Morreu Ted Benoît, desenhista do estilo linha clara

Por Sérgio Codespoti
Data: 30 setembro, 2016

Ted BenoîtO desenhista francês Ted Benoît, pseudônimo de Thierry Benoît, faleceu hoje, dia 30 de setembro, aos 69 anos, segundo um comunicado da editora Dargaud. Ele pode ser descrito como um artista discreto, mas essencial para os quadrinhos.

Nascido em Niort, na França, no dia 25 de julho de 1947, Benoît iniciou sua carreira na década de 1970 e se tornou um dos grandes nomes do estilo linha clara.

Grande fã do cinema noir estadunidense, cursou o Institut des Hautes Études Cinématographiques e tornou-se um “rato” de cinemateca assistindo todos os filmes das décadas de 1940 e 1950 que conseguiu encontrar.

Em 1971, foi assistente de direção em produtoras de TV. Seus primeiros trabalhos foram publicados na revista Actuel. Depois de colaborar alguns anos com publicações alternativas e independentes, como Géranomymo, em 1975, Benoît passou a colaborar com a revista L’Écho des Savanes, de Nikita Mandryka.

Esse período de sua carreira culminou com a HQ Hospital (Hôpital), que ganhou o prêmio de roteiro do Festival Internacional de Quadrinhos de Angoulême, em 1979.

Seu traço mudou radicalmente após a descoberta do trabalho de Joost Swarte – outro grande nome da linha clara –, em particular no álbum Art Moderne.

As páginas de Bingo Bongo, publicadas na Métal Hurlant (a revista francesa que deu origem à Heavy Metal) já são fortemente influenciadas por Swarte e pela linha clara.

Em 1980, publicou o álbum Vers la ligne claire, um volume manifesto com suas histórias curtas, já ilustradas nesse estilo, que haviam sido lançadas previamente na Métal Hurlant e no jornal Libération.

Seu personagem mais emblemático, Ray Banana, surgiu formalmente em 1980, embora uma versão mais crua do herói já existisse em HQs anteriores. O artista se apropriou da estética de Hergé, mesclou o estilo de desenho com sua paixão pelo cinema noir e criou diversas HQs nostálgicas, ao mesmo tempo em que executava um trabalho de distanciamento da influência original. Benoît se tornou, ao lado de Swarte, Floc’h e Yves Chaland, dentre outros, um importante expoente do renascimento da linha clara.

Ao contrário de Hergé e outros seguidores desse estilo, as história as de Benoît são sombrias, soturnas e surrealistas.

Com seu visual inspirado em Clark Gable, Ray Banana desponta nas páginas da revista À Suivre, em histórias posteriormente transformada em álbuns como Berceuse Électrique (de 1982), e Cité Lumière (de 1986), cujas cores foram realizadas pela equipe do Estúdio Hergé.

Em seguida, o artista abandonou o desenho e escreveu o roteiro de L’Homme de nulle, ilustrado por Pierre Nedjar, cuja personagem principal é a empregada de Ray Banana, Thelma Ritter. A história foi publicada na revista à Suivre e posteriormente lançada como um álbum, em 1989.

Quando a editora Dargaud decidiu continuar as aventuras de Blake e Mortimer, do falecido Edgar Pierre Jacobs, dois autores foram chamados: Jean van Hamme, para os roteiros; e Ted Benoît para os desenhos. A parceria rendeu duas HQs: L’Affaire Francis Blake, lançada em 1996; e L’Étrange rendez-vous, de 2001.

O álbum L’Affaire Francis Blake foi vencedor do troféu Alph’Art do público, do Festival de Angoulême, em 1997.

Em 2014, Benoît lançou uma de suas últimas HQs, La Philosophie dans la Piscine, que é o terceiro volume das aventuras de Ray Banana.

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  • marcio monteiro

    Triste a notícia do falecimento do Ted Benoît. A linha clara perde mais um mestre do talento, assim como foi com o Yves Chaland, que tinha um traço mais “pesado”, uma linha mais forte e do qual eu era fã incondicional!