Mercado de quadrinhos dos Estados Unidos passa por momento de retração

Por Samir Naliato
Data: 11 março, 2016

Desde 2011, quando a DC Comics realizou o reboot de seu universo ficcional de super-heróis com a fase Novos 52, o mercado de quadrinhos dos Estados Unidos vinha passando por constante crescimento nas vendas.

Essa iniciativa, junto com as ações da Marvel com as fases Marvel Now, All-New Marvel Now e All-New All-Different Marvel, tiveram efeitos nas vendas, com os leitores procurando as últimas novidades.

Mas, com a chegada de 2016, essa tendência mudou. O último mês de fevereiro mostrou uma retração de 4,24% na quantidade de quadrinhos vendidos em relação a janeiro, que, por sua vez, já mostrava forte queda. Se a comparação for com fevereiro de 2015, a diferença é ainda maior: – 12,5%.

Os dois primeiros meses de 2016 venderem 8% menos quadrinhos do que o mesmo período de 2015.

Resta saber se o cenário será revertido, impulsionado com filmes como Batman vs. Superman e Capitão América – Guerra Civil, além de projetos que as duas editoras estão preparando, como Rebirth e Guerra Civil 2.

A Marvel continua na liderança, vendendo 42,1% de todas as revistas do mercado. Em seguida, aparece a DC Comics (29%), Image Comics (10,1%), IDW Publishing (4,1%), Dark Horse (2,59%), Boom! Studios (1,94%) e Dynamite Entertainment (1,68%). As demais editoras somam 8,49%.

A revista mais vendida foi Dark Knight III – The Master Race # 3, da DC, mas a “Casa das ideias” ocupou sete das dez primeiras posições. Veja a lista abaixo.

Posição
Título
Editora
1
Dark Knight III – The Master Race # 3
DC
2
Star Wars # 16
Marvel
3
Batman # 49
DC
4
Spider-Man # 1
Marvel
5
Deadpool – The Mercs for Money # 1
Marvel
6
Deadpool # 7
Marvel
7
Darth Vader # 16
Marvel
8
Power Man and Iron Fist # 1
Marvel
9
Amazing Spider-Man # 7
Marvel
10
Justice League # 48
DC

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Dentre as graphic novels e encadernados, a liderança ficou com The Wicked & The Divine Volume 3, da Image. Confira:

Posição
Título
Editora
1
The Wicked & The Divine Volume 3
Image
2
Star Wars – Chewbacca
Marvel
3
Lumberjanes Volume 3
Boom!
4
Batman – The Dark Knight Returns
DC
5
Batman – Harley and Ivy
DC
6
Sunstone Volume 4
Image
7
New Suicide Squad Volume 2 – Monsters
DC
8
The Fade-Out Volume 3
Image
9
Amazing Spider-Man – Edge of Spider-Verse
Marvel
10
Saga Volume 5
Image

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Dark Knight III - The Master Race # 3The Wicked & The Divine Volume 3

• Outros artigos escritos por

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  • Stephan

    Some-se à falta de interesse de grande parte da nova geração em ler qualquer coisa que vá além de uma página à incompetência dos figurões do mercado quadrinhístico, que viraram as costas aos fãs veteranos e privilegiaram apenas os novos leitores, e o resultado é exatamente esse. Não é surpresa para os que acompanham há anos a Nona Arte que o seu futuro não parece ser dos melhores…

    • Stephan, você tirou as palavras da minha boca.

    • Zé Carlos Belo

      Concordo com vc Stephan.

      sou leitor de HQs desde 1978 e é uma pena ver um universo tão rico decaindo desse jeito.

      Veja as vendas e perceba como as mesmas são motivadas exclusivamente pelo hype dos cinemas… star wars, deadpool, etc…

      • Stephan

        Infelizmente, na cabeça dos atuais dirigentes da Marvel e da DC, quadrinho bom é aquele que é exibido nas telas de cinema…
        Houve um tempo em que isso era secundário, e a prioridade era vender quadrinhos; ainda que determinados títulos e/ou personagens não virassem filmes ou bonecos, eles só eram colocados de molho quando não mais atraíam o público leitor, e não porque não emplacaram em algum projeto hollywoodiano.
        Tal inversão de objetivos resulta no lamentável estado que vemos hoje!

    • rodrigosantos

      Bingo!

    • Willian Martins

      Eles precisam atrair novos leitores, isso é essencial em qualquer mercado. Uma marca que envelhece junto com seus leitores é um sinal claro de que não vai bem.

      • Stephan

        Tanto a Marvel quanto a DC passaram décadas sem precisarem deturpar radicalmente seus personagens com o intuito de atrair novos leitores.Quando comecei a ler gibis, eles eram os mesmos heróis da época de meu pai, e nem por isso os achei chatos.
        Se esta atual estratégia funcionasse, eles não estariam fazendo reboots todos os anos.

        • Willian Martins

          Mas você disse tudo cara. Época. Naquela época era diferente, e infelizmente os leitores de HQs não são confiáveis. É um mercado bem volátil diga-se de passagem.

          • Stephan

            O problema está no ritmo dessa volatilidade. Como querem que os leitores sejam fiéis se a cada mês o personagem sofre mudanças radicais(geralmente pra piores)? Não é apagando-se por completo o passado que irão conseguir isso.

