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Conde Drácula, de Crepax. Publicado no Brasil pela Martins Fontes
Conde Drácula


Edição italiana de Frankestein
Frankestein


Anita: Uma História Possível
Anita: Uma História Possível


Circuito Interno, da Tempo Medico, edição de 1977. Compilava as 80 primeiras histórias da Clinicommedie, publicadas de janeiro de 1965 a maio de 1973. Uma raridade.
Circuito Interno


Capa assinada por Crepax
I Cavalieri Della Prateria


Circuito Interno, da Tempo Médico, edição de 1977. Compilava as 80 primeiras histórias da Clinicommedie, publicadas de janeiro de 1965 a maio de 1973. Uma raridade.
Circuito Interno


Ilustração exibida na última mostra de Crepax, em Milão
Ilustração de Guido Crepax


Ilustração exibida na última mostra de Crepax, em Milão
Ilustração de Guido Crepax











Valentina e seus fãs estão órfãos: Guido Crepax morreu

Por Sidney Gusman (31/07/2003)

Guido Crepax e ValentinaAs belas Valentina, Anita e Bianca estão vestindo preto! Morreu hoje, em Milão, Itália, o desenhista Guido Crepax. Ele havia completado 70 anos no último dia 15 de julho. O funeral será realizado sábado, no cemitério Monumentale.

Crepax nasceu em Milão, em 1933. Ao vir ao mundo, seu sobrenome era Crepas, mas depois de iniciar sua vida profissional decidiu trocar o "s" pelo "x", por uma questão estética. Formou-se em arquitetura em 1958, mas começou a viver de seus belos traços cinco anos antes, na área da publicidade e fazendo capas de livros e discos. Chegou até a ganhar uma Palma de Ouro, em 1957, com uma campanha para a Shell.

Louise Brooks é a inspiracao para o visual de ValentinaEm 1959, iniciou sua longa colaboração para a revista científica mensal Tempo Medico, para a qual fez mais de 200 capas. Em 1965, passou a ilustrar um quiz médico chamado Clinicommedie (escrito por "Mister Hyde" e Pino Donizetti), que foi sua primeira experiência utilizando a linguagem dos quadrinhos.

Ainda em 1965, no mês de maio, ocorreu sua estréia efetiva nas HQs, nas páginas da Linus, famosa revista de Giovanni Gandini e Ranieri Carano (e depois de Oreste Del Buono e Fulvia Serra), para a qual criou o crítico de arte e investigador Philip Rembrandt, também conhecido como Neutron.

A coadjuvante de Neutron era sua namorada (com quem acabou casando), uma belíssima e curvilínea fotógrafa chamada Valentina. E ela mudou o rumo da série e da carreira de Crepax, tornando-se a protagonista das histórias e a mais importante personagem dos quadrinhos eróticos em todos os tempos.

Valentina, da editora L&PMValentina foi criada à imagem e semelhança da atriz Louise Brooks, de quem Crepax era fã. Publicada em vários países do mundo, a personagem tem vários álbuns compilando suas aventuras. Com uma mescla de erotismo e devaneios, ela povoou o imaginário masculino por décadas, especialmente na Itália.

O sucesso de Valentina ainda hoje é tão grande, que suas histórias estão sendo reelaboradas, roteirizadas e filmadas para uma série de 13 episódios televisivos, que serão exibidos na Itália, Alemanha, Suíça e Estados Unidos.

Depois de Valentina, Guido Crepax deu vida a muitas outras "musas de papel", como Anita, Bianca e Belinda, além de assinar sofisticadas versões em quadrinhos de clássicos da literatura erótica, como A História de "O", de Pauline Reage; Emmanuelle, de Arsan; e Justine, de Sade. Também fez releituras de clássicos como Conde Drácula, Doutor Jekyll e Mister Hide e Frankenstein, seu último trabalho publicado, em 2002.

Valentina é beijada pelo Fantasma num dos delirios da personagemMesmo enquanto esteve envolvido com os quadrinhos, o autor não abandonou a atividade de ilustrador publicitário, na qual atuou até 1991, fazendo campanhas das mais variadas. Artista extremamente versátil, Crepax também assinou centenas de litografias, serigrafias e aquarelas.

Sempre explorando requintes de sadomasoquismo, Crepax foi considerado, durante muitos anos, o "papa" dos quadrinhos eróticos, posto que passou ao também italiano Milo Manara. Com um traço extremamente delicado, um incrível domínio de luz e sombras e diagramações pra lá de ousadas, suas páginas eram autênticos delírios visuais.

Última mostra de Crepax, em MilãoNo Brasil, especialmente durante as décadas de 1980 e 1990, os leitores tiveram a sorte de ver muitas de suas obras. A Martins Fontes publicou A Vênus das Peles, Emmanuelle, Justine, Conde Drácula e Doutor Jekyll e Mister Hide.

Já a gaúcha L&PM lançou A História de "O", Valentina, Valentina Assassina?, Valentina de Botas, O Bebê de Valentina, Valentina no Metrô, Anita - Uma História Possível, Anita ao Vivo, Bianca - Casa das Loucuras, Bianca - Pensionato de Moças, além de participar da coletânea Casanova.

Última mostra de Crepax, em MilãoNo entanto, uma de suas obras mais maduras, Lanterna Magica, de 1979, que não tinha um balão de texto sequer, continua inédita por aqui, apesar de ter sido publicada em quase toda a Europa.

Crepax chegou até a fazer duas edições para a Cepim, hoje mundialmente conhecida como Sergio Bonelli Editore: L'uomo de Pskov (1977) e L'uomo di Harlem (1979), ambas na coleção Un Uomo Un'avventura.

O jornal italiano Corriere della Sera disponibilizou em seu site fotos e vídeos da última mostra do artista em Milão. Vale a visita! Afinal, cada vez que se vir um desenho de Valentina, Anita, Bianca ou de qualquer outra de suas sedutoras mulheres, Guido Crepax certamente sempre será lembrado.


Valentina Triste



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