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Fora-da-lei
Elas podem não ser o que se pode chamar de "politicamente corretas", usam e abusam do charme e sedução para sobrepujar os mais incautos e praticar roubos, assaltos e outras vilanias. Ah, mas quão irresistíveis são essas mulheres...
Selina Kyle, a estonteante Mulher-Gato, é uma das maiores expressões desse quesito. Ladra de primeira qualidade, para ela inexiste algo que não possa ser roubado. Eternamente apaixonada pelo Batman, já trocou ardentes beijos com ele, mas o frio Cavaleiro das Trevas parece não atender ao chamado do coração. Bem, se nem Vicky Vale conseguiu...
O que é de se espantar, pois até mesmo Thor não resistiu ao apelo da paixão, e protagonizou bem mais que cenas de beijos com uma vilã. Encantor, a feiticeira asgardiana, acalenta um secular amor pelo Deus do Trovão, o que não a impediu de tentar matá-lo nas ocasiões em que seu sentimento não foi correspondido.
Belas e mortíferas
Mulheres lindas e perigosas. Eis algo que não falta numa boa revista em quadrinhos. Ame-as ou deixe-as, mas saiba que sua vida jamais será a mesma depois de conhecê-las.
A eficiente policial Sara Pezzini, que combate as forças das trevas desde que recebeu a luva mística Witchblade, é uma adepta dos trajes sumários, daqueles de tirar a atenção do leitor. Não é à toa que despertou lascívia em vários de seus inimigos, antes de derrotá-los, o que tem se mostrado uma arma tão poderosa quanto o próprio artefato que utiliza.
Sonja, a guerreira ruiva que já travou batalhas ao lado do cimério Conan, não possui poderes especiais, além de uma exímia habilidade com sua espada forjada em aço hirkaniano. Muitos já tentaram, mas nenhum homem até hoje conseguiu derrotá-la numa peleja ou aquecê-la em seus braços. Sua primeira aparição causou tanto impacto, que os leitores pediram bis. A linda bárbara de cabelos de fogo acabou ganhando até uma revista própria.
Outra conhecida femme fatalle é a ninja Elektra. Quando morreu pelas mãos do Mercenário, causou a tristeza não só de Matt Murdock, o Demolidor. Muitos fãs sentiram falta da curvilínea lutadora. Por sorte, nas histórias em quadrinhos as mortes não são eternas, e Elektra Natchios voltou a atuar com seu minúsculo "uniforme de trabalho".
E já que o assunto é morrer, a perpétua Morte, irmã de Sandman, é definitivamente uma visão bem melhor de se apreciar do que sua contraparte da turma do Penadinho, a Dona Morte. Embora não haja leitor que resista às hilárias histórias da personagem criada por Mauricio de Sousa, a "outra" certamente já entrou para a galeria das musas das HQs, com seu corpo sensual e jeito de ninfeta. Esperar a morte nunca pareceu tão prazeroso.
E vê-la de perto também é o mesmo que conhecer Mirza, a escultural vampira criada por Eugênio Colonnese, que fazia vítimas em qualquer lugar do mundo, mas que encontrou no clima tropical do Brasil o cenário ideal para suas orgias regadas a sangue.
Não menos letal, Vampirella aportou na Terra na década de 1960 e tornou-se cult. Concebida por Forrest J. Ackerman, foi por meio dos desenhos de Frank Frazetta que os fãs passaram a desejar ser atacados por esta bela personagem. Em meados dos anos 90, a voluptuosa vampira protagonizou um crossover com a Mulher-Gato (sem maiores pretensões, mas agradável por trazê-la de volta em páginas inéditas).
Agouros, mau-olhado e feitiços sob encomenda
As bruxas são muitas e estão à solta nos quadrinhos. As revistas Disney, possivelmente, são seu maior reduto. Maga Patalógica, sempre tentando se apoderar da moedinha nº 1 do Tio Patinhas, e Madame Min, buscando conquistar o coração do Mancha Negra, são as mais famosas. Juntas, já foram as principais atrações de títulos como Disney Especial e Edição Extra, além de protagonizar almanaques próprios.
 Alcéia e sua sobrinha, Meméia, infernizavam a vida do espantalho Palhinha e da Pobre Menininha (caracterizada por ninguém menos que Luluzinha, nas histórias que ela contava para acalmar o agitado Alvinho). Maléficas, mas engraçadas, as duas bruxas tiveram seu merecido sucesso por mais de duas décadas, enquanto durou a revista da pequena Lulu.
Divertida e inofensiva era Hazel, criação de Will Eisner, que costumava aparecer nas antigas aventuras de Spirit. A velha bruxa, mesmo com séculos de vida e um pouco debilitada, ainda possuía alguns poderes. O problema é que ninguém acreditava nisso.
