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G.I. Joe e Transformers se encontram em crossover
As duas séries, sucesso de público inclusive no Brasil, trazem grandes novidades para os fãs
Por Marcelo Cypriano
Que
tal juntar dois títulos que fizeram bastante sucesso nos anos 1980 na
mesma história? Ainda mais quando esses títulos voltaram no início do
século 21 e fazem, novamente, um enorme sucesso?
O resultado é o crossover G.I. Joe/Transformers, feito em parceria
entre as editoras Image
Comics e Dreamwave.
Na verdade, são dois encontros diferentes, um ambientado na década de
1980 e outro na Segunda Guerra Mundial.
O primeiro traz a organização Cobra ainda no início de suas operações
terroristas, descobrindo uma certa nave soterrada há milhões de anos numa
montanha do estado americano do Oregon, repleta de robôs gigantes avariados
(é claro que tinha que cair nos Estados Unidos, com os alienígenas falando
inglês... mesmo chegando à terra uns quatro milhões de anos antes de o
ser humano e a língua existirem! Detalhe bobo para quem quer somente se
divertir).
Estudando as máquinas alienígenas, os cientistas descobrem suas habilidades
de transformação em veículos. Resolvem convertê-las em alguns dos veículos
Cobra - bastante conhecidos dos colecionadores, como os tanques
H.I.S.S. ou os caças Night Raven. Os Joes ficam espantados
com a performance dos veículos em batalha e não tardam a passar sérias
dificuldades, pois as máquinas parecem ter pensamento próprio.
Justamente
aí a história começa a ficar interessante, pois um dos tanques começa
a dar dificuldades aos bandidos, não servindo direito aos seus propósitos
criminosos.
Descobre-se que não eram simples robôs programáveis, mas máquinas vivas
com personalidade própria. O tanque rebelde revela sua identidade: Optimus
Prime.
Outros começam a "acordar" e os Joes têm a ajuda dos Autobots, enquanto
os Decepticons, liderados por Megatron, continuam com o Cobra, pelo menos
enquanto um grupo serve aos interesses do outro.
O outro crossover é inusitado. Quase a mesma história, só que ambientada
nos anos 1940! Pense nos Joes como um grupo especial aliado e nos Cobras
com um visual assumidamente nazista, com Transformers de ambos os lados,
e personagens conhecidos transformando-se em veículos e equipamentos da
época!
O
visual retrô ficou muito bem nos robôs e os desenhistas foram felizes
ao escolher equipamentos que realmente existiram. Cai como uma luva o
líder Decepticon, Megatron, se transformar em uma pistola Luger
alemã e o simpático Bumblebee numa moto militar com side-car, ao
invés do conhecido Fusquinha amarelo.
Os fãs têm elogiado muito as histórias e desenhos, e as vendas não andam
nada ruins, pois o público dos dois grupos de heróis não é nada pequeno,
além de muito fiel. A Marvel,
que há vinte anos detinha os direitos das duas séries, chegou a publicar
crossovers nas revistas de linha - participação significativa em
G.I. Joe e mais tímida em Transformers.
Em
2003, os editores acharam melhor não comprometer as linhas e puseram todos
os acontecimentos em universos paralelos. Tanto melhor! Nos desenhos animados,
na fase dos Transformers após o longa-metragem, que se passa num futuro
próximo, há uma personagem humana chamada Marissa Faireborn, filha de
Flint e Lady J, ambos G.I. Joes. Participação especial do Comandante Cobra
em um dos episódios.
Crossovers com outros heróis também eram comuns, mesmo que apenas
com participações pequenas. No Brasil, a primeira aparição do uniforme
negro do Homem-Aranha (o simbionte que viria a originar Venom) se deu
em Transformers #3, publicado pela extinta Rio Gráfica (hoje
Editora Globo). Duke, líder dos Joes, teve aparição rápida na revista
do Aranha na saga Guerras Secretas 2.
No início de 2003, correu o boato do lançamento do especial X-Men /
G.I.Joe, tudo culpa de uma capa da revista Wizard que trazia
Wolverine quebrando o pau com o Joe predileto de nove entre dez fãs, Snake-Eyes.
Que mistura é essa?
