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No mundo da lua
A
ficção científica também proporcionou ótimas aventuras nos cenários inóspitos
e misteriosos das HQs de cowboys.
Zagor, como o próprio conceito de suas histórias permite, já teve
contatos imediatos de terceiro grau com criaturas do planeta Akkron, numa
aventura publicada no Brasil pela Record em 1990 (Zagor # 6).
Antes dele, Kid Colt também contracenou com discos-voadores. A
história saiu no Brasil no Almanaque Kid Colt # 1 (RGE,
1979).
Bravestar, que estreou nos desenhos animados, teve uma HQ publicada
pela Abril, totalmente produzida por artistas brasileiros. O cowboy
interplanetário e seu alazão robô, que viviam num planeta semelhante ao
Oeste antigo norte-americano, naufragaram em pouco tempo nas bancas.
Até Jonah Hex, numa idéia desvairada da DC, foi enviado
para o futuro e virou um herói high tech, em meio a armas laser,
naves espaciais e criaturas mutantes. Totalmente fora de seu habitat,
o personagem não agradou aos fãs tradicionais e teve sua (nova) revista
cancelada no 18º número.
No
Brasil, temos Blagster, o sem-mundo, de Sandro Marcelo, que mistura
ficção científica em doses cavalares com uma pitada de faroeste.
Talvez o mais significativo desses casamentos entre vaqueiros e seres
de outro planeta seja a série Cowboys and Aliens, criação de Scott
Mitchell Rosenberg para a Platinum Macroverse. Com textos de Fred
Van Lente e desenhos de Ian Richardson, a HQ mostra a união entre cowboys
e índios contra uma invasão alienígena no Velho Oeste. Haverá uma adaptação
para o cinema, prevista para breve.
Humor
As HQs cômicas têm muitos exemplos de sátiras ao estilo western.
Mesmo os personagens dos tempos modernos costumam personificar cowboys.
O
cão Dom Pixote, por exemplo, interpretava várias personalidades
em seus desenhos animados e nos quadrinhos, e muitas delas eram xerifes
ou vaqueiros do Velho Oeste. Mas na Hanna-Barbera há os próprios
heróis cômicos de faroeste, como Pepe Legal (que também encarnava
o aventureiro mascarado El Cabong) e seu fiel ajudante, Babalu.
Nos quadrinhos da turma de Patópolis o tema é farto, e já rendeu até uma
edição de Disney Especial. Mickey e Pateta, por exemplo, comumente
viravam cowboys, nas histórias produzidas por Paul Murry, fã confesso
dessa temática. Na História de Patópolis, série criada no Brasil,
os "avôs" dos dois personagens protagonizaram um dos melhores episódios,
que se passava justamente no Velho Oeste. E ainda há o impagável Pena
Kid (spin off do pato Peninha, criado no Brasil por Ivan Saidenberg),
o garoto índio Havita, o Xerife Tiraprosa e o galo Panchito,
que, em suas aventuras solo, vive no antigo México dos bandoleiros e rurales.
Até
mesmo Donald e Tio Patinhas já tiveram seus momentos de heróis do faroeste,
principalmente nas aventuras escritas e desenhadas pelo mestre Carl Barks.
Por sua vez, Keno Don Rosa, recentemente, colocou novamente o pato muquirana
nesse cenário, em dois capítulos da premiada Saga
do Tio Patinhas.
O Brasil também tem seus representantes. Bob "The Kid", criação
de Mário Latino, é um divertido xerife de um vilarejo do Arizona, e tem
como auxiliares os hilários Lobo Jack e Pena Torta.
Ainda mais escrachados são Los Três Amigos, a obra conjunta de
Angeli, Laerte e Glauco (e depois Adão Iturrusgarai), apresentando um
trio de pseudo-heróis mexicanos que só pensam em sexo, levar vantagem
e proferir os mais sujos palavrões.
Por fim, Rock & Hudson (de Adão Iturrusgarai), os cowboys gays
batizados em "homenagem" ao ator Rock Hudson. Os engraçados e afetados
vaqueiros tiveram uma versão para desenho animado em 1994.
