Tiras Brasileiras: livro de Luigi Rocco resgata obras e autores nacionais perdidos

Por Samir Naliato
Data: 7 julho, 2020

O cartunista e pesquisador Luigi Rocco está lançando o livro Tiras Brasileiras (formato 21 x 28 cm, 172 páginas, R$ 50,00), pela Editora Laços, com o objetivo de resgatar e apresentar tiras e autores que quase sumiram com o passar das décadas.

Por enquanto, está à venda no site Estante Virtual.

São 363 tiras por nome do personagem em forma de verbetes, com explicação de cada uma e pequena biografia de cada autor, como Gedeone Malagola, Ignacio Justo, Mauricio de Sousa e centenas de outros, muitos esquecidos pelo tempo.

A maior parte do material vai de 1950 a 1980, mas inclui também trabalhos das décadas de 1920, 1930 e 1990. O foco principal do livro é a produção da era pré-internet.

Devido ao seu caráter noticioso e à fragilidade de seu suporte, jornais e revistas, mensais ou semanais, são descartados assim que vai às bancas a próxima edição. E com isso, desaparecem também os quadrinhos nelas publicados. Salvo alguma coletânea ou livro impresso com esse material, por iniciativa das editoras ou dos próprios autores, a maioria dessas tiras acaba desaparecendo com seus veículos.

Tiras Brasileiras

Neste livro, Luigi Rocco busca resgatar algumas dessas histórias para que não caiam no completo esquecimento. O objeto principal são apenas os jornais diários, pois revistas e suplementos também estão contemplados.

Estão presentes movimentos regionais de São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará, Bahia e outros estados que se preocuparam em produzir material para seus periódicos e também distribuidoras de material jornalístico que incluíram as tiras de quadrinhos em seu portfólio.

O Tico-Tico e A Gazetinha estão contidos aqui devido à sua raridade, fragilidade ou importância de seus autores.

Em 2019, o autor publicou Tiras Paulistas 1963-1968, um outro livro nos mesmos moldes, focado em tiras diárias brasileiras publicadas nos jornais A Nação, Diário Popular e Diário de S.Paulo no período de cinco anos na década de 1960.

Tiras Brasileiras

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  • Diêgo Silveira

    Por mais trabalhos como esse! Vale reiterar: Um povo sem memória está particularmente fadado a andar em círculos. Para seguir adiante, ajuda muito ter clareza quanto ao que já se passou. Muito bom saber que ainda trabalha-se pela história do quadrinho brasileiro e não só pela reafirmação do marketing estrangeiro.

  • Dyel Dimmestri

    É um daqueles livros OBRIGATÓRIOS para fãs e estudiosos das HQs, produzido por um verdadeiro batalhador da memória do Quadrinho Nacional!! Luigi Rocco faz um excelente trabalho de resgate em seu blog, o Tiras Memory, que é uma ótima fonte de pesquisa! Fico abismado que, até hoje, ele nunca recebeu alguma indicação ou prêmio dos nossos mais importantes prêmios, o HQ MIX e o Troféu Ângelo Agostini. Sugiro aos organizadores que considerem seriamente esta hipótese.

  • Luigi Rocco

    Valeu, pessoal. Obrigado pelo apoio!

    • Marquito Maia

      Poxa, recebi o meu exemplar hoje e, para minha surpresa, veio autografado e tudo (com nome e apelido…rs)!! Uau, valeu pela atenção, sr. Luigi!! Adorei o projeto gráfico e, ora vejam só, o prefácio do livro é do Edgar Guimarães, quadrinhista, pesquisador de HQ e autor, entre outras coisas, do fanzine IQI – Informativo de Quadrinhos Independentes, que mora em Brazópolis/MG (até o nome da cidade natal dele lembra quadrinhos!!!), e para quem vendi há muitos anos, em época de vacas magras, um monte de coleções completas que eu tinha da EBAL (Turma Titã, Capitão Marvel em cores, Histórias de Assombração em formatinho etc.), com direito a um episódio insólito de desconto por motivo de ansiedade!!!! Volto a repetir, sr. Luigi: sucesso nas vendas!! Abraço.

  • Marquito Maia

    Adoro esse tipo de material teórico, aliás, me lembrei na hora d’O Mundo dos Quadrinhos, do Ionaldo Cavalcanti, da editora Simbolo! Parabéns ao autor e à editora Laços, do Kendi Sakamoto, que também publicou o excelente MARVEL COMICS – A trajetória da Casa das Ideias no Brasil, do Alexandre Morgado!! Livros assim são sempre muito bem-vindos!! Já vou comprar o meu, claro!! Aliás, sucesso nas vendas, sr. Luigi!!

  • Henrique Henrique

    Faço questão de conhecer esse material. Ótima iniciativa.

  • Antonio Cruz

    Esta edição já está esgotada mas haverá uma reedição, de acordo com a Estante Virtual, em 20 de julho e os pedidos continuam sendo feitos. O meu está reservado! É triste constatar que o comentário no quinto paragrafo, sobre a fragilidade onde as tiras são impressas e seu posterior esquecimento são tão verdadeiras. Aqui em Salvador temos dois exemplos recentes disso, um é o de Antônio Cedraz e a Turma do Xaxado o outro é Luis Augusto e o Fala Menino que apesar da importância e reconhecimento, após o falecimento dos seus criadores, não são mais editados, parece até que nunca existiram (uma pena). Então um projeto como este merece o nosso apoio e leitura.

  • Paulo Agostinho

    Alguém poderia fazer o mesmo com a Revista Balão dos anos 70. Fazer uma reedição com todas elas.