O outro lado da bola: graphic novel aborda homofobia no futebol

Por Samir Naliato
Data: 19 junho, 2018

A Copa do Mundo da Rússia já começou, e enquanto milhões de brasileiros acompanham as partidas de futebol na televisão ou internet, uma nova graphic novel nacional chega às livrarias usando o esporte bretão como pano de fundo para abordar a homofobia.

O outro lado da bola (formato 16,8 x 23,8 cm, 216 páginas, capa cartonada, R$ 54,90) é um lançamento da editora Record, com roteiros de Alê Braga e Alvaro Campos, com arte de Jean Diaz.

A edição já está à venda na Amazon Brasil com desconto.

Um craque do futebol e ídolo da seleção resolve se declarar homossexual depois do assassinato de um ex-namorado. Esse é o pontapé inicial da história, que mostra uma estrutura entranhada de preconceito e corrupção. Na trama, o protagonista Cris vê sua vida pessoal e sua carreira virarem de ponta cabeça com a reação de colegas, patrocinadores e torcida.

Página após página, a narrativa exibe o universo preconceituoso e intolerante em que ainda vivemos.

“A ideia é mostrar um lado do esporte que existe de fato. E que reflete muito uma realidade do País, que acreditamos que precisa mudar. Onde a impunidade sempre existiu e a paixão pelo futebol sempre a mascarou. Obviamente, existem pessoas e organizações sérias no esporte. Mas outras…”, defendem Alê Braga e Alvaro Campos.

“Os xingamentos usados no estádio, contra adversários e árbitros, sempre foram machistas e relacionados à homossexualidade, e considerados absolutamente normais e corriqueiros. As crianças aprendem a xingar nos estádios, com palavras sempre ligadas à homossexualidade. Se hoje a sociedade recebe o tema de uma forma muito mais natural em diversas áreas profissionais, no futebol a situação parece estar décadas atrasada”, lamentam os autores.

O texto da orelha da edição é do jornalista esportivo André Rizek. A apresentação é do jornalista e cartunista Arnaldo Branco.

O outro lado da bola

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  • Cassiano Cordeiro Alves

    A obra parece interessante. E toca num ponto importante. Para o bem ou para o mal, hostilizar o adversário através de vaias e xingamentos faz parte do espetáculo. E não sou eu quem vou julgar.
    Pelo menos, no que diz respeito ao racismo, o debate está mais avançado. Por causa de meia dúzia chamando o goleiro Aranha de macaco o meu Grêmio foi afastado da Copa do Brasil daquele ano. Ali foi resolvido o problema do racismo nos estádios brasileiros. Só que não.

    • Canoa Furada

      E logo se vê que a punição realmente não serviu pra nada. E que ainda precisamos discutir muito esse assunto.

      Nesse caso, infelizmente, no final das contas o único prejudicado foi o próprio goleiro. No Brasil o certo é o errado.

      • Jackson Good

        Esse é só mais um exemplo de como infrações relacionadas á torcida são tratadas de forma incorreta no futebol. A punição ao clube é uma maneira cômoda do ministério público/polícia/governo lavarem as mãos e se eximirem da responsabilidade. Se eu agrido alguém ou quebro propriedade pública ou privada, provavelmente serei preso, e com razão. Por que quando isso acontece em contexto de torcida, o tratamento é diferente? É preciso identificar e punir diretamente o(s) indivíduo(s). Concordo que o assunto precisa ser mais debatido

  • Dyel Dimmestri

    Fascinante! Podemos dizer que este é o “Verdades Secretas” do futebol!
    Explico:a obra de Walcir Carrasco jogava luz sobre um assunto que muitos sabiam mas ninguém tinha coragem de falar abertamente: A prostituição de alto luxo no glamouroso mundo da Moda; esta Graphic Novel vai pelo mesmo caminho,ao trazer outro tema,que muitos sabem,mas não têm coragem de falar: a homossexualidade no futebol,um dos últimos redutos da masculinidade!

  • Canoa Furada

    História bem criativa e bacana. A capa parece de livro, não de HQ.

    Os bastidores do futebol brasileiro renderiam excelentes HQ’s, e pode botar temas como pedofilia, lavagem de dinheiro, corrupção, politicagem, etc; a lista é longa.

  • Jackson Good

    Sobre a obra, interessantíssima, porém o preço tá salgado. Se pintar promoção é compra certa.

  • Felipe Lima

    Poderia se chamar “O outro lado das bolas”

  • Stefano Barbosa

    Aproveitando o assunto futebol e HQ…

    Nas 1/8 de final vai ter confronto bem “HQ”… Japão x Bélgica…