Promethea será incluída na Liga da Justiça da América

Por Sérgio Codespoti
Data: 22 janeiro, 2018

A personagem Promethea, criada pore Alan Moore e J.H. Williams III, será incluída no arco Queen of Fables, da Liga da Justiça da América. A personagem será vista em Justice League of America # 23 e terá um papel importante em Justice League of America # 24.

Outra personagem que aparece na HQ é a feiticeira Tsaritsa, da fase de Mark Waid e Bryan Hitch, publicada há quase 20 anos.

Para explicar o “problema” em questão é necessário retroceder algumas décadas.

Alan Moore se desentendeu com a DC Comics por diversas razões, dentre elas o direito autoral sobre suas criações, royalties relacionados ao merchandising de Watchmen e um sistema de classificação etária que deveria substituir o Comic Code Authority, similar ao do cinema. O escritor parou de trabalhar para a editora em 1989.

A WildStorm surgiu em 1992, fundada por Jim Lee como um dos estúdios que faziam parte da Image Comics, uma casa editorial criada para garantir os direitos dos autores. A série Promethea estreou em 1999, pelas mãos de Alan Moore e J.H. Williams III, no selo ABC (America’s Best Comics), da Wildstorm.

O selo ABC era composto por Tom Strong, Top 10, Promethea, Liga Extraordinária, Terra Obscura e outras HQs, e Moore o usou para dar emprego a vários de seus colegas que haviam ficado sem ocupação após a implosão da Awesome Comics, de Rob Liefeld.

No mesmo ano, Lee vendeu a Wildstorm para a DC Comics, sem informar a Moore. Após a venda, Lee viajou a Inglaterra para contar ao escritor, garantindo-lhe que não teria nenhum contato com a DC Comics.

Justice League of America # 24Promethea

Moore declarou, numa entrevista George Khoury, no livro The Extraordinary Works of Alan Moore, que aceitou a situação com muita relutância. Ele preferiu trair seus princípios em prol de seus colegas a quem havia prometido trabalho pago.

Aliás, Tom Strong, da ABC, será integrado à equipe The Terrifics, liderada pelo Sr. Incrível, título que será lançado nas próximas semanas, com arte de Ivan Reis.

J.H. Williams se manifestou sobre a notícia – inicialmente divulgada pelo site Bleeding Cool – dizendo que não havia sido informado do fato, e que tinha certeza de que Moore também não deveria estar ciente. O artista disse que não concorda com esse uso da série.

A editora não se deu ao trabalho de informar os autores originais da série. O mesmo ocorreu com Dave Gibbons e o título Doomsday Clock, um trabalho derivado de Watchmen.

É importante ressaltar que a DC Comics não está fazendo nada ilegal, mas existe uma situação de desconforto ético que remete a dezenas de casos anteriores, nos quais os autores foram de alguma forma lesados, de maneira moral ou até financeiramente.

Esse tipo de prática, muito comum antigamente e que ainda aparece existir, pega mal para uma indústria que depende do talento de escritores e desenhistas.

Por isso tantos autores têm optado por editoras como a Image – sem dúvida uma ironia, levando em conta o histórico inicial da editora –, a IDW ou a Dark Horse, para levar seus trabalhos mais ambiciosos.

Promethea # 27, e o encontro com Tom Strong

• Outros artigos escritos por

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  • W.Santos

    Sou completamente contra a utilização no universo regular de personagens de séries fechadas ou de editoras adquiridas. Existem estórias que nem precisam de prequels nem de sequências, pois se bastam. O mesmo vale para personagens, especialmente quando tais reaproveitamentos não são realizados pelos criadores originais. Caem na vala comum. Perdem o brilho. Tornam-se justamente o contrário do que eram e de certa forma diminuem a obra prima inicial.
    Contem novas histórias, com novos personagens, novas ideias. Parem de exaurir os clássicos até não poderem mais extrair dinheiro dos fãs. Constantine só funcionou enquanto na Vertigo. Nenhum personagem dos WildCats perdurou no universo DC. Apolo e Meia-Noite da Stormwatch foram um fiasco. Promethea na Liga não vai funcionar. Nem Tom Strong. Como não funcionaria Miraclemen nos Vingadores, ou Hellboy em qualquer lugar que não seu próprio universo.

