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Aportando no Brasil
Os
cowboys passaram a ocupar as revistas em quadrinhos de nosso país
em 1939, nas páginas do primeiro número do Gibi (RGE). O
estreante foi Bronco Piler.
Em 1948, O Guri, também da RGE, começou a publicar Hopalong
Cassidy. Depois, a revista apresentou vários personagens, como Rei
da Polícia Montada, Cavaleiro Fantasma, Máscara Vermelha, Bob Benson
e muitos outros.
Mais alguns começaram a ganhar títulos próprios, a partir de 1951. Eram
eles: Flecha Ligeira, Don Chicote, Campeões do Oeste, Cavaleiro Negro,
Bronco Piler/Red Ryder/Nevada, Rocky Lane, Bufallo Bill e Cavaleiro
Fantasma. E a revista Júnior passou a publicar unicamente as
aventuras de Texas Kid (no Brasil foi assim foi batizado, naqueles
tempos, o Tex Willer da atual Bonelli Comics).
Com relação ao mais famoso ranger dos quadrinhos, há um fato bem
curioso. Em 1949, a Editorial Abril, da Argentina, passou a publicar
na revista Rayo Rojo as aventuras de um certo Colt, El Justicero,
com textos de Julio Almada e desenhos de Carlos Cruz. O personagem era
ninguém menos que Tex, produzido por artistas argentinos.
Isso
aconteceu porque a editora, que publicava regularmente o personagem (com
o nome adaptado para Colt Miller) naquela revista e na Misterix,
estava com falta do material italiano, e o jeito foi partir para a produção
caseira.
Um outro Texas Kid, o da Timely Comics, criado em 1951 e
que, além da própria revista, aparecia em Marvel Team-Up, Two-Gun Western
e Wild Western, começou a ser publicado no Brasil em título
próprio ainda nos anos 50.
Nessa época, O Lobinho (já pela Editora A Noite) apresentava,
na maioria de suas páginas, quadrinhos como Águia Americana, de
John Severin; Tim Holt, de Frank Bolle; e O Cavaleiro Fantasma,
de Dick Ayers.
A Ebal, por sua vez, publicou Aí, Mocinho, em 1949, contando
como atração principal o herói Black Diamond. O título era exclusivamente
do gênero faroeste. Os outros gibis da editora, então, começaram a apresentar
o mesmo tipo de histórias.
Álbum
Gigante trazia as aventuras de Buck Tone, Ken Maynard e Monte
Hale (este, um estrondoso sucesso nos anos 50, com aventuras que se
passavam durante a corrida do ouro no Velho Oeste); e O Herói levava
aos leitores as histórias de Bill Boyd e Bob Colt (a partir
de 1955, eles se revezavam na revista com Durango Kid, Buck Jones
e Kit Carson - não confundir com o partner de Tex Willer).
Super-X, em 1951, trazia aventuras de Monte Hale, Bill Boyd
e Tex Ritter. No ano de 1957, o título passou a publicar Cisco
Kid. Em 1953 surge Reis do Faroeste, que em cada edição apresentava
um cowboy famoso do cinema: Buck Jones, Bill Elliott, Johnny
Mac Brown e Rex Allen.
Zorro, Novo Gibi, Roy Rogers, Gene Autry, Rintintin, Shazam! (com
aventuras de Gene Nelson, Richard Todd, Hopalong Cassidy, Rocky Lane,
Don Chicote e Flecha Ligeira) e O Juvenil Mensal também
faziam parte do cast de gibis com histórias de cowboys da
Ebal, na época.
Pela
mesma editora, vários cowboys da DC foram lançados em diferentes
épocas: Tomahawk, com desenhos de Frank Frazetta, Joe Kubert, Bob
Brown e Frank Thorne; Johnny Thunder, nos traços de Gil Kane e
Alex Toth; O Renegado, também por Gil Kane; Indian Smith e os
Gêmeos do Gatilho, desenhados por Carmine Infantino; El Diablo,
de Neal Adams; Billy the Kid (curiosamente, uma garota que se fazia
passar por um rapaz), de Tony De Zuñiga; e Bat Lash, escrito por
Sergio Aragonés (sim, o mesmo de Groo) e desenhado por Nick Cardy.
No ano de 1953, a Editora Orbis iniciou a publicação de HQs de
faroeste, com títulos como Marrua, Vingadores, Pele Vermelha, Hopalong
Cassidy, Cisco Kid e Rancho Grande.
A Editora Vecchi atacou com os italianos O Pequeno Sheriff,
de Tristano Torelli e Dino Zuffi, e Pecos Bill, de Pietro Gamba.
