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Novo álbum de Art Spiegelman é lançado pela Companhia das Letras

Por Marcelo Naranjo, sobre o Press Release (21/09/2004)

À Sombra das Torres AusentesArt Spiegelman, o autor de Maus, que vendeu quase dois milhões de exemplares nos Estados Unidos, volta aos quadrinhos com uma crítica mordaz ao governo Bush e à paranóia que tomou conta dos americanos após o 11 de setembro.

Único autor de quadrinhos a ganhar o prêmio Pulitzer, Spiegelman ficou conhecido por sua visão singular sobre o holocausto em Maus #1 e #2, que a Companhia das Letras vai reeditar em 2005 num único volume.

Depois de um longo período trabalhando com ilustrações para capas de revistas, histórias breves e livros infantis, À Sombra das Torres Ausentes (formato 25,4 x 35,6 cm, 40 páginas, R$ 78,00) é o primeiro livro de quadrinhos lançado por Spiegelman desde Maus.

Traumatizado pelo atentado de 11 de setembro e indignado com a política de Bush após a tragédia, o artista volta aos quadrinhos para tentar entender e explicar o que se passava com os americanos.

No dia anterior aos ataques, 10 de setembro de 2001, o criador e sua mulher, Françoise Mouly, editora de arte da revista The New Yorker, matricularam a filha numa escola situada aos pés do World Trade Center. Quando viram na televisão a primeira torre ser atingida pelo avião, foram desesperados ao encontro de Nadja e conseguiram encontrá-la pouco antes que a torre norte desabasse, por trás deles.

Em seguida correram para pegar o outro filho, Dashiell, na escola das Nações Unidas. Essa experiência angustiante está retratada em detalhes no livro.

Assim como em Maus, Spiegelman trata magistralmente do impacto de traumas da história contemporânea em sua vida pessoal. Mas vai além de sua experiência individual e faz uma reflexão sobre as razões e os desdobramentos dessa tragédia que vitimou quase três mil pessoas e permitiu ao governo americano justificar uma guerra contra o Iraque.

O formato escolhido para as pranchas - cada história em páginas duplas - é o mesmo das primeiras HQs publicadas em jornal, no fim do século XIX. Foi nessas velhas e despretensiosas tiras que o artista encontrou alívio depois do 11 de setembro. Por isso, na última parte do livro ele incluiu um "Suplemento de Quadrinhos" com alguns clássicos: Krazy Kat, Little Nemo, Happy Hooligan, Pafúncio e Marocas e mais.

O álbum reproduz a já histórica capa que Spiegelman fez para a revista The New Yorker logo após o atentado de 11 de setembro: toda preta, com as torres gêmeas num tom mais escuro.


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