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Livros sobre HQs: 2004, o ano que não acabou

Depois de um longo jejum, as editoras brasileiras parecem dispostas a investir em livros sobre quadrinhos, uma excelente notícia. Confira quais foram os principais lançamentos a partir de 2004 e uma relação das melhores obras do gênero publicadas por aqui até hoje

Por Nobu Chinen

Piracicaba 30 Anos de HumorPara o árido e infértil gênero de livros teóricos sobre Histórias em Quadrinhos, no Brasil, o ano de 2004 até que foi dos mais prolíficos. E quem aprecia esse tipo de literatura teve vários motivos para se deleitar. Diversos lançamentos, para os mais diferentes gostos e variados níveis de exigência, chegaram às prateleiras.

Quando Surgem os Super-Heróis Praticamente todos os gêneros foram contemplados, desde o quadrinho nacional ao mangá. De obras de puro entretenimento até tese de mestrado convertida em livro.

Para começar, uma edição comemorativa, o misto de livro e catálogo Piracicaba 30 Anos de Humor (Imprensa Oficial do Estado de São Paulo), organizado por Paulo Caruso. Editado e impresso no final de 2003, mas lançado oficialmente em maio de 2004, é uma bela publicação que narra a trajetória do principal salão de humor do Brasil e um dos mais prestigiados do mundo em seu gênero.

Como Usar as Histórias em Quadrinhos na Sala de Aula Vale pelo registro, ano a ano, dos fatos que marcaram o evento e a reprodução dos trabalhos vencedores, incluindo os premiados na categoria Histórias em Quadrinhos. É um prazer poder ver, ou rever, trabalhos dos hoje consagrados Glauco, Angeli, Laerte, entre outros, em seu início de carreira.

Quem prefere os personagens estrangeiros e queria saber sobre a golden age, a Era de Ouro dos comics, pôde se deleitar e se informar, com o Quando Surgem os Super-Heróis (Opera Graphica), de Roberto Guedes, repleto de curiosidades e dados sobre os primeiros justiceiros dotados de poderes sobre-humanos e o primórdios de editoras como Fawcett, Dell e daquelas que viriam a se tornar as poderosas DC e Marvel. Um trabalho cuidadoso, que valeu ao autor o merecido prêmio Angelo Agostini em 2004.

Histórias em Quadrinhos na Escola Também não faltaram obras de cunho acadêmico e, curiosamente, foram publicados, quase simultaneamente, dois livros com propostas de utilização dos quadrinhos como ferramenta pedagógica. Como Usar as Histórias em Quadrinhos na Sala de Aula (Contexto), de vários autores, sob a coordenação do professor Waldomiro Vergueiro, do Núcleo de Pesquisa em Histórias em Quadrinhos da ECA-USP, traz propostas diferenciadas para cada disciplina com exemplos de HQs adequadas a essa aplicação.

Histórias em Quadrinhos na Escola (Paulus), do também professor Flavio Calazans, Spawn, O Soldado do Inferno: Mito e Religiosidade nos Quadrinhosé pouco mais do que uma apostila, mas defende o uso dos quadrinhos como instrumento de aprendizagem. Ambos têm em comum a ênfase no aspecto prático, na preocupação em trazer a linguagem das HQs para atrair o interesse dos alunos no ensino de matérias como geografia, história e língua portuguesa. Chega a ser irônico que há duas gerações, essas revistas tão defendidos pelos autores dos dois livros tenham sido discriminados e banidos do ambiente escolar.

Outro trabalho acadêmico, mas com uma profundidade muito maior é Spawn, O Soldado do Inferno: Mito e Religiosidade nos Quadrinhos (Difusão), 100 Respostas sobre Super-Heróis de Cristina Martins Xavier. Um volumoso e bem produzido trabalho, derivado de uma tese de mestrado em Ciência da Religião, que detalha o universo do personagem de Todd McFarlane, à luz dos estudos dos arquétipos, da mitologia e do simbolismo religioso.

Trata-se de uma inusitada análise sobre Spawn, um ex-militar que foi ao inferno e teve a chance de voltar, mas que jamais retornará à sua vida anterior, numa abordagem original e bem fundamentada, que tem fortes Histórias em Quadrinhos e Arquiteturareferências nas obras de Carl Jung e do especialista em mitos Joseph Campbell.

