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Crás! A hora e a vez dos quadrinhos nacionais Seis números de uma divertida empreitada do quadrinho nacional Por Marcelo Naranjo
A publicação esteve nas bancas, sem periodicidade definida, entre os anos de 1974 e 1975. No time dos colaboradores estavam nomes conhecidos como Zélio, Xalberto, Ciça, Ivan Saidenberg, Jayme Cortez, Nico Rosso, Primaggio Mantovi, Waldir Igayara de Souza, Miguel Paiva e muitos outros. Com uma proposta ousada da Abril para a época, o editorial afirmava "Crás! abre suas páginas com o objetivo de mostrar o trabalho de argumentistas e desenhistas, profissionais ou amadores, que, nos mais variados gêneros e estilos, buscam valorizar as histórias em quadrinhos brasileiras".
Entre os destaques, o talentoso Renato Canini apresentava Kactus Kid, um agente funerário que, para fabricar "clientes", transformava-se no cowboy mais rápido do oeste, com um disfarce que incluía uma peruca, uma dentadura e um furinho no queixo. Canini, além de ter um traço único (muitos lembram de suas histórias do Zé Carioca), demonstrava sempre uma incrível capacidade de criar gags em quase todos os quadros. Outro que chama a atenção é o Satanésio, de Ruy Perotti, personagem que chegou inclusive a ter título próprio, com duração de quatro números pela Abril, cujas capas você também confere aqui. O traço peculiar do autor tornava as histórias um atrativo à parte.
De volta para a Crás!, merecem elogios também outras séries da revista, como o Lobisomem, um monstro com ótimas histórias (num traço muito divertido), que tenta atacar as pessoas, mas nunca tem êxito em suas empreitadas. Algumas histórias, como Vavavum e Alex e Cris, traziam grande influência da Banda Desenhada européia, mostrando que o pessoal tinha ótimas referências para criação. A revista apresentou ainda os personagens Filomena, Bingo, Plutônio, Januária, Rei Nanicão, Os Detetives, Onofre, Aragão e outros. No geral, todos os textos e roteiros mantinham um ótimo padrão de qualidade. Principalmente nas duas primeiras edições, uma forte tendência foi a busca de uma identidade regional em algumas tramas, trazendo elementos do folclore nacional, como lendas, personagens típicos e passagens históricas.
A Crás! apresentava na contracapa um breve histórico da história em quadrinhos no Brasil, contando como eram as revistas O Tico-Tico, Suplemento Juvenil, O Globo Juvenil e outras. Em entrevista ao Zine Virtual, Primaggio Mantovi contou que a Crás! chegou a vender 80 mil exemplares, mas o esperado era, no mínimo, 100 mil.
Para Ruy Perotti, o grande problema que determinou a curta carreira da revista foi a mistura entre quadrinhos para adultos com material infantil. Isso aconteceu principalmente nas duas primeiras edições. Depois, o material adotou a linha mais jovem. Infelizmente, seis edições foi pouquíssimo para uma publicação tão divertida. O fato, infelizmente, é que esse tipo de revista, trazendo um mix de autores nacionais, nunca permaneceu por muito tempo em bancas. E o sonho do tal mercado nacional forte e diversificado de quadrinhos continua mais que distante! Marcelo Naranjo fez diversas colunas sobre séries antigas para o Universo HQ. Para conferir, clique aqui.
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