Palestra sobre a trajetória dos quadrinhos em São Paulo

Por Sidney Gusman
Data: 28 maio, 2004

Sonia Luyten e Sidney GusmanA professor Sonia M. Bibe Luyten (pesquisadora de quadrinhos e colaboradora do Universo HQ) realizará, na próxima segunda feira dia 31 de maio, no Instituto Histórico e geográfico (Rua Benjamim Constant, 158 – São Paulo/SP), a partir das 15h30min, a palestra Quadrinhos Paulistanos: de Angelo Agostini a Mauricio de Sousa.

Será abordada a História das Histórias em Quadrinhos do Brasil, um rico documento que conta em imagens seqüenciais a vida do país em todos os sentidos. Ela revela o pioneirismo, as grandes iniciativas, os altos e baixos da economia refletidos na interrupção das publicações, a trajetória da imprensa e das editoras, a busca da identidade nacional através de seus heróis em todas as regiões do país e, principalmente, a garra dos desenhistas que, apesar das adversidades políticas e econômicas, nunca desistiram de criar.

A começar pelo pioneiro Angelo Agostini, imigrante italiano que traz ao Brasil e a São Paulo, seu espírito criativo e indomável inovando tanto a arte dos quadrinhos (As aventuras de Nhô Quim) como revolucionando a imprensa paulistana (O Diabo Coxo, O Cabrião).

Ao longo das primeiras décadas também foi em São Paulo que ocorreu a aparição dos Suplementos Infantis. Mais tarde, surgiram uma série de pequenas editoras como La Selva, Taika, Outubro e Continental, que fizeram revelar os traços dos grandes mestres do quadrinho nacional como Jayme Cortez, Rodolpho Zalla, Nico Rosso, Shimamoto, Gedeone, Flávio Colin e Colonnese, no gênero terror.

A capital paulistana abriga o maior parque gráfico da América Latina, a Editora Abril, que por muitos anos teve como seu carro chefe de vendas as revistas de Histórias em Quadrinhos de Walt Disney, como Mickey e Pato Donald, e muitas outras publicações

Em plena época da ditadura militar, as universidades de São Paulo, principalmente a USP, editaram fanzines revelando nomes como Laerte, Luis Gê, Angeli, os irmãos Paulo e Chico Caruso. Esta imprensa alternativa ou udigrudi, como era denominada na época, mudou a estética e o conteúdo dos quadrinhos brasileiros e firmou estes jovens artistas como os grandes ídolos da atualidade.

Além disso, foi em São Paulo que se constituiu o primeiro curso universitário regular de Histórias em Quadrinhos em 1972, a primeira Gibiteca, revistas experimentais como a Quadreca e que conta hoje com um Núcleo de Pesquisas incrementado a investigação da Nona Arte em todo o país.

Foi também em São Paulo que ocorreu a criação do “Oscar dos quadrinhos brasileiros” pela dupla Jal e Gual – o Prêmio HQ MIX – referência nacional para qualquer categoria da área. Homenageando o pai dos quadrinhos brasileiros, São Paulo também é a sede da entrega do prêmio Angelo Agostini no dia 30 de janeiro, considerado o Dia do Quadrinho Brasileiro.

Do bairro do Bom Retiro é que surgiu a primeira exposição internacional de HQ do mundo realizada pelos jovens idealistas da década de 1950 como Álvaro de Moya, Jayme Cortez, Reinaldo de Oliveira entre outros. E as Histórias em Quadrinhos ganham status de arte no Brasil com um congresso e exposição em 1970 no MASP trazendo grandes nomes desenhistas internacionais.

Tudo isto, sem contar com o grande expoente Mauricio de Sousa, artista-empresário que é o modelo brasileiro de quadrinhista bem-sucedido no país. Nascido nas vizinhanças da capital paulista, em Santa Isabel, Mauricio tem em São Paulo um estúdio que abriga uma equipe de centenas de profissionais para a criação das revistas da Turma da Mônica, desenhos animados, tiras para jornais e licenciamento para produtos.

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