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Cientistas pirados
Pode soar paradoxal que gênios da Ciência, com mentes brilhantes e inteligência acima da média, constem de uma lista de idiotas. No entanto, que outra alcunha poderia ser imposta a indivíduos distraídos, atrapalhados e capazes de criar geringonças ridículas que muitas vezes não servem para nada?
O Professor Girassol, nesses pontos, se encaixa como uma luva. Some-se a isso uma pequena deficiência auditiva, e as situações engraçadas são garantidas nas aventuras de que faz parte nos álbuns de Tintim.
Dr. Engano (das histórias do milionário Riquinho) não se diferencia muito. Suas invenções até que apresentam alguma utilidade - embora risível -, mas só trazem transtornos aos usuários. É também um desastrado incorrigível.
O maior representante dos cientistas malucos é o Professor Pardal, criado pelo mestre Carl Barks. Não só é o inventor das máquinas mais esquisitas, ridículas e inexplicáveis das HQs, como tem dois dos métodos mais idiotas de se buscar inspiração: o chapéu-pensador, um pequeno telhado com um ninho onde se encontram dois pássaros; e o pior, uma marreta com a qual atinge a própria cabeça.
Grandes e burros
O estereótipo de grandalhões de pouco cérebro é recorrente nos gibis. Quanto maiores, mais burros e mais diversão para os leitores.
Diretamente da irredutível aldeia gaulesa, Obelix reina entre os mais queridos. Quando criança, o fiel companheiro de Asterix caiu no caldeirão de poção mágica do druida Panoramix, adquirindo superforça. Hoje, é um brutamontes glutão temido pelo exército romano e que, muitas vezes, tira a paciência de seu amigo nos freqüentes surtos de burrice. Possui um cérebro minúsculo, mas um grande coração.
Bebê, integrante do inesquecível Esquadrão Atari (publicado no Brasil pela Editora Abril nos anos 80, na extintas revistas Heróis em Ação e Superamigos), não era assim só no nome. Alienígena com um tamanho descomunal, era a mascote e um dos membros mais poderosos do grupo, embora não passasse de um nenê chorão - literalmente.
Outro nas mesmas condições era o Bebê Gnu, que fez parte dos Novos Titãs por um breve período. Adotado pelos heróis ao ser tirado das garras do Gnus (inimigos ferrenhos da superequipe), a criatura tinha o tamanho de uma criança de poucos anos de vida, mas transformava-se num gigantesco e selvagem ser quando provocado, e conservava sua infantilidade.
A Image Comics, nos anos 90, apresentou alguns desses gigantes debilóides. Marreta, dos WildC.A.T.s, pode aumentar consideravelmente sua massa muscular, mas perde a inteligência na mesma proporção; Bedrock, do Youngblood, é idiota sem precisar mudar seu já descomunal tamanho; e Revanche, aliado de Glory, chega a ser hilário quando, ao aumentar de estatura, às vezes esquece que se encontra no meio de uma luta.
Quase desse jeito era Balbúrdia, da Geração X do Universo 2099 (saudosa linha alternativa da Marvel Comics).
No mesmo caminho, Bafo Printwhistle, o gângster de Fawcwet City (cidade do Capitão Marvel - DC Comics), falava o nome Ibac e se transformava no robusto vilão, sob o preço de perder um pouco de sua, digamos, desenvoltura intelectual.
O gigante (com todas as letras) Miudinho, criação de Alfred Harvey, era presença constante na revista Brasinha, que foi publicada pelas editoras O Cruzeiro, Vecchi e RGE do início dos anos 60 até o começo dos 80. Boa-praça, era o protetor da cidade de Mimosópolis e tinha uma ingenuidade cativante.
Rude, beberrão, medroso e pouco afeito a pensar demais. Esse é o volumoso Volstaag, um dos "deuses" de Asgard. Atração das mais bem-recebidas nas histórias de Thor (Marvel), quando vem à Terra se mete em cômicas situações, graças ao seu raciocínio de freqüentador de taverna.