Para quem não estava a fim desse tipo de leitura, densa e cheia de notas de rodapé, e sim de uma opção com linguagem mais leve e palatável, também teve com que se contentar. O livro 100 Respostas sobre Super-Heróis (Abril), do editor do Universo HQ Sidney Gusman, segue na linha da cultura inútil com informações vitais e indispensáveis à formação de todo fã do gênero. Explicações para um monte de questões, que muita gente tinha vontade de saber, mas não tinha a quem perguntar.

Também merecem menção os volumes da coleção Quiosque, da Marca de Fantasia. Uma iniciativa do editor Henrique Magalhães, de João Pessoa, que, de forma quase artesanal, Fanzinevem produzindo e publicando uma série de pequenos livros de vários autores nacionais e até um estrangeiro. Os textos são enxutos, a abordagem direta e simples, com temas que vão desde Miracleman a quadrinhos franceses. Alguns dos títulos merecem destaque, como Histórias em Quadrinhos e Arquitetura, de Edgar Franco e Fanzine, de Edgar Guimarães.

Os fãs de mangá também não puderam se queixar, pois, até esse gênero mereceu um lançamento: o O Grande Livro do Mangá (JBC), de Alfons Moliné. A obra, traduzida de uma edição espanhola, é abrangente e traz as fichas de 101 personagens e 101 autores. Nada de muito profundo, mas razoavelmente completo e que permite ter uma noção bem O Grande Livro do Mangáatualizada desse segmento que, há alguns anos, conquistou um considerável espaço no mercado.

Nem mesmo o apreciador de arte alternativa e que gosta de graffiti foi abandonado e pôde ler o Guia Ilustrado de Graffiti e Quadrinhos (Graffiti 76), de Piero Bagnariol e outros autores. A primeira parte, cerca de dois terços da obra, dedicada à nona arte, tem um texto bem interessante e traça um paralelo entre a linguagem das HQs e outras manifestações artísticas, citando uma ou outra referência histórica e muitas ilustrações. Claro que o objetivo foi preparar o terreno para a segunda parte, que fala da arte de rua conhecida como grafitagem, seus expoentes, estilos e técnicas.

Guia Ilustrado de Graffiti e Quadrinhos Mas o ano ainda não terminara e o melhor estava por vir. Quase no finalzinho aconteceram dois importantes lançamentos.

O primeiro, aliás, foi um relançamento. A reedição do Desvendando os Quadrinhos (M. Books), de Scott McCloud, esgotado há alguns anos. O livro é revolucionário tanto na análise que faz da linguagem das HQs, situando-as entre a arte figurativa e a abstrata; quanto no aspecto formal, pois foi a primeira obra teórica sobre a arte seqüencial escrita e ilustrada na própria linguagem dos quadrinhos. Uma solução original e coerente com a proposta do autor de valorização do meio.

Desvendando os Quadrinhos E perto do fim de novembro, finalmente, foi lançado o aguardado A Guerra dos Gibis (Companhia das Letras), de Gonçalo Junior. Trata-se de uma obra indispensável, que narra a gênese das grandes editoras de quadrinhos no Brasil, com destaque para a Ebal e a Rio Gráfica, que depois viria a se tornar a Editora Globo.

A acirrada disputa pelo mercado, a luta contra a censura, enfim, um panorama completo de uma das épocas mais significativas para os A Guerra dos Gibisquadrinhos no Brasil. A obra, fruto de exaustivo trabalho ao qual o autor dedicou mais de dez anos, já havia conquistado o Troféu HQ MIx em 1996, na categoria Pesquisa, ainda sob a forma de monografia, e somente passados oito anos, os leitores puderam vê-la publicada, numa edição bem cuidada, com direito a encarte com a reprodução de capas de gibis antigos.

Para um ano que terminou bem, a continuidade não tem sido decepcionante.

Enciclopédia Marvel Já foram lançados alguns livros sobre HQs, inclusive o primeiro volume da Enciclopédia Marvel (Panini), versão do original americano e item indispensável na biblioteca de quem é fã de Homem-Aranha, X-Men e outras criações da chamada "Casa de Idéias".