Outras
editoras, como La Selva e Novo Mundo, entraram no segmento
nos anos 50 e 60, lançando títulos como Bill Kid, Kid Colt, John Wayne,
Cavaleiro Fantasma, Billy Furacão, Gatillo, Kid Montana, Cheyenne Kid,
Rifle e Fantasma Vingador.
E pela editora O Cruzeiro, a revista Gurilândia trouxe O
Rei da Polícia Montada, no início dos anos 60.
Na década de 1970 ainda havia muitas publicações do gênero, como Cisco
Kid, agora na GEA; Tim Relâmpago, Bonanza e Zorro,
pela Ebal; Cavaleiro Negro, na RGE; Tex, Zagor,
Ken Parker e Histórias do Faroeste, da Vecchi; Blueberry,
da Abril; além de muitos outros.
Mas a imensa maioria dos clássicos, principalmente os egressos de cinema
ou TV, já se encontrava em extinção, e muitos dos acima citados deram
seu último suspiro antes da chegada dos anos 80.
Europa
Como
se viu, a maioria esmagadora dos quadrinhos de western, em sua
Era de Ouro (até meados da década de 1960), era produzida nos Estados
Unidos, o que não é de se espantar, já que o país representa o cenário
e a gênese do tema. O interessante é saber que o gênero ia definhando
em sua própria casa (a partir dos anos 80 chegou à quase total extinção),
enquanto que na Europa, principalmente na Itália, se fortalecia com o
passar do tempo.
Mesmo nas décadas de 50 e 60 já havia um italiano, Alberto Giolitti, desenhando
para gibis americanos, em títulos de sucesso como Indian Chief, Tonto,
Sargento Preston, Tales of Wells Fargo, Paladino do Oeste e Gunsmoke.
E na própria Itália pipocavam títulos como Un Ragazzo nel Far West,
Rio Kid (El Cavalieri del Texas), El Kid, Big Davy e
Yuma Kid.
Até o Japão produziu westerns, cujo cenário era a Austrália. Mas
o Velho Continente é que tem sido o maior exportador dessas HQs, há décadas.
Grandes
nomes dos quadrinhos europeus, hoje célebres por suas criações de outros
gêneros, já emprestaram sua arte para o faroeste. Como Paolo Eleuteri
Serpieri (o "pai" de Druuna), que no início de carreira desenhou histórias
do General Custer, nos anos 70, e de outros heróis reais do Oeste
para a famosa revista Skorpio. Um de seus melhores trabalhos, inclusive,
em todas as áreas que atuou, foi A História do Far West em HQ.
Muitas são as criações e criadores famosos, como Larry Yuma, de
Claudio Nizzi e Carlo Boscaratto; Durango, de Yves Swolfs, cuja
aventura Cilada para um pistoleiro foi publicada no Brasil, em
edição de luxo, pela VHD Diffusion, em meados da década de 1980);
Poncho Yucatan, de Jordi Bernet (que, junto, com Carlo Trillo,
também criou a série Clara de Noite); Lobo Solitário, de
Manfred Sommer; Comanche e Red Dust (do belga Hermann), que foram
apresentados ao Brasil pela Editora Vecchi no final dos anos 70;
Tex Tone (com oito edições publicadas na década de 1970, pela Noblet,
e que foi um sucesso impressionante na França de 1957 a 1985); e, mais
recentemente, o inescrupuloso Snake, outra obra de Jordi Bernet,
desta vez em parceria com Sanchez Abuli.
A
revista Xerife (com as aventuras de Mendoza Colt), também
teve vida longa (1968 a 1986), tanto na Espanha (onde foi criada), quanto
em Portugal - de onde vinham as edições distribuídas no Brasil. Na Itália,
em 1990, Only West Baby, com os excelentes desenhos de Bruno Brindisi,
durou apenas três (belas) edições.
Mas há outros personagens que ainda gozam de prestígio, aqui e na Europa,
e que há muito tempo figuram na lista de preferência dos fãs de western.
Alguns deles continuam firmes e fortes em suas próprias revistas.
O maior de todos, sem dúvida, é o ranger Tex, criado em 1948 por
Gianluigi Bonelli e Aurélio Galleppini. Ao lado do amigo inseparável Kit
Carson, do índio navajo Jack Tigre e do filho Kit Willer, suas histórias
apresentam roteiros e desenhos que figuram entre os melhores de qualquer
segmento de HQ.
No Brasil, tem uma imensa legião de fãs desde 1971, quando a Vecchi
lançou o personagem (lembrando que nos anos 50 ele era chamado de Texas
Kid na revista Junior).