Lobo, o último czarniano (o sujeito dizimou toda a população de seu planeta natal), é grotesco, assassino, sádico, mal-educado, desumano, mal-humorado e pra lá de cruel. Como se não bastasse, também não é muito inteligente. Isso o torna, necessariamente, o maior flagelo das histórias em quadrinhos.
Muito parecido com Ranxerox, o andróide carniceiro e tarado sexual criado pelos italianos Stefano Tamburini e Tanino Liberatore. O personagem, polêmico no mundo normal e festejado no underground, só pensa em matar e fazer sexo. É comum sofrer alguns estragos em sua programação, mas não precisa disso como desculpa para ser um "tontão".
Drax é um monstro verde dotado de força descomunal, poder de vôo e... cérebro diminuto. Sua mente é facílima de ser manipulada, como aconteceu recentemente no gibi Quarteto Fantástico & Capitão Marvel (Panini Comics). É o elemento de humor em qualquer história que participe.
Frank, da Turma do Penadinho, também é verde e forçudo. O Frankenstein
de Mauricio de Sousa desfila um verdadeiro festival de besteirol em suas
aparições esporádicas. Uma das melhores aconteceu em Mônica # 113 (Editora Globo, 1996). Os sobrinhos do Penadinho procuravam um lugar vazio e espaçoso para brincar de assombração. Acabaram encontrando a cabeça de Frank, ao avistá-lo se enroscando nos cadarços de seus sapatos quando tentava amarrá-los.
No entanto, o monstrengo esverdeado mais famoso de todos os tempos é, indiscutivelmente, o incrível Hulk. A criação de Stan Lee já passou por diversas mudanças, ora um idiota, ora conservando a mente do brilhante cientista Bruce Banner após a transformação. Atualmente, o Golias Verde voltou às origens: está burro, incontrolável e muito perigoso. Tudo ao gosto dos amantes da destruição e selvageria.
Por fim, do fundo dos esgotos para os quadrinhos surgiu o Rato Rutter (de Fernando Gonsales), uma aberração forte, estúpida e divertida das tiras de Níquel Náusea.
Ingênuos
Alguns deles cativam o leitor, de tão ingênuos que se mostram. São apenas meigos personagens que não causam maiores conseqüências com suas faculdades mentais limitadas.
Afonsinho, amigo do Zé Carioca; Eddie Sortudo, companheiro de aventuras de Hagar, o horrível; Leitão e Bisonho, da turma do ursinho Pooh; Dunga, dos sete anões; Abel, irmão de Cain e morador do reino de Sandman; Cícero e Heitor, dois dos três porquinhos que sempre caem na conversa do Lobão; Frangão, o goleiro ruim de bola do time do Pelezinho; Gaguinho, da galera do Pernalonga; Tutubarão, o peixe baterista de uma banda de rock; Mo, do bar de Springfield, vítima constante dos trotes de Bart Simpson; Quindim, o rinoceronte do inesquecível gibi Sítio do Picapau Amarelo; o garoto Marcha-Lenta, da equipe de mecânicos do Senninha; Peçanha (da hilária tira de Laerte), que só quer agradar o vizinho Trancoso; o patinho Duque, da Hanna-Barbera; Tenente Escovinha, hierarquicamente acima do Recruta Zero, mas abaixo dele em Q.I.; o índio Cafuné, de Mauricio de Sousa; Joel, companheiro de traquinagens do Pimentinha; Bibo Pai e Bóbi Filho; e até o debilóide Recruta Biruta, todos são tipos simpáticos que atingem muitos graus na escala de asneiras, sem grandes traumas.
O problema é quando outros desses ingênuos chateiam, machucam, causam confusão e coisas menos desejáveis.