Outro livro é o interessante Hqtrônicas do Suporte Papel à Rede InternetHqtrônicas do Suporte Papel à Rede Internet (Annablume/Fapesp), de Edgar Franco. Um inédito levantamento da transição das HQs impressas para o meio eletrônico, que cita desde as primeiras e rudimentares experiências na área às modernas técnicas de multimídia.

O autor toca numa questão crucial: a sobrevivência dos quadrinhos com o advento e o avanço dos meios eletrônicos. O livro ainda é acompanhado de um CD-rom com duas HQs concebidas por Franco usando recursos da computação gráfica e animação computadorizada.

Cultura Pop Japonesa Os fãs de quadrinhos orientais tiveram outra surpresa com Cultura Pop Japonesa, compilação de artigos que resumem as palestras ministradas no I Seminário Internacional de Cultura Pop Japonesa, realizado em outubro de 2003, na Universidade Católica de Santos.

A edição, organizada pela incansável Sonia Luyten, reúne artigos (quase todos ilustrados) de vários profissionais, como os desenhistas Daniel HDR, Erica Awano e Alexandre Nagado, o professor Waldomiro Vergueiro, o estudioso espanhol Alfons Moliné, o tradutor Arnaldo Massayo Oka, Fábio Tatsubô (do ativo núcleo de HQs de São Vicente), o professor José Marques de Melo, jornalista Sidney Gusman e outros.

A Saga dos Super-Heróis Brasileiros Pelo próprio propósito com que os textos foram produzidos e o contexto de sua apresentação, não há nenhum aprofundamento dos temas, apenas uma exposição introdutória e geral, mas o resultado é um painel bem abrangente que traça um interessante panorama dos mangás e animês no Brasil.

O mais recente lançamento foi A Saga dos Super-Heróis Brasileiros (Opera Graphica), no qual o autor Roberto Guedes discorre sobre a trajetória das grandes e pequenas editoras, dos selos independentes e dos fanzines, trazendo depoimentos de vários profissionais do meio e, claro, relata particularidades de uma infinidade de uniformizados nacionais, como Garra Cinzenta, Velta, Homem-Lua, Judoka, Raio Negro, Capitão 7, Meteoro e outros.

Enchendo a estante, mas não muito

Existe uma esquisita espécie de espectador que além de assistir às partidas de futebol do fim de semana, fica acordado até a madrugada de segunda para ver os programas de debate, as reprises dos melhores lances da rodada e as intermináveis e inúteis discussões filosóficas das mesas redondas. Coisa de gente fanática, que acompanha todas as minúcias e os bastidores do esporte e adora recitar de cor a formação do seu time há 30 anos, quando ele nem era nascido.

ShazamHistória das Histórias em QuadrinhosVapt Vupt

Entre os fãs de quadrinhos há um pessoal parecido. Gente que não se contenta em ler apenas os gibis, mas gosta de acompanhar tudo o que se refere ao meio. Pessoas que diariamente acessam os sites especializados, acompanham as novidades do setor e lêem livros sobre o tema para saber tudo sobre autores, editoras e demais requintes a respeito dos seus personagens prediletos.

Quadrinhos, Sedução e Paixão Literatura em Quadrinhos no BrasilEnciclopédia dos Quadrinhos

Para quem está começando a se deixar contagiar por essa incurável curiosidade, a bibliografia Quadrinhos e Arte Seqüêncialexistente em português é extremamente pobre, principalmente se comparada aos mercados americano, espanhol, francês, japonês e até mesmo o argentino. No entanto, aos dispostos a se aprofundar um pouco mais no assunto, há alguns títulos disponíveis.

Basicamente, há dois tipos de livros teóricos sobre a arte seqüencial. 1) Os que falam da História dos Quadrinhos, com dados sobre personagens, autores, datas de lançamento etc.; e 2) A vertente mais analítica, que se propõe a estudar as HQs como linguagem e fenômeno de comunicação de massa e suas inter-relações com a Quadrinhos em Açãosociedade e com outras manifestações artísticas.

Muitas, obviamente, mesclam os dois tipos de abordagem, principalmente, aquelas que traçam um paralelo entre as quadrinhos e seu contexto histórico-social.

