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Natal macabro
Não
só os quadrinhos infantis entraram no clima de natal. Outros gêneros de
HQ já produziram histórias nada aconselháveis a estômagos mais sensíveis.
Assim foi no gibi Calafrio # 49 (D-Art Editora, 1992), que
apresentou a tétrica O homem que queria matar o natal. A história
ia de encontro a tudo que se estava acostumado a ver em matéria de quadrinhos
natalinos.
Na edição especial Lobo versus Papai Noel (Editora Metal Pesado,
1996), o último czarniano simplesmente matou o bom velhinho. E o mais
pitoresco disso tudo é que o assassinato foi encomendado pelo... Coelhinho
da Páscoa.
Em Spawn # 38 (Editora Abril, 1998), a Cria do Inferno estrelou
o assustador Um conto de Natal, no qual até que pratica algumas
veladas boas ações para dois garotos, mas não sem antes fazer jorrar o
sangue de alguns infelizes ladrões.
Vertigo
Inverno, publicado pela Opera
Graphica, também apresentou histórias de terror/fantasia cujo
cenário era o gelado natal dos Estados Unidos. Com muito susto, sangue
e morte.
Mas os super-heróis deram sua contribuição para mudar esse clima macabro,
embora o resultado às vezes tenha sido de gosto um tanto discutível.
Em 1983, a Abril lançou Grandes Heróis Marvel # 2, apresentando
o Natal do Homem-Aranha e outras histórias natalinas estreladas
por Luke Cage, Coisa e Vingadores. A edição é hoje um clássico disputado
por colecionadores, mesmo com seus roteiros não muito felizes e mostrando
cenas toscas como a dos fantasiados e coloridos heróis jogando bolas de
neve uns nos outros - imagine um "mastodonte" como o Hulk numa singela
brincadeira com Namor!
Mas não pára por aí: em Liga da Justiça # 2 (Panini
Comics, 2003), o Homem-Borracha fez torcer o nariz dos leitores
com uma aventura natalina bastante inusitada, cujo final leva a crer que
o Papai Noel realmente existe no Universo DC. Ou, pelo menos, ficou
a dúvida se não foi o Caçador de Marte que aprontou uma brincadeira com
o "borrachudo".
Este
ano, a Opera Graphica lançou por aqui, em Batman
Saga # 7, a história A noite em que Batman descansou, na
qual, em plena véspera de natal, o Morcego canta músicas natalinas com
o coral da polícia de Gotham.
Para os fãs do Morcegão há ainda Wanted: Santa Claus-Dead or Alive
(nota: publicada no Brasil no especial As Várias faces de Batman,
em 1989, pela Abril), HQ escrita por Denny O´Neil e desenhada pelo
então novato Frank Miller.
Especiais em baixa
É certo que ainda se vê histórias avulsas sobre o natal, atualmente. Além
disso, os escassos gibis infantis não deixam de retratar o tema em suas
capas, no final do ano. Mas as coletâneas temáticas estão cada vez mais
raras.
"Natal
sempre foi época de as editoras lançarem edições especiais. Eram presentes
muito cobiçados pelas crianças. Hoje, elas achariam ridículo ganhar algo
assim", opina Primaggio Mantovi.
Entretanto, Mônica Especial de Natal, cuja sétima edição está nas
bancas já há algumas semanas, tem ajudado a manter acesa a tênue chama
das HQs natalinas. O título, composto só por republicações, amargou três
anos no limbo até retornar em 2003. O que leva a uma triste constatação:
durante esse período, simplesmente nenhum gibi especial de natal foi publicado
no Brasil!
Mas a baixinha dentuça reservou outra grata surpresa para este fim de
ano. Trata-se de Mônica - Natal com a turma, no formato magazine,
com mais de 100 páginas em papel couché, e somente com histórias
inéditas.
Emir
Ribeiro, criador da super-heroína Velta e defensor ferrenho dos quadrinhos
nacionais, apóia essas iniciativas e diz que o mercado brasileiro merecia
mais edições desse tipo, todo ano, só com produções tupiniquins.
"Nos anos 60, havia editoras especializadas em revistas com criações brasileiras.
É preciso habituar o leitor a ver e ler coisas nossas, assim como se acostumou,
há décadas, a apreciar material vindo de fora", diz Emir.
Não custa esperar que a nova onda de HQs infantis que está invadindo o
mercado (Hanna-Barbera e Looney Tunes, pela Panini;
Menino Maluquinho e outros, pela Globo) ajude a reviver
os áureos momentos dos especiais natalinos.
Enquanto isso não acontece, vale aproveitar o pouco que ainda circula
nas bancas.
Boa leitura e um feliz natal!
Marcus Ramone jura que é mentira, mas "fontes seguras" afirmam que
ele colocou sob sua árvore de natal uma carta para um certo velhinho,
pedindo a volta desses especiais de quadrinhos
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