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Cartaz do Sação de Humor de Piauí






Jurado Érico Junqueira Ayres






Juradi Fred Ozanan






Juradio Jô Oliveira






Jurado Lin






Jurado Mascaro






Jurado Luiz Pimentel






Jurado Luiz Solda






Jurado Dino Alvez






Jurado Sidney Gusman






Desenho de Luiz Solda






Desenho de Ziraldo






Exposição Artistas Pernambucanos - Ilustração de Lin





Exposição Artistas Pernambucanos - Ilustração de Massaro






Cartaz da exposição de Luiz Solda


Teresina, uma cidade que respira o humor

Durante o bem organizado 21º Salão Internacional de Humor do Piauí, a população deu um exemplo de como valorizar os artistas do traço, algo muito raro no Brasil

Por Sidney Gusman

Espaço de exposições do Salão de PiauíQuando se fala em salão de humor no Brasil, a imensa maioria das pessoas logo menciona, por toda sua (merecida) importância, o de Piracicaba. No entanto, há um outro tão tradicional e relevante quanto; com a mesma premiação para os participantes; que recebe trabalhos do mundo inteiro; e este ano realizou sua 21ª edição: o do Piauí.

Este ano, o Salão Internacional do Piauí aconteceu de 20 a 26 de outubro, na capital do estado, Teresina. O cartaz desta edição foi feito pela artista polonesa Malgorzata Tabaka. A organização foi da Fundação Nacional do Humor, encabeçada pelo incansável cartunista Albert Piauí, com parcerias com o Governo do Estado, a Prefeitura Municipal, a Fundação Cultural do Piauí, a Secretaria Estadual de Educação, a Empresa Piauiense de Turismo, Serviço de Assistência Social e Comunitária e o Departamento Estadual de Trânsito.

Caricatura de Luiz Carlos FernandesForam 950 trabalhos vindos dos mais distantes pontos do planeta, como Ucrânia, Cuba, Japão, República Tcheca, Israel, Bélgica, Polônia, Itália, Estados Unidos, Argentina, China, Espanha, Irã, Rússia e outros. Passaram para a fase final 200 obras, concorrendo nas categorias Charge, Cartum e Caricatura, além de duas especiais: Caricatura de Herbert de Souza, o Betinho e Cartum sobre Fome.

E o nível dos desenhos era altíssimo. Quem conhece o Salão de Piracicaba, o mais renomado do Brasil, pôde atestar que, no quesito qualidade dos trabalhos, ambos estão num nível bastante parelho. E isso é ótimo, pois não deve haver rivalidade entre eventos desse gênero, mas sim uma cooperação para que todos se sobressaiam a cada vez mais.

A comissão julgadora foi formada por Luiz Solda, cartunista de Curitiba; o carioca Luís Pimentel, editor adjunto do jornal O Pasquim 21 (que tinha um estande no evento); o caricaturista piauiense, mas radicado em São Paulo, Dino Alves; este jornalista, representando o Universo HQ; Érico Junqueira Ayres, cartunista maranhense; os quadrinhistas pernambucanos Mascaro e Lin, da revista Ragú; o desenhista Jô Oliveira, uma fera do traço nacional, atualmente morando em Brasília; e Fred Ozanan, da Paraíba, um grande ganhador de salões pelo mundo.

Charge de Braga TepiDepois de vários turnos de votações, foram eleitos os vencedores, que levaram, cada um, dois mil reais. Devido ao excelente nível das obras, foram atribuídas várias menções honrosas, sem premiação financeira. Confira:

Caricatura

Vencedor: Luiz Carlos Fernandes, de São Caetano do Sul/SP;
Menções Honrosas: Omar Figueroa Turcios, da Espanha; Gilmar de Oliveira Fraga, de Porto Alegre/RS; e Gláucio de Oliveira Santos, de Embu/SP.

Charge

Vencedor: Braga Tepi, de Teresina/PI;
Menções Honrosas: Mário Magnatti, da Itália; e Francisco Tadeu Soares da Silva, do Rio de Janeiro/RJ.