    • Gabriel Viana Nagamini

      Pra nossa sorte meu amigo, a Wildstorm agora está num universo de selo separado liderado pelo Warren Ellis (que na minha opinião, foi o melhor escritor da Wild)

  • Na falta de criatividade que impera atualmente na DC e na Marvel, as “novidades” giram em torno de “requentar” velhas ideias e mudar os alter egos dos super-heróis. Depois reclamam quando as vendas caem…

  • Marquito Maia

    Nossa, as coisas só melhoram no quesito criatividade!!! Promethea na LJA, Voyager nos Vingadores, claro, sim, como não… tsc, tsc.

  • Ronildo Abijaude

    Já está na notícia o melhor comentário a se fazer sobre isso… a DC não está fazendo nada ilegal, pronto.

    • ninguém

      Você também pode dizer a mesma coisa do governo Temer.
      A diferença é que você defende a DC porque gosta dela.

      • Marquito Maia

        Mas a DC não está fazendo nada de ilegal mesmo, afinal Tom Strong, Promethea, Top Ten etc. pertencem à editora (se não me engano, só os direitos d’A Liga Extraordinária são do Alan Moore e do Kevin O’Neill) e, portanto, eles fazem o que bem entenderem, mas é claro que, do ponto de vista ético, são outros quinhentos!
        Já o governo do Temeroso é ilegal em todos os sentidos: jurídico, ético etc.

        • ninguém

          Será mesmo que Alan Moore, após seu desgosto com a DC, associa-se à Wildstorm cometendo o mesmo erro? Será mesmo que a venda da Wildstorm incluía os direitos contidos no selo ABC? Será mesmo que a ética editorial aludida no artigo acima é tão diferente da de um governo que, apesar de unanimemente ser imoral e abjeto, não teve a ilegalidade tornada inconteste?

          • Tom Strong acho que não poderia reaver direitos, é feito em cima de heróis da Era de Outro em domínio público, o próprio Tom Strong é uma versão do Doctor Strange (cujo primeiro nome é Hugo), pra não confundir com o Dr. Estranho e o Hugo Strange, chamaram de Tom Strange.

    • W.Santos

      Nem toda cagada é ilegal.

  • É triste isso, e o pior é que geralmente não tem muito o que o autor fazer pra reverter essa situação.

  • Pablo Leite

    Moore fez uma das maiores HQs da história em Promethea. No meu entender, rivaliza com Sandman. Agora, vão transforma-la numa heroína irrelevante qualquer. Eu não comprei antes de Watchmen porque sabia da irrelevância dessas histórias sem o barbudo, e vou ignorar essa também.

  • Rafael Soares Duarte

    Notícia horrenda.

  • 2018 e a DC segue revirando com força o lixo do Moore atrás de ideias…

  • André Luciano Maria

    Ética é um conceito banido nas corporações.

  • Sem falar que ela pode alegar work for hire, é inspirado nos heróis da Charlton.

  • Tiago Salviatti

    Esse é um argumento que eu acho bastante difícil de contextualizar e aferir de maneira simples – e rende um debate complexo e rico.
    Veja bem, Sherlock Holmes foi criado em 1887 para uma revista periódica, e, desde então já teve contos e histórias escritas por autores do mundo todo, com filmes, seriados e paródias (incluindo mas não se limitando ao Herlock Sholmes da série de livros de Arsène Lupin), e as reinterpretações são várias e variadas conforme cabe ou vale o reimaginar do escritor.
    Não se restringe a isso, com exemplos que vão de Akira Kurosawa reimaginando peças de Shakespeare para o universo do Japão feudal da mesma forma que Sérgio Leone reimaginou as histórias de samurais como westerns.
    Droga, Philip K Dick criou os mutantes em 1954 num conto chamado ‘O homem dourado’ (incluindo os alicerces para a sala do perigo e o termo ‘homo superior’ e agências governamentais caçando e exterminando todo e qualquer ser nascido com alguma mutação genética), quase dez anos antes da primeira edição da série dos X-men da Marvel…
    O que quero dizer, de maneira concisa, é mais uma provocação e a mesma que o próprio Moore fez com sua Promethea: Como alguém pode ser dono de uma ideia?

    • Raiden Sofredor

      men, o maluco ta perdendo dinheiro sobre a propria obra e não ta sendo reconhecido quanto a propria produção,essa é que é a parada,não tem nada a ver com ideias presas a pessoas

      • Tiago Salviatti

        E onde ele perde dinheiro? Se ele ganha, indiferente do valor, sobre a venda das hqs produzidas pelo selo ABC (America’s Best Comics) que migraram para a DC/Vertigo, como é que maior exposição de sua personagem em outra(s) série(s) resultará em perda de dinheiro e falta de reconhecimento…?
        Isso aqui é bem diferente da Marvel usar uma base bastante sólida dos quadrinhos recentes do Pantera Negra e atribuir a caracterização ao Stan Lee e Jack Kirby (o que é até um avanço em se tratando de Marvel)…

  • Mr_MiracleMan_Jr

    Então, pela sua lógica, a DC não deveria ter usado o Besouro Azul, o Questão, o Capitão Marvel etc

    • W.Santos

      Minha posição é baseada nos casos concretos que mostram que, via de regra, essa prática não resulta em coisa boa. Só isso. Mas esses casos que vc citou por último até poderiam ser usados como exceção à regra, o que mostra que agora vc pegou o espírito da coisa.