          • Willian Martins

            Concordo totalmente com você. Imagino que por se tratar de histórias que não contemplam inicio-meio-fim e juntando a troca de retoristas incansavelmente, esses acabam sempre querendo extrapolar nos desfechos, talvez tentando deixar sua marca na hq.

          • Stephan

            O que, no final das contas, termina em uma bagunça só! Daqui a pouco vão querer implantar silicone no Homem- Aranha…

    • Felipe Barbosa

      Acho rídicula essa necessidade de reboot atrás de reboot pra atrair novos leitores. Iniciar novos arcos, relançar séries clássicas em forma de encadernados já aumenta sim o interesse dos leitores. Mas naquelas, muita gente hoje quer ler histórias curtas, n tem interesse de buscar conhecer as histórias antigas, já que os filmes vão entregar tudo “mastigado”

  • Renato Nascimento

    Afora a falta de interesse das gerações recentes e a má gestão, havemos que considerar outras questões, sendo a meu ver a principal delas a sedimentação da crença e defesa do Comunismo, preocupação excessiva com cor de pele e opção sexual de personagens e outras idiossincrasias que nada agregam.

    • Alexsandro Alves

      com certeza o que agrega é o seu comentário fascistóide e direitopata: vergonha alheia. fora ditadura, fora militarismo, fora imposição de crenças monoteístas!

      • Diego Correia

        O cara está correto, independente se ele é de direita ou não, a criatividade de um roteirista, desenhista, não deveria ser condicionado a cotas, quantos negros, gays e etc… ele vai ter que colocar na revista por causa de pressão de grupos sociais. Voto em partidos de esquerda a tempos, mas está visível que tornar um produto(revistas em quadrinhos são produtos) em um panfleto ideologico não faz bem a propria industria, os artistas podem criar todo tipo de personagem novo com cor e orientação sexual do modo que quiserem, entretanto está visível pela artificialidade e forçação de barra das histórias, que os caras não estão criando um produto pra ser rentável, uma história pra ser agradável a quem lê, estão simplesmente forçando barra, colocando o ativismo a frente da diversão de quem paga/pagaria por aquele entretenimento, o resultado disso veio mais cedo do que eu esperava, queda nas vendas, reboots de 6 em 6 meses, o filme lá das Caça Fantasmas um fracasso de bilheteria.

      • Renato Nascimento

        O que agrega, é o meu dinheiro e de outros leitores, que sustentam o mercado.
        Sacou?

    • rodrigosantos

      Não vejo dessa forma, Renato. Mas acho que usam muitas dessas bandeiras de modo gratuito apenas para tentar alavancar vendas.

      • Renato Nascimento

        Mas essa fórmula não dá certo não Rodrigo.

  • J

    O que me faz não querer ler HQs americanas de super heróis são esses reboots. Ficam sempre reciclando os mesmo personagens. Assim eu não consigo me apegar a eles! São dezenas de variações de um mesmo personagem, dezenas de roteiristas, isso faz eles perderem a personalidade, o carisma.

    • Stephan

      Reboots = falta de criatividade = queda de vendas a longo prazo.
      Queda de vendas a longo prazo = reuniões urgentes da equipe criativa/editorial = reboots!

  • Stephan

    Sim, o nosso mercado vai muito bem: a maioria são republicações a preços “módicos” e, quando não o são, encalham depois de certo tempo nas poucas bancas que ainda vendem gibis, graças principalmente à “qualidade” das histórias. Existem exceções, como a recente publicação do encadernado de “Promethea”, mas são em número insuficiente para aquecer o decadente cenário quadrinhístico.

  • Eu não tenho mais por hábito ler Marvel/ DC desde 2008. Do ano passado pra cá q voltei a comprar alguma coisa de supers, mas só especiais, e na maioria, materiais republicados! E mesmo na época que lia, só comprava especiais ou minis! Image tem muito material bom (Dark Horse também), superior a Marvel ou DC, pena q venda tão pouco lá fora em relação às duas maiores e q não publique praticamente nada no Brasil; quanta falta de interesse!

    • Stephan

      De fato, a Dark Horse tem material bom, e, ao que tudo indica, a Image amadureceu um pouco, lançando alguns títulos interessantes. Ainda assim, o mercado já foi melhor…

  • Diego Correia

    Os valores de antigamente não se aplicam a hoje, hoje os valores são no minimo confusos, hoje um grupo social apoia funkeiros e sua musicas cheia de putaria, e incentivos ao assédio sexual, mas… quando uma revista em quadrinho coloca um personagem em uma situação mais sensual, esse mesmo grupo que apoia a putaria dos funkeiros, só falta matar alguém por causa da hq. Os argumentos são que os funkeiros representam uma classe social renegada da sociedade, já no caso das hqs estão objetificando a mulher, existem valores conflitantes na sociedade. Muitas pessoas hoje acreditam que se vc não faz nenhum mal a terceiros seu comportamento é 100% aceitável, quando na verdade existe uma diferença entre crime, este sim o conceito de não ferir, matar ou roubar nada de terceiros ta ok, agora comportamento social é outra coisa, isso é o que a sociedade entende como correto independente de se vc faz mal a terceiros ou não.