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Capitão Gancho, na versão Disney, também é um pirata de poucos recursos intelectuais. Seu imediato, o gago Barrica, nivela-se nesse quesito. Na Terra do Nunca ou costeando Patópolis, os dois são garantia de diversão nas situações mais toscas. Panca de maiorais Existem aqueles chatos, metidos a sabe-tudo, mas que não passam de idiotas.Um dos mais novos desse clube é Johnny Bravo. Após o sucesso no canal Cartoon Network, o narcisista e marombado conquistador barato estreou em HQ, no Brasil, na revista Cartoon Cartoons (Editora Abril, 2002). Trilhando o mesmo caminho do canal para o gibi, a besta-quadrada Babão faz jus ao nome e constrange a espécie dos macacos babuínos. Bibelô, de Angeli, é uma versão brasileira e mais antiga de Johnny Bravo. Estrelando diversas tiras da saudosa Chiclete com Banana, era ainda mais rude e simplório que seu colega americano.Mais ameno nessa área era o Parceiro, da turma da Pata Lee (quadrinhos Disney produzidos no Brasil e que eram publicados na revista Zé Carioca nos anos 90). O bonitão do pedaço provocava suspiros das garotas de Patópolis, mas não dizia uma frase com metade das palavras aproveitáveis. Patolino, entretanto, é o maior de todos. Abusado, se acha o dono da verdade e vira saco de pancadas do coelho Pernalonga. É fácil de se ludibriar, basta ter paciência de ficar ao seu lado por alguns segundos. Um dos mais engraçados, sem dúvida, é o bardo Chatotorix, o mais insuportável da Gália. Sempre presente nas aventuras de Asterix, ele se acha o tal. Sua voz desafinada, entretanto, apavora homens e animais, quebra vidros e azeda o leite. Ao fim de cada história, enquanto todos comemoram com um farto banquete, o menestrel fica amarrado e amordaçado a uma árvore para não tentar estragar a festa cantando. Com todas as letras, é um boboca que não percebe o baixo grau de seus dotes artísticos. Merv Pumpkinhead, zelador do Sonhar - o reino de Sandman -, não se conforma com a condição de mero empregado, e inventa mil maneiras para se sobressair em outras áreas. Já deu até uma de agente secreto, numa minissérie lançada aqui pela Opera Graphica. Suas bobagens e a própria aparência de abóbora, porém, lhe conferem um lugar de destaque entre os patetas dos quadrinhos. A comédia corporativa de Dilbert (personagem de Scott Adams) é modelo de não-comportamento nas empresas de todo o mundo. Nerds e medíocres, ninguém se salva naquele ambiente de trabalho. Do cão Dogberto ao personagem título, passando pelo incompetente Chefe e o cínico Wally, todos têm desempenho abaixo da média; e só pensam em coisas banais (como a melhor forma de se mexer o café). Mas nem todos são chatos. Os estúpidos Mushu (o dragãozinho de Mulan) e Sebastião (a estabanada lagosta de Ariel, a pequena sereia), ambos da Disney, são boas-praças cujo único defeito (além da estupidez) é terem uma auto-estima tão elevada que se acham indispensáveis como tutores e protetores das garotas.Fauna e afins Eles são irracionais e não são caracterizados como humanos, como outros personagens animais. Nem por isso se pode deixar de julgar sua burrice.A espécie canina tem fortes representantes. Oddie, "amigo" por contingência de Garfield, pode não ser o mais conhecido, mas lidera este ranking. Nenhum outro é tão massacrado física e psicologicamente por um gato e permanece com um escancarado e idiota sorriso de satisfação. Entretanto, é seguido de perto por Rantanplan, mascote da penitenciária que aprisiona os Irmãos Dalton. O que o diferencia de Oddie é sua habilidade para articular pensamentos. Bobos, mas, ainda assim, pensamentos. Outro que sofre nas patas de um gato é Satchel, um cãozinho inocente e passivo, alvo das agressividades de Bucky. Os dois são atrações de Get Fuzzy, recente série de tiras surgida nos Estados Unidos e concebida pelo jovem autor Darby Conley.Pluto, por sua vez, sempre leva a pior em seus passeios