|
Artistas reclamam de falta de pagamento na CrossGen
(29/08/2003)
Nas últimas semanas, alguns freelancers (como Robin Riggs, Will Rosado e Lewis Larosa) têm reclamado sobre atrasos de pagamento por parte da CrossGen para serviços prestados à editora, levantando rumores sobre problemas financeiros.
Apesar de no Brasil esse tipo de coisa ser até comum, nas mais variadas áreas profissionais, nos Estados Unidos "o buraco é mais embaixo". A editora vinha se recusando a comentar o caso, mas finalmente se pronunciou. O primeiro a falar foi Bill Rosemann, diretor de marketing e comunicação.
Segundo ele, a CrossGen está participando de investimentos para expansão de seus produtos, e durante esse processo algumas empresas que devem dinheiro à editora ainda não efetuaram o pagamento, o que causou um impacto em suas atividades. "O diretor de arte Bart Sears entrou em contato com todos os freelancers da CrossGen, enquanto o Mark Alessi (presidente) falou pessoalmente com mais de 20 criadores e explicou que todos serão pagos o mais rápido possível", explicou.
Rosemann também mencionou que alguns artistas tiveram seu contrato rescindido por qualidade de trabalho insatisfatório e atrasos nos prazos de entrega.
Ele se desculpou pelos atrasos, agradeceu a paciência dos profissionais, e afirmou que Alessi está disponível para tirar qualquer dúvida dos criadores.
Como resultado disso tudo, o escritor Mark Waid se disponibilizou a ajudar pessoalmente como puder qualquer artista que esteja com os pagamentos atrasados.
Waid trabalhou um ano na CrossGen sob um contrato de exclusividade, e saiu de lá em circunstâncias ainda não esclarecidas, mas que certamente não foram muito amigáveis.
O desenhista Lewis Larosa rebateu a declaração da editora. "A razão da demora das páginas chegarem é que me recusei de mandar o trabalho até ter o cheque nas minhas mãos. Isso foi depois de eu não ter recebido o pagamento combinado. Só após semanas me negando a enviar o material me ligaram e contaram sobre os problemas de caixa".
Larosa revela ainda que, mesmo sabendo dos problemas, a editora contratou Tom Derenick sem mencionar nada, para finalizar a edição que ele estava fazendo. Agora, Derenick também está com pagamento atrasado, e ainda sem previsão para tudo ser acertado.
"Não sei se Rosemann quis me incluir entre os freelancers com trabalho insatisfatório, mas o diretor de arte me assegurou que as páginas estavam ótimas, e chegou a considerar a possibilidade de me contratar por exclusividade para o próximo ano", argumenta. Atualmente, Larosa está trabalhando na nova revista mensal do Justiceiro, para a Marvel.
Mais tarde, Bill Rosemann se desculpou por ter atacado alguns profissionais em sua declaração.
O presidente da CrossGen, Mark Alessi, teve que vir a público para falar sobre o assunto. "Financeiramente, estamos um pouco mais apertados do que gostaríamos", confessa. "Estamos nos estágios finais de um novo investimento, e isso nos consumiu nos últimos dois meses".
"As pessoas não percebem que até a Marvel só tira uns 20% de seu faturamento dos quadrinhos. A DC talvez até menos. Gostem ou não, a maioria das companhias sobrevive de outras rendas", analisa. "Mesmo com nossas boas vendas, até acima do esperado, ainda há a necessidade de investimentos externos".
Alessi aguarda esse tipo de injeção financeira na editora a partir do quarto trimestre deste ano, e disse esperar pagar a todos até outubro.
Os atrasos afetaram quase 40 profissionais. "Eles ficaram satisfeitos com nossas explicações. Não vi todos reclamando por aí", alfinetou. "Claro que não estamos felizes com isso, mas esse problema é recente".
Atualmente, vários brasileiros trabalham na editora, mas preferiram não se manifestar sobre o assunto.
|
|