O mais famoso livro sobre HQ editado no Brasil, Shazam (Perspectiva), pertence justamente a essa linhagem. Trata-se de uma publicação coletiva da qual participam diversos estudiosos, entre eles o O Mundo das Histórias em Quadrinhospsicólogo Paulo Gaudêncio e o humorista Jô Soares, mas os textos principais e a organização dos textos couberam a Álvaro de Moya, um dos maiores especialistas do mundo no assunto.

Como toda obra com vários autores, há uma certa irregularidade nos capítulos, mas ainda assim é um título de referência, que discorre sobre os quadrinhos sob os mais diferentes aspectos. Obrigatório, apesar de ter sido lançado há 30 anos e estar sensivelmente defasado.

Mangá: O Poder dos Quadrinhos Japoneses Do mesmo Álvaro de Moya, há História das Histórias em Quadrinhos (Brasiliense), que discorre sobre os principais personagens das HQs, desde os pioneiros até os anos 80, passando pelos clássicos das décadas de 1930 e 1940.

Do mesmo autor, vale a pena conhecer Vapt Vupt (Clemente & Gramani), compilação de uma série de matérias publicadas na Revista Abigraf. Uma produção caprichada que só peca por alguns pequenos erros de edição e atualização de informações, mas que, de modo geral é bastante interessante.

Quadrinhos Dourados Existem outros livros escritos por Moya, mas são muito específicos. Um deles é o Anos 50. 50 Anos (Opera Graphica), que fala da primeira exposição de quadrinhos do mundo, organizada pelo próprio autor em 1950. O outro é O Mundo de Disney, que faz um relato da obra e vida de Walt Disney.

O escritor com maior número de obras publicadas sobre HQ no Brasil é o professor Moacy Cirne, autor de nove livros, a maioria, infelizmente, esgotada. Ele segue mais a linha analítica, como em Quadrinhos, Sedução e Paixão (Vozes).

Cirne, juntamente com Moya, Naumin Aizen e Otacílio D'Assunção Barros também é autor do Literatura em Para Reler os Quadrinhos DisneyQuadrinhos no Brasil (Biblioteca Nacional/Nova Fronteira), o livro mais bem produzido sobre HQs em nosso País. Um belíssimo volume, com tratamento gráfico de primeira e textos históricos bem interessantes. As únicas restrições ficam por conta de uma exagerada ênfase no acervo da Ebal, a despropositada inclusão de um conjunto de gravuras de Di Cavalcanti e o preço, um tanto abusivo para os padrões nacionais.

Enciclopédia dos Quadrinhos (L&PM), de Goida, tinha uma proposta bastante ambiciosa e ousada ao descrever uma infinidade de personagens e autores. O resultado final, porém, ficou bastante aquém do que poderia, principalmente em comparação a obras similares editadas nos Estados Unidos, Quadrinhos e Comunicação de MassaFrança e Espanha. Apesar de ter diversos erros de informações, é a única no gênero lançada no Brasil.

No campo da análise das técnicas narrativas, o livro de referência em português é Quadrinhos e Arte Seqüencial (Martins Fontes), do mestre Will Eisner. Os segredos de uma HQ bem construída contados por quem como poucos soube explorar os recursos desta linguagem.

Os mais jovens que queiram aprender noções básicas das HQs, seus elementos e um pouquinho de sua história dispõem de dois títulos: Quadrinhos em Ação, de Mario Feijó e O Mundo das Histórias em Quadrinhos, de Leila Rentroia Iannone e Roberto Antonio Iannone. Os dois foram editados pela Moderna, na linha dos paradidáticos e servem como introdução a leituras mais aprofundadas.

História e Crítica dos Quadrinhos Brasileiros Fora da linha generalista, existem bons livros focados em um gênero ou uma época dos quadrinhos.

Um ótimo livro sobre mangá, por exemplo, é Mangá: O Poder dos Quadrinhos Japoneses (Hedra), da professora Sonia Maria Bibe Luyten, que traça um completo histórico desde as primeiras manifestações cartunísticas japonesas do século XVIII até o início do fenômeno que tomou conta da Europa e Estados Unidos nos anos 80 e 90 e, mais recentemente, do Brasil.

Quadrinhos Dourados (Opera Graphica), de Diamantino da Silva, trata dos quadrinhos clássicos, num texto recheado de reminiscências e num tom adequadamente nostálgico.

