Morreu o roteirista e pesquisador Carlos Patati

Por Sérgio Codespoti
Data: 15 junho, 2018

Morreu hoje, aos 58 anos de idade, o roteirista e pesquisador de quadrinhos Carlos Eugênio Baptista, mais conhecido como Carlos Patati. Ele vinha lutando há tempos com problemas de saúde e foi vítima de um infarto.

Patati nasceu no Rio de Janeiro, em 1960. Sua carreira nas HQs começou em 1979, quando escreveu roteiros para as revistas Spektro, Pesadelo e Sobrenatural, da Editora Vecchi.

Formado em Comunicação Social com especialização em Cinema, escreveu e dirigiu vídeos institucionais e de treinamento e escreveu programas de Televisão para a TVE e a TV Manchete. E foi professor da Universidade Estadual de Santa Cruz, na Bahia, mas se aposentou precocemente por motivos de saúde.

Ele também colaborou no roteiro do programa Ao Pé da Letra, exibido pelos canais VindeRecord e foi diretor de diálogos em duas coproduções estrangeiras de longa-metragem, O 5º Macaco e Lambada, the Movie!

Na década de 1980, colaborou com a revista Porrada! Especial, da editora paulista Vidente, na qual criou, junto com o desenhista Allan Alex (Alan Alex Machado Alves), o personagem taxista Nonô Jacaré.

Nonô Jacaré também apareceu em várias revistas, como Brasilian Heavy Metal, e na Coleção Assombração. Suas aventuras foram compiladas numa edição especial
pela Editora Tipológica, do Rio de Janeiro.

Em 1984 e 1985, Patati recebeu prêmios por seus roteiros de curta-metragens nos festivais de Gramado, Salvador e no Riocine.

Carlos Patati

Nos quadrinhos, Patati também teve trabalhos publicados nas revistas Metal Pesado e Nervos de Aço. Colaborou com a Eura Editoriale, da Itália, e a Editorial Columba, da Argentina

Com Allan Alex produziu O Segredo da Jurema, para a Editora Marques Saraiva, do Rio de Janeiro; e Sangue Bom, para a Opera Graphica, que, além da arte de Alex, contou com a participação de Solano Lopez.

Ele adaptou para os quadrinhos o romance A luneta mágica, de Joaquim Manuel de Macedo, desenhado por Márcio de Castro e publicado pela Panda Books.

Patati foi curador das Bienais de Quadrinhos do Rio de Janeiro e consultor do FIQ – Festival Internacional de Quadrinhos de Belo Horizonte, e da Comicon carioca, dentre outros eventos menores.

Com Flávio Braga, escreveu o Almanaque dos quadrinhos – 100 anos de uma mídia popular, publicado pela Ediouro em 2009, que ganhou o prêmio de melhor livro de não-ficção para jovens da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil.

Ainda colaborou no livro 1001 Comics you must read before you die, organizado por Paul Gravett. Patati é o autor do romance de ficção-científica A sorte dos girinos (Editora Quartet, 1999).

Seu último trabalho de quadrinhos é Couro de Gato, publicado pela editora Veneta, em 2017. Uma história do surgimento do samba, em formato de HQ, com arte de João Sanchez.

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  • Marquito Maia

    Mais uma perda lastimável no mundo dos quadrinhos brazuca…
    Descanse em paz!

  • Stephan

    Triste notícia. Seus roteiros para as histórias de Terror da Vecchi eram inesquecíveis, tinham aquele gostinho tipicamente brasileiro que tanto sucesso fizeram na época e que foram uma marca registrada dessa editora.

    • Carlos Arafatt

      COMO diria PATATI…EPARREI EVOÉ EXCELSIOR….KIMOTA FARRWELL CARLOS PATATI

  • Heitor Pitombo

    Maravilhoso resumo da carreira do meu querido amigo, Codespoti. Valeu muito!

    • codespoti

      Infelizmente, são poucas as fontes de informações biográficas de atores brasileiros em quadrinhos. É sempre bem difícil de fazer.

  • Uma triste perda! Aprendi bastante com o Almanaque dos Quadrinhos! Força para os familiares e luz para a trajetória de Patati!