Morgan Lost é mais um título da Bonelli que a Editora 85 traz para o Brasil

Por Samir Naliato
Data: 18 novembro, 2019

Após publicar Dampyr, Mister No Especial e Diabolik, a Editora 85 anunciou seu próximo lançamento. A exemplo dos dois primeiros títulos mencionados, trata-se de um personagem da editora italiana Sergio Bonelli Editore.

Morgan Lost será uma edição no formato 16 x 21 cm e 196 páginas, com uma história completa reunindo os dois primeiros números da série original, lançada em 2017. Além do preto e branco, a publicação tem o acréscimo da cor vermelha como artifício narrativo, uma vez que o personagem é daltônico e vê a realidade em tons de vermelho e cinza.

Como tem sido prática da editora, o projeto será viabilizado via campanha de financiamento coletivo no Catarse a partir do dia 6 de janeiro de 2020.

Morgan é um caçador de assassinos em série que vive em Nova Heliópolis, uma Nova York distópica dos anos 1950, com dirigíveis no céu e uma arquitetura que lembra o Egito Antigo. O autor Claudio Chiaverroti, que além de sua famosa série Brendon, assinou mais de 50 edições de Dylan Dog, é o responsável pelos roteiros, com arte de Fabrizio De Tommaso.

Morgan era dono de um velho cinema que exibia filmes de terror B, e a única violência que ele conhecia era a dos filmes que projetava. Uma noite ruim mudou a sua vida, destruindo-a. O renascimento foi lento e doloroso, repleto de sofrimento, e Morgan volta à vida como um caçador de assassinos em série.

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A história e personagens

Em Nova Heliópolis, os assassinos seriais são considerados superstars. Vivem na sombra do mal e nos holofotes do sucesso. O mais alto órgão do poder da cidade é o Templo da Burocracia, governado pelo Diretor Geral, um gigante de quase dois metros que é o homem mais poderoso da cidade. Ele sofre de uma patologia que o torna vulnerável a qualquer tipo de micróbio, e que o obriga a viver confinado cem metros abaixo do solo, em um apartamento estéril, repleto de obras de arte tão loucas e assustadoras quanto ele.

Pandora Stillman é a maior criminologista de Nova Heliópolis e professora de Morgan Lost no curso para caçadores de assassinos em série. Uma mulher encantadora e brilhante, que deteve alguns dos piores assassinos da metrópole. Fitz é o dono do velho cinema que já pertenceu a Morgan e tem a habilidade de encontrar filmes raros a pedido do herói. Regina Dolarhyde é a chefe de polícia de Nova Heliópolis. Em cada assassino em série, ela revê o seu ex-marido. Igraine, Jack e Eva são os amigos de Morgan que se encontram para beber no Hopper’s Bar.

Nova Heliópolis é uma cidade cruel, dominada pela burocracia opressiva e imersa em uma atmosfera de nevasca sem fim. Morgan mora no topo de um arranha-céu, em um loft construído em um grande relógio que não funciona mais. Ele observa a cidade, o céu vermelho e a neve através da grande janela do relógio. Em Nova Heliópolis há gárgulas com cabeças de chacal ou crocodilos, e no lugar da Estátua da Liberdade está o deus Hórus, com a cabeça de um falcão, segurando o sinal de Ankh e inclinando-se para o céu.

Na cidade, a burocracia tomou o poder. Muitas pessoas trabalham dezesseis horas por dia em grandes escritórios, criando documentos dos quais nem sabem o significado. A burocracia vê com maus olhos os relacionamentos e amizades entre colegas, pois as pessoas solitárias têm mais desejos e gastam mais, movimentando a economia da cidade. Em um mundo permeado de loucura e solidão, é muito fácil enlouquecer e até matar. Assim os seriais killers se tornam verdadeiras estrelas de rock em um boletim dedicado a eles que se tornou a transmissão mais seguida de Nova Heliópolis.

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  • RPL

    E o mercado se abrindo e dando um tapa na cara na Marvel/DC.

    Não era de menos, eles querem infantilizar suas hqs enquanto Bonelli e outros comem pelos cantos.

    • Natanael Floripes

      Dá uma olhada no Catarse e vê quantas pessoas costumam apoiar esses projetos…. Mister No Especial 4, por exemplo, que foi um “sucesso”, com quase o triplo da meta, foi apoiado por exatamente 147 pessoas.

      Infelizmente, nada que permita dizer que o mercado está se abrindo.

      Coisas novas estão sendo lançadas, sim, graças a Deus, mas com tiragens baixíssimas.

      • Pedro Bouça

        É tendência mundial – e não apenas nos quadrinhos. Leia sobre “A Cauda Longa”.

  • Raphael

    Eles não estão voltando a linha editorial para esse público não. A única coisa que tem é que a DC lançou ano passado um selo para lançamento de hqs infantis e infato-juvenis com autores que são consolidados nessa área lá nos EUA. Mas a linha principal segue a mesma.

  • Marcello Santo Nicola

    O trabalho da Editora 85 é ótimo, vou apoiar assim que abrir o financiamento

  • Pedro Bouça

    O trabalho da Marvel e DC não ficou infantilizado, muito pelo contrário. Ele é cada vez mais voltado para o nicho de leitores que lê supers desde sempre, que está é ficando muito velho, isso sim!

    Como os leitores já são todos velhos caquéticos (eu incluso), é claro que eles acham que o material foi infantilizado. Na verdade, eles é que estão velhos demais para o ler!

    Já os velhos que, como eu, prefeririam ler o material de supers como era no meu tempo, mais divertido e, sim, juvenil, se decepcionam porque Marvel e DC quase não faz mais quadrinhos assim.

    Por isso não têm leitores…