  • Orelhazz Livros Usados

    É sempre triste a falta de visão na indústria dos quadrinhos, em particular nas duas grandes editoras dos EUA, onde em vez de se concentrarem em criar boas histórias que atraiam e formem novos leitores enquanto suprem o desejo de aventura dos mais antigos, se vão reutilizando ideias que funcionaram muito bem no passado graças ao talento acima da média de alguns autores como o senhor Moore. Vale sempre lembrar que quadrinhos são uma forma de arte híbrida de pintura com literatura utilizando enquadramento de cinema e histrionismo de teatro e enterrada até o pescoço no modo industrial onde se tem de ter resultados financeiros para conseguir pagar as contas e viabilizar projetos seguintes. Como a DC Comics pertence a Warner e eles precisam de novos produtos cinematográficos para fazer frente a Marvel/Disney provavelmente estes quadrinhos são um campo de testes para a aceitação destes personagens diante do grande público como estão fazendo com os personagens Hanna Barbera e algumas outras linhas. Ssobre Promethea vale lembrar que ela foi construída pelo Moore para expressar seu “pouco” conhecimento sobre tudo, isso a partir de um projeto que havia de recriar a personagem Glory do Rob Liefeld, a qual era uma cópia descarada da Mulher Maravilha. Já Tom Strong é o Tarzan com calças e bem melhor resolvido tanto intelectual, emocional e sexualmente. esse é o grande lance do senhor Moore ele pega um arquétipo de personagem e o individualiza tanto que ele se torna irreconhecível, junte a isso um amplo conhecimento de literatura e natureza humana e temos os melhores produtos de quadrinhos do ocidente. A Warner/DC não vai conseguir chegar perto nem dos trinta por cento da qualidade desses personagens com o modo de trabalho normal deles. Mas não se preocupem que vem coisas mais estranhas ainda por aí e só esperar e se apavorar.

  • Gabriel Brasil Picanço

    hahahahahahahaha excelente!!!

  • Luiz Magno

    Com um guaxinim de mascote fazendo “Ok”.

  • 0-Drix

    Já prevejo a Marvel integrando o Miracleman n’Os Vingadores!

  • Tiago Salviatti

    Não porque ‘copyright’ é direito de reprodução, mas existe toda uma gama de condições que permitem a utilização de uma marca ou imagem sem o pagamento de qualquer royalty que seja, como garantido no ‘fair use’ (algo como ‘uso correto’ numa tradução literal) que incluem, mas não se limitam ao uso como paródia ou com fins jornalísticos e educativos (que é definido no ‘fair use’ e a base na qual 90% dos youtubers americanos se baseiam para o uso de material registrado como fonte de seus videos).

    Mais que isso, nesse caso específico, os direitos sobre o(s) personagem(ns) são da DC, então LEGALMENTE não existe nenhuma margem ou condição de violação de direitos de propriedade intelectual, onde surge mais o debate ético e moral da situação (que é o que a matéria levanta), afinal, sem os criadores, quem desenvolve e produz(irá) para as editoras?

    • ninguém

      Mas se a ideia é patenteada, meu caro, dependendo das regras estabelecidas de parte a parte, a ideia fica, no mínimo, impedida de ser reproduzida por um determinado período.

  • João Paulo Loureiro

    Neil gaiman criou a Ângela em uma revista do spawn da image . ele entrou em uma briga com Todd McFarlane pelos direitos da personagem que ganhou alegando que a Image era um selo criado justamente para que os artistas pudessem ter os direitos sobre suas criações o engraçado é que quem desenhou a primeira aparição da personagem na revista spawn numero 9 foi o Todd McFarlane ele foi o co autor e mesmo assim perdeu os direitos, mas tarde o neil gaiman vendeu a personagem pra Marvel .O que o Jim Lee fez com Alan moore foi ilegal . Alan Moore , J.H. Williams III, Chris Sprouse e outros artistas da ABC podem entrar com um processo primeiramente contra Jim Lee e depois DC.