Escrito a partir de uma tese de doutorado, Para Reler os Quadrinhos DisneyOs Quadrinhos (Paulinas), de Roberto Elísio dos Santos, é a mais completa publicação sobre a história dos quadrinhos Disney e aborda, de forma muito competente, personagens, roteiristas e desenhistas, com destaque para o trabalho dos artistas brasileiros que durante anos produziram um grande volume de HQs com essa grife, inclusive para exportação.

Além dos títulos citados, há uns poucos disponíveis nas livrarias, mas cujo interesse é muito restrito, por tratar de temas demasiadamente específicos ou de menor relevância.

Infelizmente, vários dos melhores livros sobre HQ editados no Brasil estão esgotadíssimos. Mas alguns deles compensam uma vasculhada cuidadosa pelos sebos. Feliz de quem tiver a sorte de encontrá-los.

O primeiro é Quadrinhos e Comunicação de Massa (Masp), organizado por Pierre Couperie e O Que É História em Quadrinhosvários autores, grandes especialistas em quadrinhos. A obra é um marco na abordagem dos quadrinhos como linguagem e como forma de arte. Um dos primeiros livros a dar início à linha européia de análise das HQs e que foi seguida por diversos outros escritores.

O melhor livro de Moacy Cirne, História e Crítica dos Quadrinhos Brasileiros (Funarte/Europa) é um levantamento abrangente e bem contextualizado dos personagens e autores nacionais e um trabalho primoroso de pesquisa e análise.

Também esgotado há anos, Os Quadrinhos (Ática), de Antonio Luis Cagnin, é até hoje o mais completo livro nacional a fazer um estudo semiológico dos quadrinhos, usando como referência a linguagem cinematográfica, as teorias de comunicação e os conceitos O Mundo dos Quadrinhosde percepção das formas da gestalt. Único em seu gênero, já deveria ter sido atualizado e reeditado.

O Que É História em Quadrinhos (Brasiliense), da professora Sonia Luyten, é mais um pequeno volume da clássica coleção Primeiros Passos, que faz um breve relato da história das HQs, numa linguagem leve, mas cheia de informações. Ideal para quem quer se iniciar no assunto, começando com boas referências.

O Mundo dos Quadrinhos (Símbolo), do artista plástico Ionaldo Cavalcanti, é uma "quase" enciclopédia bem interessante, cheia de ilustrações e com um projeto gráfico elaborado. Quando de seu lançamento, em 1977, teve uma excelente receptividade por abordar um grande número de personagens, mas os textos dos verbetes, além de conter algumas imprecisões são, em sua maioria, muito curtos, restringindo-se a descrições resumidas. Exceção para os personagens mais famosos, que chegam a merecer uma coluna inteira. De qualquer forma, um bom livro para se ler e ter.

Esses Incríveis Heróis de Papel O mesmo Ionaldo lançaria em 1988, pela Mater, Esses Incríveis Heróis de Papel. Com formato grande, projeto gráfico e proposta editorial semelhantes ao anterior, o livro tem uma particularidade: é dedicado aos heróis de ação e resgata uma variedade de personagens, de diversas épocas e locais, principalmente os americanos. A omissão do prefixo "super" do título, talvez tenha sido proposital para permitir a inclusão de Mandrake e Tarzan. Como referência é excelente, apesar de algumas falhas de texto.

Por último, Literatura da Imagem (Salvat), organizado por Román Gubern, um conhecido estudioso espanhol das HQs. Literatura da ImagemO volume compõe a coleção Biblioteca Grandes Temas, traduzida do espanhol e era, até poucos anos, o mais bem produzido livro sobre quadrinhos já publicado no país. Papel couché de qualidade, impressão em cores belíssimas e capa dura plastificada valorizavam um conteúdo rico em informações e profusamente ilustrado. Há algumas incorreções, mas que, de modo geral, não chegam a comprometer a qualidade do produto final.

Pela lista acima é fácil notar que, por muitos anos, o mercado careceu de livros sobre quadrinhos. Que os bons ventos que passaram a soprar a partir de 2004 continuem com toda força, pois só assim conseguiremos diminuir, aos poucos, essa carência bibliográfica sobre a arte seqüencial.

Nobu Chinen é fanático pelo Quadrinhos Sport Club, mas ultimamente tem preferido assistir às mesas redondas às partidas de futebol

 

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