Morreu Eugênio Colonnese, mestre dos quadrinhos brasileiros

Por Marcus Ramone
Data: 11 agosto, 2008

Arte de Eugênio ColonneseEugênio
Colonnese, quadrinhista italiano radicado há mais de quatro décadas no
Brasil, faleceu na madrugada do último dia 8 de agosto, em decorrência
de falência múltipla de órgãos. Fumante inveterado, o autor havia sido
hospitalizado há dois meses, vítima de um AVC – Acidente Vascular Cerebral.

Reconhecido como um dos grandes mestres dos quadrinhos nacionais, o nome
de Colonnese é importante não apenas como influenciador e formador de
vários outros destaques da nona arte no Brasil, mas também por sua fundamental
participação no desenvolvimento e consolidação de um gênero que durante
muito tempo foi considerado o de maior expressão e popularidade das HQs
brasileiras: o terror.

Foi na Argentina, em 1949, que ele estreou nos quadrinhos. Depois de alguns
anos trabalhando em revistas de sucesso naquele país, se estabeleceu no
Brasil em 1964 e, passados três anos, criou o estúdio D-Arte, em
parceria com o argentino Rodolfo Zalla. Juntos, produziram diversas HQs
para as muitas editoras que existiam no mercado, entre elas a histórica
Ebal.

Arte de Eugênio Colonnese
Em 1967, criou Mirza,
a Mulher-Vampiro
, e o Morto
do Pântano
, ambos personagens ícones dos tempos áureos dos quadrinhos
de terror no Brasil
. Sobre eles paira a polêmica a respeito das semelhanças
visual e conceitual com Vampirella e o Monstro do Pântano, respectivamente
criados para as editoras norte-americanas Warren e DC Comics.
Em favor de Colonnese, entretanto, pesa o fato de que suas criações antecederam
as outras em alguns anos.

Nos anos 1970, sua carreira se diversificou e ele iniciou uma série de
trabalhos para a Editora Ática, ilustrando livros escolares e desenhando
quadrinhos didáticos. Em 1979, assumiu a direção artística de uma divisão
da empresa, de onde saiu no final da década de 1990.

Arte de Eugênio Colonnese
Durante esse tempo, continuou criando HQs para a D-Arte (já uma
editora), nas revistas Calafrio, Mestre do Terror, Beto
Carrero
e outras, além de desenhar as agora clássicas histórias em
quadrinhos institucionais do Instituto Universal Brasileiro, nos
anos 1980.

Exímio artista, dono de um traço detalhista que primava pela perfeição
anatômica – com habilidade ímpar para desenhar belas mulheres -, Colonnese
também escreveu os roteiros de quase todas as HQs que ilustrou, fossem
histórias de horror, faroeste ou mesmo de super-heróis, estilo de aventura
para a qual criou, entre outros, os personagens Mylar, Escorpião e X-Man
(nenhuma referência ao nome que a Marvel começou a usar muito tempo
depois).

Arte de Eugênio Colonnese
Ao contrário da imensa maioria dos artistas clássicos, ele continuava
na ativa com produções esporádicas. Ainda nesta década, escreveu e desenhou
obras teóricas como o Curso
Completo de Desenho
(Editora Escala) e a A
Arte Exuberante de Desenhar Mulheres
(Opera Graphica);
lançou álbuns especiais, destacando-se War
– Histórias de Guerra
(Opera Graphica), com roteiro de
Gian Danton; criou novos personagens, como Lady Shadow; ilustrou duas
aventuras de Mister No para a editora italiana Sergio Bonelli Editore;
realizou exposições de seus trabalhos e ministrava aulas na Escola
Studio de Artes
, em Santo André/SP.

Há poucos meses, Colonnese finalizou a graphic novel A Vida de Chico
Xavier
, sobre o médium e maior expoente da Doutrina Espírita no Brasil
– a HQ será lançada em outubro, por uma editora ainda não revelada. Nesse
período, o artista também produziu duas histórias em quadrinhos com Mirza
e o Morto do Pântano.

Eugênio Colonnese tinha 78 anos. Além dos fãs que conquistou em uma prolífica
e brilhante carreira, estão pesarosos de sua partida os dois netos e as
cinco filhas.

Seu corpo foi sepultado na manhã do último sábado, em Santo André/SP,
cidade onde morava desde que veio para o Brasil.

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