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Universo HQ Entrevista Kyle Baker

UHQ: Você publicou seus desenhos em veículos como The New York Times, Esquire, The New Yorker, Spin, Rolling Stone, Vibe, The Village Voice, Mad, Entertainment Weekly e ESPN. Mesmo assim, nunca ficou muito tempo longe dos quadrinhos. Por quê?

Ilustração para The New Yorker
Ilustração de Kyle Baker para a revista The New Yorker
Baker: Eu parei de fazer quadrinhos em 1990, porque não estava mais me divertindo. Quando comecei, as pessoas achavam que meu material era muito estranho, ninguém gostava. Agora, estão acostumadas ao meu trabalho.

Acabei saindo porque, como disse antes, não era dono do meu trabalho. Só voltei quando mudaram os contratos, que foi quando a Image começou.


UHQ: Você fez algo para a Image?

Baker: Ia fazer You are Here, estava conversando com a Dark Horse e a Image, editoras que nem existiam quando eu saí do mercado; e que agora ofereciam contratos melhores.

Então, a DC me chamou e disse que, no meu caso, mudariam os contratos.


You are Here, de Kyle Baker
You Are Here, de Kyle Baker
UHQ: Por três anos você ilustrou a série Bad Publicity, na revista New York. Como foi esta experiência?

Baker: Era uma tira semanal, nesta revista que lista teatros, cinemas e restaurantes. Quando você publica numa título assim, precisa trabalhar com muita antecedência, mas na New York, devido à periodicidade, podia fazer uma piada sobre algo que havia acontecido alguns dias antes.

UHQ: Em 2000, quando você fez a história Letitia Lerner: Superman's Babysitter, na qual o Superman, ainda bebê, barbariza uma pobre babá, os editores sabiam o teor da HQ? Quem foi o responsável pelo veto?


Letitia Lerner: Superman's Babysitter, de Kyle Baker
Baker: Paul Levitz não havia visto a revista. Eu não sei qual é o processo lá. Os editores haviam aprovado tudo, mas quando ele viu, mandou destruir os exemplares, mesmo depois de impressos. E é um direito dele.

UHQ: Você teve problemas com a censura?

Baker: Quando faço trabalho contratado, com muita freqüência, o material acaba não saindo. Estou acostumado a esta situação.

Muitas revistas te contratam para fazer a arte e, no final, não sai nada publicado, apesar de te pagarem. Estou acostumado. isso é normal.

Fiz uma história do Dick Tracy, na qual eles redesenharam todas as caras que fiz do personagem. Mas como me pagaram, não dá pra ficar chateado.


Dick Tracy #3
Dick Tracy #3, de Kyle Baker
UHQ: Depois que a história da babá "vazou", a repercussão foi enorme e acabou até lhe rendendo dois Eisner Award. Você acha que ganharia esses prêmios se não tivesse havido tanta polêmica?

Baker: Acho que ninguém teria visto a história da babá, se não tivesse tido tanta publicidade negativa, se não tivesse sido destruída. Não acho que seria popular. Eu não leio mais esse material.

UHQ: Mas vocês ganhou outros prêmios...

Baker: Sim, tenho mais alguns. Eu ganhei um Eisner por You are Here. E acho que outro por Why I Hate Saturn... Não me lembro qual foi agora.

UHQ: Para você foi uma surpresa o convite da DC para trabalhar com o Homem-Borracha? Como é sua relação com a editora depois do "incidente" com Letitia Lerner: Superman's Babysitter?

Plasticman #1
Plastic Man #1, o Homem-Borracha,
de Kyle Baker
Baker: Sim. Eles me convidaram, e aceitei fazer o Homem-Borracha, porque acho que posso fazer um bom trabalho. Tem menos pressão do que num personagem maior.

No Superman e no Batman, você não pode fazer qualquer coisa. Mas quem se importa com o Homem-Borracha?


UHQ: Você era fã de Jack Cole, o criador do Homem-Borracha?

Baker: Agora sou. A DC me deu os volumes em capa dura com as histórias dele, e descobri que o material é bom.