As HQs européias, em seu característico estilo inteligente e cheio de
referências culturais e históricas, oferecem uma variada gama de westerns
humorísticos. Alguns, são sucessos incontestáveis no mundo inteiro.
A
competente dupla de autores franceses, René Goscinny e Albert Uderzo,
criou Umpa-Pá, o valente e boa-praça índio da tribo dos Cumekivai.
O personagem teve apenas cinco álbuns lançados (todos publicados no Brasil
pela Record). As histórias se passavam no início da colonização
inglesa dos Estados Unidos.
Em 1947, o belga Morris (Maurice de Bevère) concebeu o cowboy solitário
Lucky Luke, "o homem que atira mais rápido que a própria sombra".
Uma das melhores paródias de faroeste, o personagem anda sempre acompanhado
do cavalo Jolly Jumper, e é o maior inimigo dos Irmãos Dalton, os vilões
mais imbecis do Velho Oeste. Um dos melhores coadjuvantes da série, o
cão idiota Rantanplan, chegou até a protagonizar vários álbuns próprios.
A partir de 1955, o argumentista René Goscinny passou a escrever as histórias
de Lucky Luke. Essa é considerada a melhor fase do cowboy,
na qual eram de praxe as participações de personagens históricos, como
Jesse James, Wyatt Earp e Billy the Kid, só para citar alguns.
Em 1988, Morris recebeu uma medalha da Organização Mundial da Saúde,
por ter tirado o cigarro de Lucky Luke e lhe dado um inofensivo pedaço
de capim que nunca caía de seus lábios.
Seguindo
a mesma linha, Kid Farofa, criação do norte-americano Tom K. Ryan,
possui uma galeria de coadjuvantes tão estúpidos quanto engraçados. As
hilárias tiras do personagem foram publicadas no Brasil em diversos jornais,
e em meados da década de 70 saíram na extinta revista Patota e
em um título próprio pela Editora Artenova.
Na Itália, em 1957, Benito Jacovitti criou Coco Bill, incontestável
sucesso que deixou de ser publicado somente em 1997, por conta do falecimento
do autor. O personagem nunca foi lançado por aqui.
Também por obra de Jacovitti surgiu, em 1968, Zorry Kid. Essa paródia
ao Zorro clássico era de um humor inteligente e, muitas vezes, permeado
de situações surreais. Sua identidade secreta era Kid Paloma, um fervoroso
adepto de dança espanhola. Inédito no Brasil, foi publicado em seu país
de origem até 1973.
Atualmente...
Apesar de serem lançados esporadicamente filmes (como Alamo, Pacto
de Justiça e o desenho animado Spirit, o Corcel Indomável),
revistas informativas (Os
Cowboys, que circula apenas em Maceió), livros (100
Anos de Western e Curiosidades do Western, ambos escritos
por Primaggio Mantovi), e os ainda resistentes pocket books (de
autores nacionais usando pseudônimos americanizados) que são vendidos
em bancas, os quadrinhos é que mantêm o gênero faroeste em destaque no
Brasil.
Nos
últimos anos, foi possível ler histórias de western em revistas
como Canalha, Vertigo e Crônicas de O Fantasma (sim, um
dos membros da linhagem do Espírito-que-Anda foi um cowboy, e teve
sua biografia contada numa edição lançada pela Opera Graphica em
2001). Houve ainda quadrinizações de desenhos animados, como o de Pocahontas.
Até as publicações bonellianas têm aumentado (somente neste ano
surgiram mais duas). Sem contar os muitos títulos de periodicidade fixa
que se pode encontrar, embora centrados em apenas dois personagens, Tex
e Zagor.
Nada que se compare às fases bem mais prolíficas dos quadrinhos de bangue-bangue,
é verdade. Mas há de se convir que, em matéria de qualidade das histórias,
o mercado está muito bem servido.
E que assim permaneça, por todos os tambores de Darkwood!
Marcus Ramone adora contar a piada do Cavaleiro Solitário e do Tonto,
que termina com "Nós, quem, cara-pálida?", mas até hoje não conseguiu
fazer ninguém rir.
* Agradecimentos especiais aos "cowboys" Primaggio Mantovi,
Levi Trindade e Antônio Rodrigues por algumas preciosas informações que
constam desta matéria.
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