Passando,
depois pela RGE/Globo e atualmente pela Mythos Editora,
Tex tem sido um fenômeno editorial tão grande no Brasil, que o fez ser
hoje o personagem com o maior número de títulos nas bancas: são oito estampando
seu famoso logotipo.
Da Bonelli Comics também aportou por aqui o protetor da fictícia
floresta de Darkwood, o instigante Za-gor-te-nay, ou simplesmente Zagor,
o Espírito-da-Machadinha.
Criado em 1961 por Guido Nolita (pseudônimo de Sérgio Bonelli) e Gallieno
Ferri, o herói estreou no Brasil em 1978, pela Vecchi. Migrando
para a RGE/Globo e depois para a Record, o personagem finalmente
chegou à Mythos em 1998, e parece estar recuperando seu prestígio
entre os fãs. Tanto que ganhou outro título (Zagor Extra), e até
seu parceiro de aventuras, Chico, o rotundo e comilão mexicano - elemento
de humor das histórias - teve uma edição especial lançada recentemente.
As histórias recheadas de temas místicos, fantasia, ficção científica
ou mesmo terror, têm sido a fórmula do sucesso desse faroeste inusitado.
Atualmente, na edição brasileira, Zagor passa por uma fase mais cowboy,
sem elementos "estranhos" ao assunto. Os combates contra índios ou bandidos
são a bola da vez na revista.
Outra
criação italiana apareceu no Brasil, mas não vingou, a despeito das excelentes
edições. Texas Kid (Jesus, no original), teve apenas três
edições lançadas pela Abril, em 1984.
O personagem (concebido por Ennio Missaglia ) era um adolescente que fora
criado por um feiticeiro índio desde criança, e sofria os maiores reveses
por conta do preconceito à sua ligação com os peles-vermelhas.
Rifle Comprido, ou Ken Parker, tornou-se um cult
dos quadrinhos, por ser um cowboy afeito a obras shakespeareanas
e com ideais ecológicos, além de outras características marcantes que
o tornaram um dos personagens mais reverenciados de todos os tempos.
Criado pelos italianos Ivo Milazzo e Giancarlo Berardi, as histórias de
Ken Parker são tidas como obras-primas, verdadeiros romances literários
em forma de quadrinhos. A Vecchi lançou o personagem no Brasil
em 1978. Com o cancelamento da revista, no número 53, retornou em 1990
pela Best News Teen, em apenas duas edições. Passou depois pela
Ensaio e chegou à Mythos Editora. Atualmente é re-editado
pela Tapejara em soberbos álbuns de luxo.
Da
França veio o também cultuado Tenente Blueberry, do belga Jean-Michel
Charlier e do francês Jean Giraud (mais conhecido como Moebius). As primeiras
aventuras do astuto oficial da Cavalaria do Exército dos Estados Unidos
datam de 1963.
Indisciplinado, desertor, cabeça-dura e, acima de tudo, um abnegado na
luta pela justiça, Blueberry é, sem dúvida, um dos mais queridos heróis
dos quadrinhos de faroeste, e recentemente ganhou uma versão cinematográfica,
que certamente lhe trará novos admiradores.
Teve uma passagem meteórica pelo Brasil (pelas editoras Vecchi
e Abril), mas o suficiente para arregimentar muitos e fiéis fãs.
Em 1979, Ennio Missaglia, Vladimiro Missaglia e Ivo Pavone criaram Judas,
um ex-pistoleiro que ganhava a vida como agente da Pinkerton (famosa agência
de detetives do Velho Oeste).
Durão,
cruel e cínico, o personagem não obteve muito sucesso, e foi cancelado.
Publicado no Brasil pela Vecchi - que trocou seu nome para Chacal
- no começo dos anos 80, seguiu depois para a Record no final da
mesma década (com o nome original) em uma maxissérie de 16 edições.
Bella & Bronco (ela, uma garota bastante "avançada" para sua época;
ele, um índio quase "filósofo"), a irresistível dupla criada pelo italiano
Gino D'Antonio, também teve vida curta: apenas 16 números de sua revista
(no Brasil, foram oito edições publicadas pela Globo entre 1990
e 1991). Mas eram quadrinhos de muito bom gosto, cheios de humor e de
um certo ar de cultura.
Um personagem mais longevo foi Carabina Slim, criado na Itália
e publicado de 1967 a 1987. A Editora Noblet o trouxe para o Brasil
e o lançou em algumas dezenas de edições na década de 1970.
Por fim, outro título italiano que marcou seu nome nas bancas brasileiras:
Reis do Faroeste, publicado pela Ebal no início dos anos
80. Foram 30 edições, alternando as séries Pequeno Ranger e Estrela
Negra.
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