Parque das luzes: HQ mostra o cotidiano da prostituição

Por Marcelo Naranjo
Data: 24 dezembro, 2019

Em São Paulo existe o Parque da Luz, o mais antigo da cidade. Uma vez retiro da classe alta paulistana, hoje ele é frequentado pelo público geral. E por algumas pessoas que o cidadão comum se acostumou a não enxergar.

A reportagem em quadrinhos Parque das Luzes (60 páginas, R$ 35,00) acompanhou, por um ano, o dia-a-dia das mulheres em situação de prostituição dentro do Parque da Luz. A história conta com os relatos de cinco mulheres: Mariana, Lourdes, Kika, Fernanda e Camila — além da Cleone, uma das fundadoras da ONG Mulheres da Luz. Elas falam sobre saúde, dia a dia, violência, religião, mídia e outros assuntos.

Cada uma das entrevistadas traz algo diferente para a história, para provar que estas mulheres não são simplesmente o que fazem hoje, mas sim, um grupo heterogêneo. Camila tem 23 anos e frequenta o Parque para bancar sua faculdade de enfermagem. Kika é mãe de três e já teve seu rosto exposto na TV aberta. Lourdes é a única das entrevistadas cuja família sabe da sua profissão. Fernanda já trabalhou em casas de prostituição e hoje frequenta o parque para complementar a renda. O filho de Mariana não sabe até hoje a ocupação de sua mãe.

Grande parte das entrevistas é ambientada na ONG, que fica dentro da administração do parque. É lá que as mais de 200 mulheres amparadas vão para tomar um café ou comer uma bolacha, muitas vezes a única refeição do dia.

“Fiquei um ano frequentando a ONG, me tornando conhecida das mulheres que frequentavam o espaço. Em setembro, depois de conquistarmos a confiança das voluntárias, fundadoras e mulheres amparadas pela organização, finalmente conseguimos as entrevistas. Tivemos um mês para terminar o roteiro e um mês para desenhar. Foi corrido, mas deu muito certo!”, diz a quadrinhista Cecilia Marins, idealizadora do projeto.

Um ano depois de entregue como projeto final da faculdade, a HQ ficou em 2º lugar no 3º Prêmio Cásper Líbero.

 “Expor dessas moças é uma estratégia antiga que não leva em conta a vulnerabilidade dessas mulheres. Muitas vezes nem a própria família sabe o que elas fazem… não é meu papel expor. Quero que a gente se acostume a ver narrativas sensíveis e conscientes sobre essas mulheres” – afirma Cecilia, que realizou este projeto juntamente com Tainá Freitas e Maria de Vicentis.

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Parque das Luzes

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