Mino resgata clássicos dos quadrinhos em edição exclusiva do Brasil

Por Sidney Gusman
Data: 28 junho, 2017

Morcegos-Cérebro de Vênus e Outras HistóriasEm julho, chegará às livrarias, pela Mino, Morcegos-Cérebro de Vênus e Outras Histórias (formato 18,5 x 28 cm, 208 páginas em preto e branco, capa dura, R$ 79,90), uma coletânea com HQs clássicas de ficção científica produzidas nos Estados Unidos entre 1939 e 1954, no período conhecido como Era de Ouro dos quadrinhos.

As 31 aventuras do volume são assinadas por nomes como Jack Kirby, Alex Toth, Steve Ditko, Joe Kubert, Wally Wood, Joe Shuster e outros – ao todo, são 23 autores. E elas contam histórias de amor entre cientistas e máquinas, de confrontos entre alienígenas e desbravadores espaciais e de batalhas entre formigas gigantes do Asteroide X e terráqueos de um futuro distante. O título da obra foi retirado de uma HQ de Basil Wolverton.

Este material é anterior ao surgimento do famigerado Comics Code Authority (para saber mais dele, ouça o episódio A Censura nos Quadrinhos, do podcast Confins do Universo), que foi criado pelas editoras em 1954, para regulamentar o conteúdo das HQs em meio à paranoia moralista e anticomunista dominante nos Estados Unidos pós-Segunda Guerra Mundial. O código só chegou ao fim em 2011.

Agora, se você acompanha publicações norte-americanas dessa fase e estranhou não conhecer o título da obra, a explicação é digna de nota: este álbum só existe no Brasil. O mix foi elaborado pelos editores Carlos Junqueira e Lauro Larsen. E eles não se limitaram apenas a selecionar o material, que estava todo em domínio público, em sites de quadrinhos escaneados.

“Encontrei republicações estrangeiras recentes que pareciam ter sido escaneadas e impressas. Então, baixei os arquivos e comecei a restaurar essas revistas; e posso dizer que ficaram com a arte até melhor do que em suas edições originais”, conta Carlos Junqueira, que é colecionador e fascinado pela Era de Ouro, e praticamente vetorizou as páginas novamente.

E Lauro Larsen complementa: “É um material que representa o ápice desse período, quando imaginação e experimentação eram as regras do jogo. É importante para todo leitor ou profissional da área conhecer essas obras, que ajudaram a moldar o quadrinho moderno”.

Em depoimento ao Universo HQ, Larsen revelou que ele e Junqueira leram mais de duas mil páginas para chegar às escolhidas. “A seleção foi baseada em critérios variáveis: em alguns momentos, pela arte; em outros, pelo enredo. Mas sempre pensando na representatividade dessas aventuras para a evolução das histórias em quadrinhos”, disse.

O passo seguinte foi procurar a Mino, que deu todo o suporte na parte de tradução (feita pelo quadrinhista Diego Gerclach) e adaptação do texto, enquanto Thiago Ferreira cuidou do letreiramento e de uma rigorosa adaptação tipográfica de títulos, para tudo ficar similar às obras originais.

A introdução de Morcegos-Cérebro de Vênus e Outras Histórias é assinada por Ciro I. Marcondes, do site Raio Laser, que ressalta a chance que o álbum oferece de “viajar pela fantasia da época e compreender o que fazia esses homens vislumbrarem o futuro dessa forma”.

Restauração de Morcegos-Cérebro de Vênus e Outras Histórias

Restauração de Morcegos-Cérebro de Vênus e Outras Histórias

Restauração de Morcegos-Cérebro de Vênus e Outras Histórias

Restauração de Morcegos-Cérebro de Vênus e Outras Histórias

• Outros artigos escritos por

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  • Muito bom isso, hein? Espero que a qualidade esteja boa. Tem muita coisa que não está em domínio público de editora GRANDE que parece scan pirata da internet saindo hoje em dia. Ex: Aquele álbum do Bolland da Editora Nemo, Clássicos da Vampirella da Mytho$…

    Isso me lembrou do material da EC Comics. Queria muito que saísse no Brasil. Tenho aqueles pergaminhos da Editora Record de 20 anos atrás. Esse material da EC está em domínio público, também?

