Mark Millar fala sobre atuais e futuros trabalhos

Por Sérgio Codespoti
Data: 6 maio, 2003

Mark MillarEm entrevista ao site The Pulse, o escritor Mark Millar falou sobre vários assuntos relacionados ao seu trabalho, incluindo o fim de Supremos, sua saída de Ultimate X-Men, desavenças com a DC Comics e futuros trabalhos.

Começando por seus títulos na Marvel, Millar está com vários projetos sendo desenvolvidos para a editora. O mais recente deles a ser anunciado é Trouble, para o selo Epic. “Gosto de surpreender as pessoas”, disse o autor, ao explicar o motivo de ter escolhido um título de romance.

Ele também revelou que não é o dono da série, ao contrário do que se pensava. “Está ligado ao Universo Marvel, então pertence à editora. Entretanto, o contrato é flexível, e eu criei uma série que deve sair no final do ano. Ainda estamos negociando, mas é um acordo muito bom”, elogia. “Estou bastante otimista com o relançamento dessa linha”.

Trouble #1Se alguns projetos estão começando, outros chegam ao seu final. Ele falou sobre o processo de criação de Supremos, a série de maior sucesso de Mark Millar no último ano. “Apenas trato os personagens como lembro deles na minha infância. O Capitão América é um soldado, Homem de Ferro um playboy, Hank Pym tem problemas psicológicos etc”, analisou. “É a execução que faz dos Supremos tão diferentes”.

“Desenvolver cada personagem foi interessante. Passei 12 meses pensando e conversando sobre a série antes de sentar para escrever o primeiro número, em meados de 2001. Tive duas reuniões em Nova York com Bill Jemas (presidente), Joe Quesada (editor-chefe), Brian Bendis e até com algumas pessoas da DC, nas quais passamos literalmente dias argumentando sobre como nossos personagens prediletos deveriam ser”, continua. “Conversei meses por telefone com Grant Morrison, onde ele sugeriu todas suas idéias. Costumávamos nos ver muito”.

De acordo com o autor, o editor Ralph Macchio também fez várias anotações interessantes, mas tudo só começou realmente a animá-lo dois meses após começar a trabalhar com o desenhista Bryan Hitch. “Os primeiros dois meses não foram produtivos, tudo que pensávamos parecia com uma continuação de Authority. Mas começou a se encaixar quando escrevi o primeiro roteiro, e percebi que Hitch podia colocar todos os detalhes que eu queria. Começamos a pesquisar a série do Capitão da década de 1940, fomos para Nova York fotografarmos tudo para a grande batalha com o Hulk etc”.

The Ultimates, os Supremos, no BrasilMas Millar voltou a afirmar que a revista está chegando ao final. “Sempre tenho em mente o começo, meio e fim do projeto que estou trabalhando. Estou saindo no número 26. Sei qual será o último painel. Mas como chegarei lá acaba sofrendo mudanças, dependendo do dia que escrevo”.

O autor também está deixando os argumentos de Ultimate X-Men em breve, mas garante que se divertiu muito, apesar de nunca ter sido leitor dos heróis mutantes. “Quando tinha 13 anos li a graphic novel Conflito de uma Raça (lançada pela editora Abril na década de 1990, que será republicada pela Pannini Comics, com o título Deus Ama, Homem Mata, tradução literal do titulo original God Love, Men Kill), e adorei”, resume.

Mas, ao começar no título, encontrou no Professor Xavier o personagem mais divertido para escrever. “Definitivamente, sem dúvida. Depois de Lex Luthor, Xavier é o personagem mais interessante dos quadrinhos”, opinou.

E foi enfático. “Não, nunca voltarei ao título. Isso é um erro. Entretanto, os X-Men do Universo Marvel tradicional podem ser interessantes. Adoraria fazer uma história em seis partes do Wolverine com desenhos de Frank Quitely. Mas tenho muitas coisas para fazer antes”.

Ultimate X-Men #32Sobre trabalhar com outros heróis da “Casa das Idéias”, é algo que ele ainda pretende fazer. “Uma versão Ultimate do Quarteto Fantástico seria curiosa. Também quero fazer o Motoqueiro Fantasma, e, no próximo ano, escreverei uma história do Justiceiro”.

Apesar de todo seu sucesso na Marvel, o escritor se tornou conhecido ao trabalhar para a DC Comics, nas revistas do Monstro do Pântano, Superman Animated (baseado no desenho animado do personagem, tendo sido indicado ao Eisner Award) e The Authority.

Millar tinha um projeto ao lado de Grant Morrison, Mark Waid e Tom Peyer para assumir as quatro séries mensais do Homem de Aço, mas a proposta acabou sendo recusada pela editora.

“Escrever o Super-Homem é o trabalho mais interessante do mundo. Surgir com novas idéias não é difícil porque o personagem é tão rico, que ele mesmo se coloca em grandes situações. Costumo escrever revistas por 12 ou 24 números, no máximo, mas com o Super-Homem acho que posso fazer grandes coisas. Alguns personagens funcionam para mim, e outros não. O Super-Homem funciona, e poderia trabalhar na revista por uns cinco anos. É um personagem fascinante”, admite.

Superman: Red Son #3Se Millar não conseguiu assumir um título regular, pelo menos está saindo nos Estados Unidos a minissérie da linha Elseworld (Túnel do Tempo, no Brasil) Superman: Red Son, depois de muitos atrasos na produção.

Ele mencionou também quais são seus criadores prediletos quando o assunto é o último filho de Krypton. “Os melhores são Mark Waid e Alex Ross. O Super-Homem deles é a quintessência do personagem. Já disse isso a eles um milhão de vezes. Alan Moore realmente adora o herói, e mostrou isso em seus trabalhos. A história que ele fez para a edição anual (republicada recentemente no Brasil pela Opera Graphica no especial O Homem que Tinha Tudo) é incrível. Como todos, minhas favoritas são aquelas que cresci lendo”, disse, acrescentando os nomes de Cary Bates, Elliot Maggin, Marv Wolfman, Len Wein, Curt Swan e Paul Levitz (hoje presidente da DC e um dos motivos das desavenças entre o autor e a editora).

De acordo com o autor, sua relação com a DC ainda não terminou, e esse é um assunto que ele ainda terá que encarar. “Meus verdadeiros trabalhos na DC ainda virão, mas só quando houver uma mudança de regime por lá. Adoraria fazer Superman com Bryan Hitch e Batman com Frank Quitley, mesmo que apenas 12 edições em cada. Mas não espere isso para antes de 2006″.

De acordo com Millar, mais detalhes de seus futuros trabalhos somente em julho, depois de Trouble #1 ser lançado.

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