Cartum

Vencedor: Jurij Kosobukin, da Ucrânia;
Menções Honrosas: Las Muniz, de Belo Horizonte/MG; e Leslie Ricciardi, dos Estados Unidos.

Cartum de Jurij KosobukinCaricatura de Betinho

Vencedor: Gilmar de Oliveira Fraga, de Porto Alegre/RS;
Menção Honrosa: Omar Figueroa Turcios, da Espanha.

Cartum sobre Fome

Vencedor: Paulo Volmar Mattos Vilanova, de Porto Alegre/RS;
Menção Honrosa: Ajubel, da Espanha.

Muito mais que uma mera exposição

Como todo salão de humor, o do Piauí tinha sua principal atração na mostra dos trabalhos finalistas, no Complexo Cultural Clube dos Diários. Mas, com pouquíssima verba e criatividade de sobra, a organização se preocupou em fazer do evento algo bem mais amplo. E conseguiu!

Caricatura de Gilmar de Oliveira FragaPara toda a semana, foi montada uma intensa agenda de atividades abertas ao público. Assim, quem se interessou pôde acompanhar oficinas de Quadrinho Autoral, com Lin e Mascaro; Leitura de Charge, com Fred Ozanan; Texto de Humor, com Luís Pimentel (aliás, uma excelente sacada, pois os salões do Brasil nunca se lembram que o texto também precisa ter humor); Desenho de Humor para Crianças, com o premiadíssimo (ganhou Piracicaba este ano) cartunista local Jota A.; Anatomia Básica para Quadrinhos, com Leno Jefferson de Carvalho, quadrinhista de Teresina; Cartum, Charge e Caricatura para crianças, com Ribamar Júnior; Grafite, com o Grupo MP3; Desenho de Humor em Bico de Pena, com Paulo Moura; Conversando com Humor, com Dino Alves, e outras.

Além disso, houve debates sobre temas como Humor na Escola e O Mercado de Humor, com todos os jurados, mais artistas locais; e palestras como Jornalismo Especializado em Quadrinhos, com este escriba. Procurando integrar outras artes ao evento também ocorria diariamente uma sessão de vídeos amadores produzidos em Teresina.

Cartum de Paulo Volmar Mattos VilanovaOutra atração do evento foi o talentoso potiguar Zaia, que faz caricaturas ao vivo, em cerca de dez minutos. Até aí, nada de mais, certo? A diferença é que ele não usa lápis e papel, mas sim argila! O resultado é impressionante. Até o governador do Piauí, Wellington Dias, levou a sua para casa.

A preocupação de levar a "cultura do traço" às escolas de Teresina foi outro ponto alto do evento. A exemplo do que aconteceu na Maratona de Quadrinhos do 3º Festival Internacional de Quadrinhos de Belo Horizonte, a organização do Salão do Piauí se aliou a um entusiasmadíssimo grupo de arte-educadores, comandado pela professora Judith Guacyra, e criou o projeto Humor nas Escolas.

Albert Piauí, organizador do eventoA intenção é levar à rede de ensino conceitos básicos sobre o desenho de humor. "Não será o cartunista que irá para a sala de aula, mas o próprio professor, que trabalhará esses aspectos com a nossa orientação", explicou Albert Piauí. "Além disso, precisamos criar material didático nessa área, pois no Brasil não existe. Vem muita gente ao Salão, mas não conhecemos essas pessoas. Com esse projeto, queremos criar um público específico, que começará a ser formado na escola."

E, apesar de tímidos, os resultados já começaram a aparecer nesta edição do evento, com as visitas de diversas turmas de alunos à exposição dos selecionados, com vários intuitos, de apenas apreciar a fazer trabalhos escolares.

Fica a torcida pelo sucesso deste relevante projeto; e a dica para que haja um intercâmbio de experiências com outras cidades do Brasil que estejam fazendo atividades similares.