pela cidade ou pelo campo. Encontra outros animais que demonstram mais inteligência e arrisca a vida ou perde seu osso preferido em suas aventuras. Isso quando não importuna seu dono, Mickey, com latidos irritantes. Já Scooby-Doo (que nos quadrinhos brasileiros teve seu nome "adaptado" para Scubidu) tem um pouco mais de trejeitos humanos, embora seja um "bicho-grilo" com uma certa deficiência de intelecto. É o reflexo de seu dono, Salsicha (curiosamente, chamado de Barbicha nas histórias publicadas pela RGE e Editora Abril), um divertido imbecil que só consegue pensar em sanduíches e biscoitos caninos.Da mesma família saiu Scubidão, o primo dentuço e bonachão, ainda mais atrapalhado que o outro. Dinamite, o bionicão, foi um sucesso da TV que surgiu em 1976 e, pouco depois, estreou nos quadrinhos com o mesmo brilho. Apesar de ser um robô, seu cérebro artificial não lhe garantiu nenhuma inteligência privilegiada. É um dos raros andróides idiotas das HQs (categoria em que também se pode incluir o alienígena tecnorgânico Warlock, ex-membro dos Novos Mutantes, antiga equipe de adolescentes mutantes da Marvel). A Hanna-Barbera ainda produziu outro cão paspalho, Penugem, o gigantesco e desastrado bichinho de estimação de uma pacata família. O inofensivo urso Colimério estreou num desenho animado em que o Pato Donald o caçava num parque florestal. Atrapalhado, medroso e muito burro, nos quadrinhos o animal vive no bosque às margens do sítio da Vovó Donalda, de quem costuma roubar as deliciosas tortas de maçã que ficam esfriando na janela.Mais conhecidos nas telas de cinema e TV, o Coiote e Taz, o Diabo da Tasmânia, também tiveram versões para os quadrinhos publicadas no Brasil. Devido a características mais apropriadas para os desenhos animados, à base de muito som e impacto visual, as situações cômicas não funcionavam tão bem nas HQs. Mas isso não impedia os fãs de encontrar boas histórias desses debilóides. Os felinos dos quadrinhos também têm seus idiotas. A começar pelo(a) mais antigo(a) deles, o(a) controvertido(a) Krazy Kat, de sexo indefinido e que adorava levar as tijoladas na cabeça que o rato Ignatz (sua paixão) insistia em lhe dar. Surgiu em 1911, da mente criativa de George Herriman e, após a morte do autor, não teve mais continuidade.Também antigo é o Gato Félix, criado pelo australiano Pat Sullivan e cuja primeira aparição foi num curta metragem chamado Feline Follies, em 1900! Nos quadrinhos, ele estreou em 1923 e podia não ser um completo burro, mas irritava seus coadjuvantes com piadinhas e brincadeiras idiotas. Tom e Frajola, outros felinos bitolados, só têm um objetivo na vida: capturar e engolir, respectivamente, o rato Jerry e o canário Piu-Piu. Os hematomas adquiridos ao fim de cada tentativa não os demovem do intento.Os dois sempre foram garantia de boas vendagens de gibis. O título Tom & Jerry - Série Papai Noel, editado pela Ebal nos anos 50, foi um dos mais vendidos da história dos quadrinhos brasileiros. Até alguns meses, a dupla continuava nas bancas em uma edição mensal da Abril, recentemente cancelada. Quanto a Frajola e Piu-Piu, a revista também já teve seus momentos de glória nos anos 70 (pela RGE e Abril) e, depois, no final da década de 90 (novamente pela Abril, em edições com papel de luxo e formato americano).Ainda há Batatinha e Gênio, os integrantes mais bobos da turma do Manda-Chuva; Pacato, que antes de se transformar em Gato Guerreiro (parceiro de He-Man) é uma criatura idiota; e Fat Freddy Cat, que fez ponta na série dos Freak Brothers e deixou saudades. Mas, sem contestações, o maior destaque nesse quesito é o dorminhoco e preguiçoso Garfield, do cartunista Jim Davis. Apesar dos lampejos criativos para conseguir comida de seu dono (o parvo Jon Arbuckle), o cérebro do gato só formula pensamentos que contenham lasanha, cama quentinha e nocividade contra Oddie. Trata Pooky, seu ursinho de pelúcia, como se fosse vivo, e