    • Pedro Bouça

      Esse não está. A editora nunca faliu ou deixou de renovar copyright…

      (Quando a DC comprou a EC, a família Gaines conservou os direitos do material não-Mad).

      • Sim, exceto Moon Girl e algumas coisas ficaram em PD.

        • Pedro Bouça

          E nem assim o pessoal quer publicar. ;-)

    • Marquito Maia

      Parece que o pessoal do Pipoca & Nanquim pretende publicar o material da EC Comics por aqui.
      Torço muito para que isso se concretize.

      • Alessandro Souza

        Sério isso?

        • Kevin Melo Accioly

          Se for para ser com a colorização porca da Dark Horse/Fantagraphics melhor nem trazer, nem parece gibi dos anos 50!

          • Pedro Bouça

            Os da Fanta são em P&B.

          • Kevin Melo Accioly

            O EC Artists Library, que são os temáticos de autor, é em P&B.
            Os encadernados de cada revista é recolorido mesmo, na coleção EC Archives.

          • Pedro Bouça

            Sim, quais deles são publicados pela Fanta?

    • Alessandro Souza

      É o meu sonho. Sou fã da EC Comics. Mas parece que ninguém se interessa por esse material. Quando a Record publicou lá no início dos anos 90, fez com uma qualidade editorial pavorosa.

  • 🔝
    Um dos ensinamentos primordiais para leitores é “Não julgue um livro pela capa” mas nesse caso já to julgando, e julgo que com certeza deve ser um puta material bom esse aí

  • Em Portugal, a editora A Filactera também tem publicado parte desse material e também HQs sci-fi.

  • Luiz Eduardo Fontoura Teixeira

    Boa notícia! Lembro das edições TPB da Creepy e outras, que iam contra a corrente conservadora macartista da época. Aqui a EBAL e a RGE adotaram por”macaquice” o selinho…

    • Donmai Kurosawa

      Não me lembro da EBAL usando o selo. O acordo foi feito entre a Rio Gráfica, a Abril e a O Cruzeiro, que eram as maiores editoras da época, e não foi por pura macaquice, era para matar as revistas de terror das editoras menores e sufocar seus artistas “rebeldes”. O Aizen era tão desligado das outras editoras que a EBAL nem sequer era filiada ao IVC, como as outras. Perguntado por que disso, Aizen disse que “a China (na época) não pertence à ONU e não deixa de ser um dos maiores países do mundo”.

  • Alessandro Souza

    Parece material muito bom. Será que tem alguma coisa da EC?

  • Samuka

    Gostei mais em preto e branco!

  • Stephan

    Nota DEZ pela iniciativa! Está na lista dos itens obrigatórios de sobrevivência pós-Século XX…

  • Dimas Mützenberg

    Muito bom o resultado dessa “remasterização”.

  • Henrique Brum

    muito bom, estou sempre lendo material em dominio publico na internet, principalmente do Ditko, legal ver esse material traduzido…mas achei uma pena ser em PB…

  • Ricardo

    Sensacional a iniciativa, mas… PRETO E BRANCO? Curto demais, tenho vários álbuns em PB, mas não achei coerente com a proposta da obra. As cores berrantes da época eram (e ainda são) um grande atrativo, basta ver a comparação da ilustração do mosquito gigante ali… mas enfim, parabéns pelo trabalho de pesquisa, resgate, restauração! São iniciativas assim que mantêm viva a chama das HQs.

  • Kevin Melo Accioly

    Porque não restaurar as cores também?

    • Elesandro Aparecido Pimenta Mo

      Me fiz a mesma pergunta.

    • Mais um custo.

