Morreu Al Williamson, um dos grandes mestres dos quadrinhos

Por Sérgio Codespoti
Data: 15 junho, 2010

Al Williamson

Al Williamson faleceu em 12 de junho, aos 79 anos. O artista era um dos grandes mestres dos quadrinhos, com um traço muito elegante e uma carreira de mais de 50 anos, que inclui passagens por Flash Gordon, Agente Secreto X-9, Demolidor e Star Wars. Williams sofria há anos da doença de Alzheimer.

A notícia da morte de Williamson surgiu inicialmente no Twitter, divulgada por Dan Panosian.

Williamson nasceu em 1931, em Nova York, nos Estados Unidos. Dois anos depois,
sua família mudou-se para Bogotá, na Colômbia, país de seu pai. O autor
viveu os
primeiros dez anos na Colômbia, antes de retornar aos Estados Unidos.

Al Williamson

Em 1941, sua mãe o levou para visitar uma feira de ciências e Williamson viu
pela primeira vez o seriado de cinema Flash Gordon Conquista o Universo
(Flash Gordon Conquers the Universe), com Buster Crabbe no papel
do herói. Flash Gordon influenciou bastante a direção de sua carreira.

Nesta época, seu contato com quadrinhos incluía a revista mexicana Paquin, que publicava uma mistura de tiras estadunidenses, mexicanas e argentinas.

Em 1943, Williamson voltou para os Estados Unidos com sua mãe, morando inicialmente em São Francisco, antes de retornar para Nova York.

Em Nova York, Williamson estudou com Burne Hogarth (um dos mais famosos desenhistas de Tarzan), na Cartoonists and Illustrators School, que mais tarde mudaria seu nome para School of Visual Arts.

Foi nessa escola de prestígio que ele conheceu Wally Wood e Roy Krenkel.
Krenkel foi uma boa influência para Williamson e lhe abriu os horizontes,
apresentando a ele o trabalho de artistas como Alex Raymond (que ele encontraria
pessoalmente aos 18 anos), Hal Foster, J.C. Coll, Franklin Booth, Joseph Franke,
Dan Smith, Norman Lindsay, Fortunino Matania, Herbert Morton Stoops e Frank
Hoban.

Arte de Al Williamson

Sua carreira profissional como desenhista de HQs e ilustrador começou em 1948, no final da chamada Era de Ouro, quando as tiras de jornais vagarosamente começaram seu declínio em relação às revistas de quadrinhos. Seus primeiros trabalhos incluem The Ugliest Horse in the World, publicada numa edição da Famous Funnies; uma história de escoteiros em New Heroic Comics #51; e The Last Three Dimes, com arte-final de Frank Frazetta, em Wonder Comics #20.

Nos seus primeiros passos, ele visitou com frequência a editora Fiction
House
, encontrando artistas como George Evans, Bob Lubbers, John
Celardo e Mort Meskin.

Seu trabalho com Tarzan, a convite de Hogarth, veio depois dessas
primeiras publicações. Williamson explicou, anos mais tarde, que tinha dificuldade
em compreender que Hogarth queria que ele imitasse seu estilo. Em função disso,
recomendou a Hogarth o artista John Celardo, que ilustrava Ka’a’nga
(um similar de Tarzan), para a editora Fiction House. Celardo
desenhou as páginas dominicais de Tarzan durante anos.

Nessa época, ele já fazia uma parceria com Frank Frazetta,
que arte-finalizava seus desenhos, e com Roy Krenkel, muitas vezes responsável
pelos cenários e fundos.

Em 1952, depois de passar por várias editoras, Williamson se estabeleceu
na E.
C. Comics
, com a ajuda dos colegas Wally Wood e Joe Orlando.
Williamson, Frazetta, Krenkel, Angelo Torres, Nick Meglin e George Woodbridge
formavam um grupo de amigos que ficou conhecido como Fleagle Gang
(nome de uma famosa gangue de ladrões de bancos, da década de 1920).

Arte de Al Williamson

Grande parte de seu trabalho na E.C. Comics foi publicada
nos títulos de ficção científica Weird Science, Weird Fantasy e Weird
Science-Fantasy
, desenhando histórias de Al Feldstein, Ray Bradbury e
Harlan Ellison.

Entre 1955 e 1957, período no qual a E.C. Comics estava atrapalhada devido à introdução do Comic Code Authority (e toda a “caça as bruxas” que resultou no fechamento da editora), Williamson também desenhou para a Atlas Comics (hoje Marvel Comics).

Seu trabalho consistia em histórias curtas de faroeste, aventuras na selva
(incluindo Jann of the Jungle) e contos de guerra, em parceria com
Torres, Krenkel, Woodbridge, Gray Morrow e Ralph Mayo.

Nos últimos anos da década de 1950, Williamson desenhou para a Harvey Comics, colaborando com Reed Crandall, Torres e Krenkel.