UHQ: É muito grande a expectativa em torno do seu Homem-Borracha, justamente porque você tem um estilo e um senso de humor que podem levá-lo de volta às origens. Quais seus planos para o herói?

Plastic Man #2
Plastic Man #2, o Homem-Borracha,
de Kyle Baker
Baker: Nesse momento, estou fazendo a série mensal, tentando manter a fórmula usada no passado. Como fiz nos Looney Tunes também. O trabalho foi retornar às origens. Por exemplo, o Frajola tinha que tentar pegar o Piu-Piu e, no final, sempre apanhava.

E, nos últimos 30 anos, ninguém fez isso. O mesmo aconteceu com o Homem-Borracha. Estou tentando voltar às origens, pois trabalhamos com o visual. E minhas histórias têm que ser assim.

Quando eu era garoto, se quisesse ver uma história de ficção legal, dinossauros, astronautas, gente voando, super-heróis etc, tinha que ler quadrinhos, porque os efeitos dos filmes eram terríveis.

O Superman era um cara num fio, Godzilla era um cara numa roupa de borracha e King Kong era uma marionete. Já nos quadrinhos, eram mais reais.

Plastic Man #3
Plastic Man #3, o Homem-Borracha,
de Kyle Baker
Agora, os efeitos são tão bons, que prefiro ver os X-Men no cinema. Acho o filme muito melhor do que qualquer quadrinho. Eles gastam 100 milhões de dólares! Não temos esse dinheiro para fazer uma HQ.

Então, é preciso pensar em outras razões para um garoto comprar seus quadrinhos. Não acho que podemos competir com os videogames. Se quero ver super-heróis, vou jogar videogame porque os efeitos são legais.

Mas creio que quadrinhos de humor não são feitos em todo lugar. As pessoas só os fazem para crianças. Homem-Borracha será engraçado. É uma revista de bobagens. Ele luta contra o crime fazendo humor.

O Homem-Borracha assume formas diferentes. Então, quando fica preso num quarto sem janelas, precisa se transformar em outras coisas para sair.


UHQ: O vídeo musical Break the Chain, do KRS-One, que você dirigiu e que chegou a ir ao ar na MTV, foi baseado numa HQ homônima ilustrada por você, certo? Como surgiu o convite? E como foi esta experiência?

Cena de You Are Here
Cena de You Are Here, de Kyle Baker
Baker: Sim, foi algo interessante e a tecnologia já mudou bastante. Sempre tive problemas com computadores, pois sempre chego no início da tecnologia.

Fiz esta animação no computador em 1993 ou 94. Tive o mesmo problema com You are Here: forçar a máquina a fazer coisas que ela não estava preparado para executar.

As coisas são feitas assim: primeiro se descobre um problema e depois a sua solução. Então, se ninguém criou este problema, ainda não há solução para isso. Hoje, tudo funciona.

Eu fui um dos pioneiros do letreramento por computador. E dava muito problema. O colorido eletrônico também. E atualmente se faz até animação, inclusive em laptops.


Why I Hate Saturn
Why I Hate Saturn, de Kyle Baker
UHQ: Depois de trabalhar com super-heróis e HQs adultas, você está escrevendo e dirigindo curtas-metragens para cinema da Warner Bros. Fale mais sobre isso, por favor.

Baker: Esses trabalhos serão lançados em breve (Nota do UHQ: um deles, do Coiote e do Papa-Léguas, é exibido antes do filme Looney Tunes de volta à ação). Trabalhar em Hollywood não é divertido. É tudo muito corporativo. Você faz o que te mandam, recebendo enormes quantias. Não é muito criativo. O estúdio te diz o que quer, você reescreve e redesenha.

Uma das coisas que não gosto é que não se reconhece nem mesmo o estilo dos artistas. O Pernalonga tem que ter sempre a mesma cara, parecido com os brinquedos.


UHQ: Quais são os desenhos?

Baker: Fiz um do Frajola e Piu-Piu e um do Gaguinho. E trabalhei em outros, mas não sei quando vão sair.



 

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