Já Morgana Lefey, também secular, possuía poderes inimagináveis, era de uma beleza física desconcertante e foi uma das grandes atrações da cultuada série Camelot 3000, em que infernizou a vida do Rei Arthur e todo o séqüito da Távola Redonda. Que Merlin a mantenha afastada de todos nós...
Realeza
Na esteira do sucesso do desenho animado, She-Ra ganhou sua própria revista no Brasil, totalmente produzida por artistas nacionais. Voltada para o público infanto-juvenil feminino, a Princesa do Poder, irmã de He-Man (outro sucesso da TV e dos quadrinhos), vivia num mundo de fadas, elfos, cavalos alados e bruxas malvadas.
Da mesma forma, Ametista foi uma aposta da DC Comics para esse público. Uma garotinha que se transformava em mulher ao atravessar um portal que a levava a outra dimensão, e ali passava a ser uma princesa que guiava seu povo contra forças do mal que haviam dominado o reino.
Mas, indiscutivelmente, a mais interessante dessa turma da monarquia foi Cleópatra, que iluminou as páginas de dois álbuns de Asterix, em um deles como protagonista. Reza a História que a rainha do Egito possuía um nariz avantajado, mas Uderzo e Goscinny caracterizaram este como sendo a sua parte mais bela. "Que lindo nariz!", diziam a todo instante os famosos gauleses da aldeia irredutível.
As meninas
Os quadrinhos seriam menos divertidos sem essas pequenas notáveis, que há gerações acompanham os leitores mirins em diversos países. Rainhas da diversão, elas foram e continuam sendo, de uma vez por todas, a redenção das mulheres no mundo do papel e da tinta.
Afinal, onde mais uma menina baixinha, gorducha e dentuça nocautearia vários meninos de uma só vez, com um coelho de pelúcia encardido, tornando-se a dona da rua? Mônica é assim. Meiga, mas ranzinza; frágil, porém extremamente forte.
E força é o que não faltava à sardenta Bolota, que ao lado de sua amiga Brotoeja (colecionadora de tudo que tivesse a forma de uma bola), aprontava muita traquinagem em seu próprio gibi, lançado aqui pela RGE, ou dividindo as páginas da revista Riquinho.
Sem superforça, mas dotada de muita astúcia, Luluzinha é puro cérebro. Que venham as provocações do Bolinha e as maquinações da turma para pegá-la desprevenida numa guerra de bola de neve. No final, sempre de forma inteligente, a garota reverte as situações desfavoráveis. Sua criadora, Marge Henderson Buell, é considerada a pioneira do sexo feminino nos cartoons.
Entretanto, inteligência por inteligência, ninguém ultrapassa a surpreendente Mafalda. Nascida na Argentina nos anos 60, a contestadora e inconformada garotinha foi a política voz dos contrastes sociais do terceiro mundo. E, além de tudo, era engraçada como uma boa personagem de humor deve ser.
No fantástico mundo feminino das HQs, é possível ainda acompanhar Lady Death aos portais do Valhalla; ou, então, ser ameaçado pela siliconada Barb Wire e sobreviver incólume; ao mesmo tempo amar e temer Danger Girl; até implorar para ser dominado pela Rainha Branca, Emma Frost; quem sabe, gastar todo o dinheiro em melancias para a Magali; perder os sentidos ao beijar a Vampira; morrer ao simples toque na pele macia de Hera Venenosa; renascer das cinzas com Jean Grey; virtualmente amar a Video Girl Ai-Chan; voltar à Guerra Fria com a Viúva Negra; posar para Alícia Masters; redefinir as probabilidades com a Feiticeira Escarlate; singrar os Sete Mares ao lado de Bêlit; ajudar Brigite a casar-se com um certo pato muquirana; enciumar-se com a gaulesa Falbalá; talvez brincar de vigilantismo com a Gata Negra nos telhados de Manhattan; socorrer Olívia Palito das garras de algum vilão; render-se aos encantos de Justine; chorar, com Tex, pela morte da índia Lilyth; assustar-se com Irina, a bruxa; percorrer a Londres setentista com Chastity; combater criminosos com a Batgirl; ver a luz de Adaga; fugir do perigo junto à Bad Kitty; admirar as pernas de Fairchild; enlouquecer com Arlequina; sonhar molhado com Maria Erótica; gozar com Wicked Wanda; viajar com Barbarella a algum planeta distante; divertir-se com Blondie; subir ao Céu com Ângela; ensinar mágicas a Narda; voar, para o alto e avante, com a Supergirl; escandalizar-se com a Pro; ir a uma festa beneficente com Minnie e Clarabela; encarar as curvilíneas inimigas do Spirit; e muito, muito, muito mais!
Afinal, se enveredar pela miríade de possibilidades das revistas em quadrinhos já é uma experiência gratificante, com uma presença feminina, então, é atingir o nirvana.
Marcus Ramone, como bom cavalheiro que é, sabe que mulher odeia ser esquecida. Por isso, pede desculpas àquelas que não foram citadas neste artigo.
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