      • Bruno Leite

        Colorir é muito mais fácil de fazer do que recuperar os contornos pretos

        • Sim, mas dos custos de impressão, fora que aqui, existe ainda a ideia que o terror é em P&B, as da La Selva e outras dos anos 50 e 60, publicaram em P&B por causa dos custos de impressão, mesmo a EBAL demorou pra emplacar com coloridos, depois vieram as da Warren, que eram em P&b por causa do formato magazine, assim, os brasileiros também publicaram em P&B, a Spektro começou publicando material da Gold Key, depois passou pra algumas coisas da Era de Ouro que a Apla tinha guardado (a mesma que vendia pra La Selva e as outras) e logo depois pras nacionais, é bem verdade que a colorização é última parte do processo de produção de uma HQ.

  • Heberton Arduini

    Noooooooossa

  • 0-Drix

    Me lembrou a Opera Trágica, digo Graphica (depois Kalaco) com suas publicações em preto-e-branco de material original em cores.

  • Rodrigo Scama

    É impressão minha ou em “Os sem olhos” há um erro de português? “prever o que aguardo pelo homem” não me parece correto.

  • Henrique Brum

    ajuste automatico do photoshop – http://i.imgur.com/I7kqJvn.jpg

  • Saber q as histórias eram originalmente em P&B é uma coisa, mas saber q eram coloridas e vão ser republicadas em P&B dá uma sensação de frustração. Só q se em P&B já é esse preço, imagine se fosse à cores…

    • Não estou aqui pra defender, mas editora pequena tem tiragem menor, aí o preço aumenta, tiveram custos de tradução, tratamento, impressão logística, etc… originalmente é P&B, a grande maioria das HQs é feita em P&B, as cores são o último processo, geralmente nem o desenhista colori, como o John Byrne, que é daltônico, lá nos Estados Unidos tem várias coleções em P&B (Artist’s Edition da IDW, Essentials da Marvel, Showcase da DC), geralmente, valoriza a arte, lá o custo é menor, já que as editoras tem menos gastos, possui gráfica, entre outras coisas.

      • Pedro Bouça

        Praticamente nenhum desenhista dos EUA colore as próprias histórias. Mais grave, na era de ouro as cores eram feitas por coloristas não profissionais, que literalmente botavam qualquer porcaria. Não há motivo para lamentar a perda dessas cores!

  • Bruno Leite

    Restaurar as cores é moleza, o trabalho mesmo é conseguir as linhas pretas que o cara fez

    Imagino que não daria muito trabalho fazer as cores, mas o custo da impressão com certeza subiria muito

    O preço vai ser 80 reais mesmo sendo P e B

    Colorido seria quanto? 120?

  • Vinicius Paqui de Aguiar

    A arte em P&B ficou muito bonita, entretanto, pegar um material que originalmente é colorido e transformar em P&B é um tanto frustrante. Como alguns disseram, era característica da época todas aquelas cores berrantes. Particularmente, preferia pagar um pouco mais caro e ter a cores, como é o original.

  • Marcelo Naranjo

    Parabéns ao Carlos e ao Lauro. Palmas.

  • Nilson Falcão

    Bom, pela matéria não há despesas de direitos autorais, então por que não investiram na colorização (até para justificar as 80 pratas…)

  • Daniel Argento

    Parece que a arte ficou muito boa, e tenho que dizer que gostei de que tenha vindo em preto e branco. Esse é um acabamento artístico que tem seus fãs. A cor tem que ser um elemento que agrega, na minha opinião, e tem muita recolorização que desvia o foco da história e empobrece a carga narrativa. Entendo quem gosta de arte em cores, mas achar que uma HQ é ruim porque não é colorizada é similar a achar que um filme sem CGI ou 3D é necessariamente de pior: questão de gosto… Vamos esperar o material…

  • Beto Magnun

    HEHE Se tivesse colorido o preço iria subir um bocado e aí estariam dizendo “Aí tá muito caro. Aí vou esperar promoção da promoção. Aí não dá pra pagar tudo isso falta de consideração.”.