Aí se encaixam o Smurf Brincalhão; o míope e inconseqüente Mr. Magoo; o glutão Pancinha, dos ursinhos Gummi, por sua falta de treino em magia; Pinky e Cérebro, dois ratos de laboratório com mania de grandeza e a fim de dominar o mundo; o azarado Boinifácio, uma das últimas criações brasileiras para a Disney; o índio Mata-a-si-próprio, elemento de humor nas páginas do fumetto bonelliano Mágico Vento e que faz tudo ao contrário; Dom Pixote, que encarna todos as profissões possíveis nas histórias e sempre apronta poucas e boas; Zé Grandão, bastante sugestionável e, aliando isso à sua força, um perigo para os animais da floresta quando fica bravo (embora não seja páreo para a astúcia do coelho Quincas); e o pato OK Quack, um alienígena que aparecia nas histórias do Tio Patinhas e procurava entender os terráqueos.
Mas alguns merecem uma atenção maior. É o caso de Dentinho, soldado do Quartel Swampy e coadjuvante das aventuras do Recruta Zero. A comparação lógica e rápida entre ele e um asno se faz necessária para tentar decifrar esse ser desprovido de inteligência. Ninguém nas HQs entende as coisas tão ao pé da letra como esse amável dentuço. Sem dúvida, um dos melhores personagens de Mort Walker, cujo nome original (em inglês), curiosamente, é Zero!
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Zacarias, dos Trapalhões, sobressaía-se no gibi em meio aos outros três paspalhos. A ingenuidade e o jeito desengonçado dessa figura era uma grande atração da revista, mas não foi bem aproveitada quando passou da Bloch Editores para a Abril, no final dos anos 80 e se tornou uma criança.
Uma das maiores duplas cômicas de todos os tempos, Stan Laurel e Oliver Hardy, conhecidos no Brasil como o Gordo e o Magro, ganharam um desenho animado produzido pelos estúdios de Hanna-Barbera. Pouco tempo depois apareceu o gibi, publicado aqui pela Abril, em 1975. Apresentando situações mais tresloucadas que nos filmes, as histórias cumpriram muito bem o papel de apresentar os comediantes às novas gerações.
Mais um paspalho egresso das telas de cinema deu as caras nas bancas brasileiras, em título próprio lançado pela Ebal, nos anos 60. Jerry Lewis, o famoso comediante norte-americano, virou um personagem de quadrinhos tão imbecil como aqueles que caracterizava em seus filmes.
Patetosco, recente personagem Disney que estreou no Brasil no gibi Mickey X # 1 (Editora Abril, 2003), é um lobisomem camarada, amigo dos animais e que acompanha e guia o rato detetive no Mundo do Impossível. Em algumas ocasiões, porém, o avoado sósia do Pateta é que precisa ser vigiado para não se meter em encrencas.
Fradinho Comprido, um dos dois "fradins", genial criação do saudoso Henfil, acreditava que o Baixinho tinha salvação. O pequenino e sacana franciscano, todavia, o chateava, xingava e se aproveitava de sua ingenuidade.
As tiras dos personagens chegaram a ser publicadas nos Estados Unidos, mas por pouco tempo. Os leitores daquele país consideraram o material ateísta e contra o american way of life. Típico!
Pouco conhecido pelo grande público, o garoto Nico Demo, impressionante personagem de Mauricio de Sousa surgido em meados da década de 1970, nunca foi editado em gibis, somente em tiras de jornal.
Sempre querendo ajudar as pessoas, o menino só aprontava confusões, pois não pensava muito no absurdo de suas idéias. Como quando, tentando salvar alguém de um afogamento, jogou uma bóia na cabeça da vítima, que acabou desmaiando e, conseqüentemente, se afogando.
Tiradas como essa, cheias de humor negro, fizeram com que cartas de reclamação chegassem aos jornais. Assim, Nico Demo desapareceu de vez dos quadrinhos, até retornar no ano passado, numa coletânea lançada pela Editora Globo.
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