a ele confidencia seus problemas.Animais bobões não faltam. Ran, do brasileiro Salvador, é uma rã que não reconhece sua condição de simples batráquio. Ao querer agir como humano, sofre os mais engraçados revezes. O ratinho Espeto, primo de Jerry, só não é pego por Tom devido às intervenções providenciais de seu parente. O pequenino não tem a mínima noção dos perigos a que se sujeita ao sair desprotegido pela casa, e muito menos percebe que está correndo riscos. Até entre os dinossauros há idiotas. Tecodonte, criado por Mauricio de Sousa, é um desses. Muito diferente de seu grande amigo, o filósofo Horácio. Loucos de pedraHistórias com esses malucos sempre rendem boas gargalhadas. Alguns, verdadeiramente loucos (daqueles que precisam urgente de internação num manicômio); outros, vítimas de uma "chapação" desvairada. Todos, porém, muito idiotas. O Louco, personagem de Mauricio de Sousa que vive a atormentar o Cebolinha em situações pra lá de surreais, faz tanto sucesso no Brasil que, de vez em quando, ganha almanaques especiais em parceria com o garoto. Baytor, um demônio que vivia numa torre do Inferno gritando "Eu sou Baytor" uma vez por segundo, apareceu no ano passado na revista Hitman (Brainstore). É impossível não explodir em risos quando esse idiota surge repentinamente bradando a mesma frase e irritando quem estiver por perto. O ser demoníaco ganhou a simpatia dos leitores desde então, e agora faz parte do elenco regular do título. Capitão Douglas (criado por Laerte) mantém até um cavalo dentro do apartamento, sem contar o fato de se vestir como um oficial do começo da República.Quanto ao Vovô Fracolino, avô do Carequinha e da Aninha (turma da Lulu), é um decrépito que não pode ser deixado sozinho, sob o perigo de aprontar peraltices de criança. É divertido e carismático, mas dá um trabalho danado para os garotos. Os Irmãos Warner, da série de TV Animaniacs, aportaram nas bancas brasileiras em 2002, na revista Pinky & Cérebro (Editora Abril). As esquisitices e situações malucas continuaram as mesmas, mas, infelizmente, o gibi durou apenas seis edições. No canal Cartoon Network, porém, os personagens continuam aprontando das suas. O legionário Salamix é um caso à parte. Antes, era mentalmente são, mas depois de levar uma pancada na cabeça virou um imbecil. A própria fisionomia abobalhada que adquiriu, aumentou mais a carga cômica do personagem. Lerdo e com sérias dificuldades de compreender simples determinações do centurião, ele foi um dos coadjuvantes do álbum Asterix na Córsega. Ao fim da aventura, entretanto, voltou ao normal. Folião, da Turma da Pata Lee, é pouco conhecido, mas estreou num desenho animado Disney ainda na década de 1940, contracenando com Donald e Zé Carioca. Revivido no Estúdio Disney da Abril, tornou-se muito querido pelos fãs. Este, não há dúvidas, é um dos maiores doidos varridos das HQs.Seguindo a lista, ainda há o Máskara (que por aqui já fez crossovers malucos com Batman e Lobo), e o palhaço Risadinha (da Turma do Lambe-Lambe, inesquecível criação de Daniel Azulay). Passando para os que sofreram os efeitos nefastos de misturas químicas, a barata Flit (de Fernando Gonsales) é uma preciosidade. Única no mundo viciada em naftalina, não fala nada que se aproveite. Caso raro de "porra-louquice" entre os insetos.O paranóico Doy Jorge, outra criação "viajandona" de Glauco, anda com dois amigos também nada recomendáveis, Grinfa e Carreira, aprontando as maiores "paradas" num fusca velho ou em algum banheiro. O que sai daquelas mentes nesses momentos mágicos é simplesmente hilário. Mas isso é fichinha para as maluquices dos Freak Brothers (Phineas Phreak, Freewheelin' Franklin e Fat Freddy), uns dos ícones supremos do underground mundial, cujo "pai" é o cultuado quadrinhista Gilbert Shelton. Definitivamente, antes ou depois desse trio de tapados, as HQs nunca produziram drogados tão imbecis (ou seriam imbecis tão drogados?). |