetano Veloso, Chico Buarque e tantos outros terem lançado discos sem serem fuzilados?
            Ocorre que, como muitos desenhistas admitem, conseguiam publicar, ainda que com a interferência – ruim, é verdade – da Censura, mas lá estavam as revistas e gibis nas bancas.
            Sendo-se imparcial na História e voltando-se no tempo, se não tivesse ocorrido o Estado de Exceção teria havido a implantação de uma Ditadura Comunista, e eu seria tolo se ignorasse que houve excessos, assim como igualmente seria tolice dizer que tudo na época foi ruim.
            Ao se olhar apenas um lado dos fatos, corre-se o sério risco de se sucumbir à manipulação (de ambos os lados). A comparação com a atualidade é inevitável tendo-se em vista que, tal qual João Goulart, os governos socialistas atuais – e aí encontram-se alguns supostos partidos de “oposição” – tem, entre suas prioridades, justamente o desmantelamento da Educação como um todo, o que, obviamente, impacta – e muito – no nível de Leitura da população.
            Sem dúvida outros fatores existem no declínio que vemos hoje, mas dizer que os anos 60 e 70 foram períodos trevosos também não procede.

          • Samir Naliato

            Como eu disse antes, só posso ficar triste por parecer que, as vezes, a História ensina tão pouco.

            Pena.

            Mas, enfim, a democracia permite que exponham suas opiniões. Permite manifestações como as de ontem. Ao contrário da Ditadura.

          • Victor Hugo Pinheiro Cunha

            Quem defende censura, como você, devia ser censurado, deviam banir você de postar comentários, e deletar os comentários que você fez, aí você iria aprender como funciona… Aí temos liberdade de expressão, arte, só a aprovada evidentemente, a sua, deve sumir.

          • Victor Hugo Pinheiro Cunha

            Isso porque a ditadura, eventualmente, não dava um sumiço apenas na sua arte, ou seus comentários, dava um sumiço em você, e em quem perguntasse por você…

  • Alexsandro Alves

    quem defende a ditadura militar é porque não tem o menor respeito com a democracia. como bem falou a presidenta dilma, então ministra do presidente lula, para o corrupto agripino maia, que apoiou a ditadura militar e com isso foi aplaudida por todos os que a ouviram!!

    • Stephan

      A mesma Dilma que apóia o Collor, Sarney e outros que também se beneficiaram da “Ditadura”?
      Ao que parece aquele ditado diga-me com quem tu andas que te direi quem tu és só vale pra quem discorda do “democrático” governo atual.

  • Stephan

    Você se esqueceu de citar também as mortes que tais “heróis” e “heroínas” provocaram:
    http://www.averdadesufocada.com/index.php/vale-a-pena-ler-de-novo-especial-86/4017-1810-vida-clandestina-de-dilma-rousseff-1-parte-vale-a-pena-ler-de-novo-
    http://www.jgpimentel.com.br/textos_siteview.asp?showmaster=1&sub_id=65&id=224&id_texto=224&key_m=224&ft_m=224&id_cat=6
    Por que apenas os miliares devem responder por seus crimes? Isso me lembra aqueles que sempre isentam Deus de culpa pelo que acontece no mundo e responsabilizam o Diabo por tudo quanto é desgraça…

    • Alexsandro Alves

      porque quem deu golpe na constituição foram os militares com apoio dos eua. não foram dilma e os revolucionários que lutavam contra o golpe, simples assim. se eles mataram pessoas, essas pessoas mortas apoiavam o silêncio, as mortes, as torturas, o dedo na cara dos brasileiros, os desaparecimentos, enfim, eram apoiadores de um golpe que instaurou um governo ditatorial e militar que censurou com seus atos institucionais a liberdade do povo brasileiro, inclusive a liberdade de escolher seus governantes COMO LEGALIZA A CONSTITUIÇÃO, constituição essa que os militares rasgaram em nome de uma golpe ditatorial. foram tão malignos e bandidos esses militares que seis meses depois do golpe NÃO HOUVE NOVA ELEIÇÃO DIRETA como mandava a constituição, ORA SE OS MESMO MILITARES JÁ A HAVIAM ATROPELADO E MATADO COM O GOLPE!!!

      • Stephan

        Já ouviu falar na fraude do voto eletrônico? O fato de, ilusoriamente, estar-se seguindo à risca a Constituição não significa que vivemos em uma democracia:
        http://www.brunazo.eng.br/voto-e/livros/FeD.htm
        http://pdt.org.br/index.php/noticias/voto-eletronico-hacker-revela-no-rio-como-fraudou-eleicao
        Ah sim, também tem este interessante artigo aqui:
        http://www.mortesubitainc.org/sociedades-secretas-e-conspiracoes/textos-conspiracionais/aquisitores-a-breve-historia-secreta-do-brasil1
        Quanto ao seu argumento de pessoas inocentes terem merecido morrer devido à “omissão” que tiveram em não abraçar uma causa que não queriam ou que com a qual não se identificavam, lembro-lhe que assim também os nazistas justificaram o genocídio do povo judeu, imputando-lhe culpas genéricas pelos crimes dos banqueiros, os quais, por sua vez, pertencem a diversas etnias. Mas é útil aos governos de todo o mundo haver bodes expiatórios, assim eles desviam os olhares para as mutretas que se concretizam nos bastidores.
        Certamente que, para você, é justificável que o “nobre” José Dirceu tome garrafas de vinho que custam R$15.000,00 cada mas é abominável que algum “burguês” pague R$ 50,00 por um gibi, por exemplo, ou então que o “herói” tenha milhões de dólares escondidos por aí.
        A meu ver, roubo de dinheiro público deveria ser um crime hediondo, mas aí não sobraria um “herói” pra contar história, né?
        Ah, também penso a mesma coisa de FHC e companhia, que também “lutou” pra libertar nosso país dos malvados milicos…

    • Victor Hugo Pinheiro Cunha

      Que tal condenar os franceses que resistiram a invasão nazista como sendo criminosos? Que tal condenar quem ajudou com a fuga de judeus e que ajudou a matar nazistas como criminosos?