O que se destaca nesse período, é o seu trabalho inicial como arte-finalista,
passando o nanquim sobre os desenhos de Jack Kirby em Race to the Moon,
Blast-Off
e outras histórias. Além disso, foi Williamson que ajudou Archie
Goodwin a conseguir seu primeiro trabalho como escritor, na Harvey
Comics
.

Arte de Al Williamson

Williamson e Goodwin trabalharam juntos diversas vezes ao longo dos anos, incluindo na famosa tira Agente Secreto X-9, que Williams desenhou para o King Features Syndicate de 1967 a 1980.

No início da década de 1960, John Prentice era o desenhista da tira Nick
Holmes
(Rip Kirby, no original em inglês), criada por Alex Raymond,
e seu assistente era Al McWilliams. Prentice decidiu morar no México, mas
McWilliams não estava interessado na mudança, com isso surgiu uma oportunidade
para Williamson, que falava espanhol e estava com dificuldades de achar trabalho
durante os anos de recessão dos quadrinhos.

Al Williamson aprendeu muito com Prentice sobre a ate da ilustração.

No seu retorno aos Estados Unidos, em 1965, Williamson ajudou a lançar as revistas Eerie, Creepy e Blazing Combat, da Warren Comics.

Além de colaborar como desenhista, Williamson recrutou os colegas da E.C. Comics e Harvey Comics: Frank Frazetta, Angelo Torres, Roy Krenkel, George Evans, Reed Crandall, Gray Morrow e Archie Goodwin.

Arte de Al Williamson

Foi em 1966 que Williamson retornou a uma influência de sua infância: Flash
Gordon. Williamson desenhou a nova revista do herói espacial, publicada pela
Nostalgia Press (licenciado do King Features Syndicate),
e, como consequência de seu trabalho em apenas cinco edições, foi convidado
para ilustrar a série Secret Agent X-9, com enredo de Archie Goodwin.

Seu trabalho em Flash Gordon também lhe rendeu o prêmio de melhor
arte de quadrinhos, da National Cartoonist Society, em 1967.
O prêmio torna-se ainda mais impressionante se o leitor lembrar que Flash
Gordon
é um dos trabalhos imortais de Alex Raymond. O trabalho de Williamson
na série fica bem equilibrado em relação ao de Raymond na comparação.

No final da década de 1960, Williamson estava ajudando artistas iniciantes,
como Berni Wrightson e Mike Kaluta. Ambos se tornaram notáveis ilustradores.

Na década de 1970, além de trabalhar na tira Secret Agent Corrigan (que ilustrou até 1980), Williamson também desenhou para a DC Comics.

Os primeiros artigos sob seu trabalho, Al Williamson: His Works, de
1971, de Jim Vadebonceour; e Al Williamson Collector, de James Van
Hise, foram publicados na década de 1970.

Em 1980, o cineasta George Lucas sugeriu a Archie Goodwin, o antigo parceiro
de Williamson e, na época, editor da Marvel Comics,
que a adaptação para os quadrinhos de O Império Contra-Ataca fosse
desenhada por Williamson. Lucas era fã do trabalho do artista em Flash
Gordon
e nas revistas da E.C. Comics.

A arte foi tão apreciada que Williamson foi escolhido como desenhista das
tiras diárias (substituindo Alfredo Alcala) e dominicais de Star Wars
(escritas por Goodwin), trabalho que executou entre 1981 e 1984.

Arte de Al Williamson

Nas décadas de 1980 e 1990, Williamson se destacou como arte-finalista, particularmente
na revista Daredevil, dando vida aos desenhos de John Romita Jr.,
que estava numa fase excepcional e iniciando um novo estilo para sua arte.
Ele também finalizou a arte de Gene Colan, John Buscema, Rick Leonardi
(na série Spider-Man 2099), Pat Oliffe, Mike Mignola e Lee Weeks.

Nesse período, Williamson ilustrou a adaptação para os quadrinhos dos
filmes Flash Gordon, Blade Runner, O Returno de Jedi;
além de algumas histórias da Epic Illustrated, e até uma história
curta em Superman #400.

Williamson ganhou nove prêmios como melhor arte-finalista de quadrinhos entre 1988 e 1997, incluindo dois Eisner Awards.

Na década de 1990, Williamson voltou a desenhar Flash Gordon, numa minissérie
de duas partes escrita por Mark Schultz; e nas tiras dominicais, ajudando
o desenhista Jim Keefe.

Em 2000, Al Williamson ganhou merecidamente o prestigioso Prêmio
Eisner Hall da Fama
.

Dentre os artistas modernos influenciados por sua arte estão: Jim Keefe,
Dan Parsons, Tom Yeates, Mark Schultz, Frank Cho, Steve Epting, Tony Harris,
Paul Renaud e Dave Gibbons.

Williamson era casado com Cori, há 32 anos, com quem teve dois filhos: Valerie
e Victor.

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