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Título:
TEX GIGANTE - O VALE DO TERROR (Editora
Globo) - Edição especial
Autores: Claudio Nizzi (roteiro) e Magnus (capa e desenhos).
Preço: R$ 7,00 (preço da época)
Número de páginas: 240 (formato 18 x 26,9 cm)
Data de lançamento: Outubro de 1996
Sinopse: Crimes hediondos estão dizimando os habitantes de um vale
fértil na bacia do Rio Sacramento, onde reside John Sutter, outrora conhecido
como o Imperador da Califórnia, homem empreendedor que logrou grande desenvolvimento
sócio-econômico para a região, e que foi subitamente engolido pela Corrida
do Ouro, que trouxe milhares de garimpeiros para a região e lhe deixaram
na mais absoluta miserabilidade.
Tex e Carson são chamados para descobrir e punir os culpados, uma seita
de fanáticos que manda um aviso sinistro para as vítimas e, em seguida,
as liquidam de modo atroz, juntamente com suas famílias, fazendo o "rapa"
na grana e jóias e sumindo sem deixar pistas.
A chegada tempestiva dos rangers do Texas causa uma perigosa confusão
nos planos dos Vingadores, responsáveis por tantas mortes. E Tex vai descobrindo
que todos os envolvidos estão intimamente ligados por laços de sangue
e procuram vingança contra aqueles que julgam responsáveis por suas desgraças.
Positivo/Negativo:
A união do enredo e dos desenhos conferem a excelência para esta edição.
Nunca antes houve uma aventura texiana tão bem desenhada.
Nizzi escolheu muito bem o assunto que serviu de introdução e pano de
fundo para a aventura. De fato, a Califórnia foi literalmente invadida
por garimpeiros quando encontraram ouro nos leitos dos seus rios. Estava
em construção a Transcontinental e com a debandada dos ferroviários para
os garimpos, o governo se viu obrigado a importar mão-de-obra chinesa
para continuar avançando na direção da Sierra Nevada, indo ao encontro
dos trilhos que partiram de Omaha, Nebraska.
Toda uma vida de realizações se perde como água escorrendo entre os dedos
e atinge o ápice do azar e da tragédia quando um homem perde a esposa
e os filhos. Ocorre mais ou menos como nos dias de hoje, tempo de globalização,
quando grandes impérios somem para outros surgirem rapidamente em seus
lugares, com novas tecnologias. Assim, o ciclo do ouro californiano sepultou
todos os avanços adquiridos com a agricultura e o comércio de gado e seus
derivados por John Sutter.
Melhor ainda quando vítimas e vilões têm suas vidas cruzadas sob laços
de sangue. Tudo com o tempero de personagens fiéis a causas comuns e pessoais,
balizadas por desejos de vingança e ganância, sentimentos de ódio e inveja,
segredos e ressentimentos.
O desenhista Magnus, cujo nome verdadeiro era Roberto Raviola, morreu
pouco antes de ver a sua obra-prima texiana ir às bancas. Ele demorou
sete anos para terminar o trabalho, quase levando Sérgio Bonelli a desistir
e muitos colaboradores da editora a imaginar que não terminaria o trabalho.
Mas Raviola havia decidido fazer um trabalho que valeria por dez, e arrancaria
suspiros do mais sagaz dos críticos. Ao aceitar o desafio de desenhar
Tex, encarou como o maior de sua vida. "Não posso deixar de me curvar
ao trabalho de autores que me antecederam. Desenhar Tex é uma tarefa
de tremer as mãos...", dizia.
Conforme Graziano Frediani, renomado jornalista italiano, Magnus adquiriu
o hábito de esboçar e desenhar pessoalmente dezenas de modelos e estudos
em perspectiva para reproduzir qualquer elemento, animado ou inanimado
da cena, de cavalos a diligências, de relógios a fuzis, de rios a montanhas.
Os fuzis parecem vir do catálogo de um colecionador. Os pingos de água
do furacão e as folhas de arvores foram literalmente tracejadas uma a
uma, com a minúcia de um botânico e o emprenho de um pintor.
Magnus afirmou: "Estudei obsessivamente cada objeto, ambiente, paisagem
e até me mudei para a montanha, porque lá em cima, ao contrário da cidade,
me parecia mais fácil, observando uma pedra, um rio, uma árvore, submergir
na atmosfera antiga e natural de um conto ambientado no Oeste americano".
Os desenhos são mesmo soberbos, maravilhosos, estonteantes. Observa-se
a meticulosidade das roupas, dos lenços, dos coldres, tudo bem delineado.
Os personagens (todos estudados separadamente) de Magnus têm vida, olhares
significativos, variedade de humor, emoção distinta a cada quadro, a cada
situação. Os ambientes são bem destacados, retratam profundidade de campo,
os móveis sugerem aconchego, os utensílios parecem fotos de época, fiéis.
Cada desenho é uma pintura, um colírio para todos os olhos.
O Tex de Magnus é soberbo, passando de viril a sarcástico, com
ares de invulnerabilidade. É como se fosse dada ao leitor a chance de
conhecer mais características do grande herói. Quem imaginaria ser isto
possível depois de mais de 30 anos com Águia da Noite?
E a chinesa Mai-Ling? Que maravilhosa personagem! Sob todos os aspectos
malévolos e sádicos, capaz de inundar de paixões o mais duro dos machões,
porém com um sentimento altruísta que se transforma em puro egocentrismo.
É interessante ressaltar ainda o covil dos Vingadores, com suas escadas
e tábuas riscadas milimetricamente. O leitor tem a impressão de que pode
estar ali perto observando a cena acontecer.
Por fim, Magnus abusou na luta derradeira, quando os Vingadores de Mai-Ling
chegaram às nuvens negras, com o vento forte açoitando folhas, lixo e
poeira; e a chuva torrencial, o efeito dos pingos na muralha, nos homens
e na terra. Um show de realismo.
O sucesso foi tão grande, que Magnus mereceu um livro intitulado Al
servizio dell'eroe, Il Tex di Magnus, publicado em 1996, trazendo
com grande detalhamento, a saga dos sete anos que a edição especial levou
para ser desenhada.
O Tex da capa foi retirado do segundo quadro, da página 73, substituindo
o cavalo pela fortaleza, que está vista de uma posição contrária à mostrada
na história. Já desenho do ranger na página 88, segundo quadro,
foi utilizado pela Mythos Editora como capa da sua segunda edição
de Tex, no número 352 da série normal.
O Vale do Terror é item obrigatório para todos os colecionadores
de Tex e foi republicado recentemente pela Mythos, com a qualidade
que lhe é peculiar. Portanto, está fácil adquirir um exemplar.
Esta edição representou um marco histórico na vida editorial de Tex, e
seus autores atingiram a glória em suas profissões. Magnus voltou às origens
e Nizzi alçou novos vôos.
Classificação:    
- G. G. Carsan
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