O ótimo Jules Feiffer em dose dupla pela Companhia das Letrinhas

Por Sidney Gusman
Data: 8 julho, 2004

Jules FeifferNo
Brasil, Jules Feiffer
é conhecido por poucos – e felizardos – leitores. Ele é um dos mais talentosos
artistas do traço ainda em atividade no mundo, mas, por aqui, quase sempre
é lembrado por ter sido assistente de Will Eisner. No entanto, seu currículo
é muito mais extenso, e traz obras das mais variadas.

Isso pode ser conferido em duas obras infantis publicadas pela Companhia
das Letrinhas
.

A primeira e mais recente chama-se Na Beira da
E strada
(formato 21,5 X 17,7 cm, 64 páginas em preto-e-branco, R$
22,00), um livro ilustrado no qual o personagem principal, o garoto Richard,
é deixado pelo pai na beira da estrada só porque bagunçava no banco de
trás do carro.

Mas
quando sua família volta para buscá-lo, Richard decide ficar por ali.
Afinal, havia árvores, um riacho e uma lanchonete por perto. Já Enquanto
isso…
(formato 21 x 28 cm, 32 páginas coloridas, R$ 26,00), lançado
em 2000, mas que ganhou segunda impressão este ano, é uma história em
quadrinhos .

Nela, o menino Rui é um fã de histórias em quadrinhos que e detesta ser
interrompido quando está lendo uma. Mas, como sempre acontece na infância,
sua mãe não lhe dá sossego, e quer tudo “pra já”.

Enquanto isso...Cansado,
Rui inventa uma fórmula mágica para livrá-lo dessa mãe apressada. Observando
as HQs, reparou que toda vez que aparecia a expressão “Enquanto isso…”,
as coisas passavam a acontecer num outro lugar, num cenário diferente.
Ele usa o mesmo truque – e funciona! Mas não contava que ia lhe colocar
em sérias encrencas.

Em 2000, Enquanto isso… foi classificado como “Título Altamente
Recomendável” pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil –
FNLIJ
. E a leitura é realmente agradabilíssima. Assim como faz em
Na Beira da Estrada, o versátil Feiffer adequa seu traço para uma
“versão” mais infantil, com resultados fantásticos.

Aos 75 anos, Jules Feiffer tem na sua coleção de prêmios um Oscar
de melhor curta-metragem de animação em 1961 (pela adaptação de Munro)
e um Pulitzer de charge editorial, em 1986. Além disso, em 1995
foi eleito para a American Academy of Arts and Letters.

• Outros artigos escritos por

.

.

.