Joes
versus Transformers... os mais desavisados perguntarão o que um grupo
tem a ver com outro, já que no universo dos Joes não há lugar para poderes
extraordinários ou robôs alienígenas. A explicação é mais comercial que
tudo: foram as duas linhas de brinquedos mais vendidas das indústrias
Hasbro na época que, para efeito de divulgação, patrocinaram as
revistas pela Marvel e os desenhos animados, que fizeram sucesso
estrondoso.
As séries de TV eram de primeira linha (para a época), mas as revistas
nitidamente de segunda, usando alguns desenhistas e argumentistas que
vieram a fazer diferença anos depois, mas na época eram meros iniciantes
engajados em projetos menores. Estamos falando de nomes como Larry Hama
(Wolverine) e Todd McFarlane (Spawn).
Felizmente, a Image e a Dreamwave deram um tratamento de
primeira ao retorno das séries, com três títulos para os Transformers
(Transformers, The War Within e Armada) e dois para
os Joes (G.I.Joe e Front Line), todos com bastante sucesso
comercial.
As histórias da Marvel dos anos 1980 para os dois grupos foram
relançadas em encadernações especiais. Quanto às séries de TV, os robôs
contam com cinco sendo exibidas hoje mundo afora, enquanto a tropa antiterrorista
tem apenas a original de vinte anos atrás, com um longa em computação
gráfica (Spy Troops - The Movie), a ser lançado em DVD ainda este
ano.
Na tela grande
No
cinema, os dois grupos tiveram os direitos comprados recentemente para
longas em live-action. O filme dos Joes, conforme rolam os boatos,
pode ser focado no personagem G.I. Joe original, o boina verde Joseph
Colton (o bom e velho Falcon aqui no Brasil), que viria a fundar o grupo
que conhecemos hoje, apenas com uma leve alusão aos Cobras.
G.I. Joe é um brinquedo tradicionalíssimo nos Estados Unidos há 40 anos,
tão conhecido quanto a Barbie, por exemplo.
Já os Transformers
estão nas mãos de ninguém menos que Tom DeSanto, responsável pelos roteiros
de Gladiador e dos dois X-Men. Segundo ele, os robôs serão
sua nova saga após o fim da trilogia dos heróis mutantes, mas o primeiro
Transformers pode ser lançado antes de X-Men 3, pois o diretor
Brian Singer pediu um tempo para fazer outro filme que não tenha relação
com quadrinhos.
DeSanto
está animado com a evolução dos efeitos especiais em CGI, o que permite
facilmente que um grande caminhão vermelho se transforme num robô gigante,
interagindo com atores em carne e osso. A história está sendo adaptada
dos quadrinhos da Marvel do início da série.
Nada foi falado sobre adaptarem algo de Transformers - O Filme
(que passou nos cinemas brasileiros) e G.I.Joe - O Filme, ambos
longas-metragens animados ligados aos desenhos da TV, praticamente os
pioneiros em usar vozes de gente conhecida na dublagem, como Don Johnson
(Miami Vice), Burgess Meredith (o Pingüim da série de TV do Batman
dos anos 1960), Leonard Nimoy (o Sr. Spock de Jornada nas Estrelas),
Eric Idle (do grupo humorista inglês Monty Python) e... Orson Welles!
Ele mesmo, o Cidadão Kane em seu último trabalho para o cinema,
fazendo a voz de um devorador de mundos (literalmente) que quer lanchar
o planeta metálico dos Transformers. Galactus manda lembranças...
No Brasil?
Voltando aos novos crossovers das revistas... e o lançamento no
Brasil? A Panini
vai lançar Transformers por aqui. Quem sabe, se der certo, eles
se animam também com os crossovers? Por enquanto, apele para a
Internet e seu cartão de crédito internacional (o site da Dreamwave
tem sua lojinha virtual) ou para sua importadora predileta. Boa chance
para exercitar seu inglês! Ou então espere para dar uma "sapeada" nas
convenções de fãs das duas coleções, que acontecem em São Paulo ainda
este ano.
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Marcelo Cypriano gosta
tanto dos personagens, que não pensa duas vezes antes de torrar seu cartão
de crédito com todo tipo de novidade. Duro é ter que fugir dos credores
depois...nessas horas, ele vira um Transformer!
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