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Homem-Aranha # 30Título: HOMEM-ARANHA # 30 (Panini Comics) - Revista mensal

Autores: O Incrível Homem-Aranha - J. Michael Straczynski e Fiona Avery (argumento), Fiona Avery (roteiro) e John Romita Jr. (desenhos);

O Espetacular Homem-Aranha - Paul Jenkins (roteiro) e Humberto Ramos (desenhos);

Venom - Daniel Way (roteiro) e Paco Medina (desenhos);

Homem-Aranha/Dr. Octopus: Exposição Negativa - Brian K. Vaughan (roteiro) e Staz Johnson (desenhos).

Preço: R$ 6,50

Número de páginas: 96

Data de lançamento: Junho de 2004

Sinopse: O Incrível Homem-Aranha - Peter Parker continua perdendo suas noites de sono para proteger Melissa. Mal sabe ele que o irmão da garota pode estar sob os cuidados de um velho conhecido.

O Espetacular Homem-Aranha - A busca por Venom pode trazer conseqüências trágicas para o Aranha. Enquanto isso, Flash Thompson muda-se para o prédio de Peter.

Venom - Ao mesmo tempo em que foge junto com a Tenente Robertson, o Homem-de-Preto continua sua caçada ao simbionte alienígena. Mas ele logo descobrirá que não está sozinho nessa empreitada.

Homem-Aranha/Doutor Octopus: Exposição Negativa - Frustrado por Peter Parker sempre roubar seu espaço, Jeffrey Hodjo decide investigar o rapaz para ver como ele trabalha.

Positivo/Negativo: Na segunda parte de Conseqüências Inesperadas, J. Michael Straczynski e Fiona Avery mantêm os roteiros sem sal que têm marcado a passagem do escritor pelo título do Aranha. O leitor, novamente, termina a história com a sensação de que saiu do nada para chegar a lugar nenhum.

É a mesmíssima coisa que vimos na edição anterior: primeiro algumas cenas de Peter, sempre bem-humorado, em sua vida de professor e, depois, uma seqüência do Aranha, tola, brusca e forçada, na qual fica claro que Straczynski não nasceu para escrever revistas de heróis consagrados.

O pior é que, nessa aventura, os autores (principalmente Fiona Avery, responsável pelo roteiro final) inserem elementos que servem apenas para encher a paciência do leitor. Ezekiel está deixando de ser misterioso para se tornar irritante. Além disso, suas constantes aparições vêm desgastando o personagem mais rápido do que se poderia prever. Ou seja, pode parecer incrível, mas o mais recente componente da mitologia do Aranha já está se tornando um clichê!

Pior que isso, só mesmo as falas do Homem-Aranha. As piadas são todas cretinas, o herói está arrogante demais e seu nível de sensibilidade caiu a zero. "Ah, mas desde quando o aracnídeo precisa ser certinho com os vilões?", alguém poderia dizer. Realmente, não há necessidade de delicadezas quando se está tratando com o Duende Verde ou o Abutre, mas quando se trata de uma organização que nem é criminosa, formada por pessoas que se reúnem para discutir livros de filosofia, ou seja, para aprender, a coisa muda de figura. O herói simplesmente invade o lugar, ofende todo mundo e, quando descobre que cometeu um engano, sai de cena com aquele ar de "tudo bem, dessa vez vou deixar passar". Esnobe, não?

Mas se Peter Parker é um professor, não deveria estimular tal tipo de atividade, mesmo sob a máscara do aracnídeo? Ou será que, só porque o ambiente das reuniões era suspeito, o Aranha teria direito de julgar aquelas pessoas sem ter nenhum prova concreta? Perguntas misteriosas, para as quais só os autores sabem as respostas.

Merece destaque a belíssima capa de O Incrível Homem-Aranha, assinada pelo brasileiro Mike Deodato Jr., que deverá substituir o desde já saudoso John Romita Jr. nos desenhos da revista ainda em 2004. Pelo menos nesse quesito, os leitores do mais tradicional título do herói aracnídeo não têm do que reclamar.

Em O Espetacular Homem-Aranha, mais uma parte (a terceira de um total de cinco) da ótima saga Fome Voraz, que traz de volta o Venom. Paul Jenkins capricha e, novamente, consegue prender a atenção do leitor com um roteiro rápido, enxuto e inteligente.

Prova disso é o diálogo inicial entre o Aranha e o detetive encarregado de solucionar os crimes pelos quais Venom está sendo responsabilizado. Além de fluir como água, a cena é totalmente verossímil e, melhor, não insulta a inteligência do leitor.

Mas o melhor do roteiro desta edição são as cenas em que Eddie Brock entra em conflito com o traje alienígena. A tempestuosa relação mantida entre os dois - um por vício, outro por necessidade - é de fazer lamentar que um personagem com potencial como Venom nunca tenha sido totalmente aproveitado. O desfecho da trama cria um suspense enorme para o próximo número da revista, no qual a saga deverá terminar.

A arte de Humberto Ramos continua ótima. A batalha entre Venom e Homem-Aranha está simplesmente irretocável, assim como a capa da revista original (reproduzida na página 26), tão boa quanto a de Mike Deodato Jr., porém bem menos comercial.

A partir deste número, Homem-Aranha volta a publicar as aventuras da revista Venom, da linha Tsunami. Embora o arco inicial tenha passado a impressão de que o personagem pode simplesmente não ter cacife para ganhar título próprio, este número mostra uma considerável evolução, podendo agradar até os seus muitos detratores.

Os roteiros de Daniel Way seguem um estilo cinematográfico, bem diferente do que estamos acostumados a ver, com poucos balões de texto, muita linguagem visual e sem "encher lingüiça". A história pode ser lida, com sobras, em menos de três minutos. E talvez seja este o caminho correto para se contar uma história solo do Venom que não necessita mesmo de muitas sentenças para "dar seu recado".

Por isso, Way não poderia ter parceiro melhor do que Paco Medina. Com uma junção entre os traços rebuscados de Francisco Herrera e as fisionomias improváveis dos mangás, ele se adapta perfeitamente ao roteiro, e prova que sabe "falar" por meio de imagens como poucos.

Completa a edição a segunda parte de Homem-Aranha/Dr. Octopus: Exposição Negativa. Se no número anterior a trama não dizia a que vinha, aqui o roteiro de Brian K. Vaughan toma forma e começa a ganhar substância.

O desenhista Staz Johnson prova-se cada vez melhor na arte seqüencial e apresenta um belo resultado gráfico. O produto final é agradável e gera até uma certa expectativa para o próximo número.

Por fim, esta edição de Homem-Aranha apresenta uma melhor notável em relação à anterior e merece ser conferida. Fica a torcida para que continue nesse rumo.

Assim como as demais revistas da Panini, o título sofreu um reajuste de preços em função do aumento dos custos gráficos. O preço de capa passou a R$ 6,50.

Classificação: - Victor Bianchin

 

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