O humor está no ar

No entanto, a "jogada de mestre" da organização foi espalhar exposições de seu acervo por vários pontos da cidade, sob estruturas tubulares cobertas com uma espécie de toldo. Assim, criaram uma integração ainda maior com a população. Afinal, as pessoas nem precisariam se deslocar para ir ao humor; o humor ia até elas!

Havia exposições sobre Ziraldo, o Pasquim 21, de quadrinhistas de Recife e de Teresina; a temática Fome Zero e outras. Numa das principais avenidas de Teresina, além de três mostras "enfileiradas", havia uma linda caricatura de quase dez metros do Rei do Baião, Luiz Gonzaga.

E o mais incrível de tudo, que denota o respeito que o povo de Teresina tem pelo Salão: esses locais não tinham portas e o efetivo de segurança era mínimo. Ou seja, ficavam abertos 24 horas por dia. Mesmo assim, não houve nenhum ato de vandalismo contra os trabalhos. Um exemplo também de cidadania.

Visitantes apreciam as exposiçõesVale lembrar que, normalmente, quem vai a uma exposição de um salão de humor são pessoas que curtem o assunto. Por isso, outro grande mérito dessa iniciativa foi despertar o interesse de cidadãos comuns que, muitas vezes, nem sequer sonhavam em passar os olhos sobre uma mostra de desenhos.

E os efeitos disso puderam ser conferidos no Complexo Cultural Clube dos Diários, onde pessoas de todas as classes sociais, das mais díspares faixas etárias, caminhavam lado a lado, admirando os trabalhos expostos e, claro, rindo bastante.

Esses visitantes também puderam apreciar o trabalho magnífico de Solda, um cartunista de mão-cheia que ganhou uma bela exposição de alguns de seus trabalhos, impressos em pano, numa solução gráfica barata, criativa e muito interessante, visualmente falando.

Detalhe do desenho de Luiz SoldaO que mais chama a atenção em suas obras, é que ele só faz hachuras usando letras ou números (confira no detalhe), que sempre têm a ver com o tema central da piada. Excelente a idéia de Albert Piauí de homenagear Solda e, assim, mostrar para o público de Teresina um talento de outro estado. Essa integração é vital para a disseminação cada vez maior do humor no País.

Durante todos os dias, a imprensa local (rádios, TVs, sites e jornais) deu grande destaque para o Salão do Piauí, em mais uma prova da importância do evento para a cidade e seu povo.

Isso pôde ser comprovado também na forma carinhosa como as pessoas tratam seus artistas. Na solenidade de abertura do evento, por exemplo, ao ser chamado ao palco, Jota A. foi ovacionado pela platéia. E o assédio se repetia no dia-a-dia. Os pernambucanos Lin e Mascaro até brincaram com ele, dizendo que era a primeira vez que viam um cartunista ser tratado como popstar.

Oficina realizada durante o salãoA sensação que se tinha durante o Salão, é que a cidade "respira" o humor. Talvez essa integração explique o fato do Piauí ser berço de muitos humoristas de grande sucesso pelo Nordeste e alguns até no Brasil, como o ótimo João Cláudio Moreno, que fazia o Caretano, na Escolinha do Professor Raimundo, na Rede Globo, e que tem todos os seus shows com lotação esgotada em Teresina.

Quem já participou de alguns dos principais eventos do gênero do País, com certeza, já ouviu falar do realizado na abrasadora Teresina, de sua tradição, da qualidade dos trabalhos etc. Mas, honestamente, nada do que se diz se compara à experiência de constatar, de perto, esta interação entre o povo da cidade e o humor, algo único no Brasil. Em sua 21ª edição, o Salão Internacional de Humor do Piauí completou a "maioridade" em grande estilo.



Sidney Gusman foi pela primeira vez a Teresina, onde conferiu de perto a grande hospitalidade do povo local, o "frescor" dos quase 40 graus durante o dia e a famosa Cajuína, um refresco à base de caju. O duro foi o cara levar uma caixa de doze garrafas na bagagem de mão e fingir que estava leve na hora do embarque.

 

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