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Alan Moore sai da DC/Wildstorm

Por Sérgio Codespoti (24/05/05)

Alan Moore Segundo o colunista de quadrinhos Rich Johnston, Alan Moore está se desligando da DC/Wildstorm. Uma das brigas marcantes do autor com a editora foi a respeito de produtos de Watchmen, buttons para ser mais preciso, vendidos logo após o lançamento da série, sobre os quais a DC não pagou os royalties a Moore e Dave Gibbons. Para piorar tudo, a editora justificou o não pagamento afirmando que eram itens promocionais.

Vale lembrar que originalmente os direitos de Watchmen reverteriam para Moore e Gibbons, logo que a edição estivesse esgotada e fora de catálogo, coisa que, até hoje, depois de 20 anos, ainda não ocorreu, visto que a DC continua reimprimindo o material anualmente.

Moore montou a ABC Comics quando a Wildstorm pertencia à Image. Mais tarde, quando foi vendida à DC, foi preciso acertar os ponteiros com Alan Moore, para que não existisse nenhuma interação entre o autor e a editora.

Liga Extraordinária Volume 3Mas, como era de se imaginar, aconteceram problemas. Primeiro, Paul Levitz, o chefão da DC, ordenou que o número #5 do segundo volume da Liga Extraordinária fosse destruído (virou apara de papel) e reimpresso, sem um anúncio (réplicas de anúncios vitorianos impressos nas revistas originais) que ele considerou abusivo, que continha a expressão Marvel Douche.

Douche (ou Douche Bag) hoje é um termo usado com gíria ofensiva em inglês, apesar de significar, originalmente, uma ducha para lavagem, usada em tratamentos médicos. A palavra "Marvel" (nome da editora concorrente da DC), significa maravilha (ou neste caso, maravilhosa).

Depois deste incidente, a DC, novamente sob ordens de Paul Levitz, proibiu que Moore usasse uma história de domínio público, num conto de Cobweb, em Tomorrow Stories #8, que fazia alusão a outros personagens da editora.

Watchmen Este incidente foi o estopim para que o criador, em 2000, retirasse seu apoio à edição de 15° aniversário de Watchmen. Este álbum em capa dura seria lançado juntamente com uma linha de brinquedos. Moore publicou uma declaração se opondo à editora e ao projeto, que resultaram no cancelamento de ambos.

Desde então, o autor tem procurado terminar seu trabalho na ABC e se afastado de seu papel mais ativo, permitindo que outros artistas, incluindo sua filha Leah Moore, trabalhassem com os personagens.

Em 2005, Alan Moore fez um ultimato à DC, usando Scott Dunbier como intermediário. O autor não toleraria mais nenhuma interferência, qualquer que fosse, da editora em seu trabalho. Se isto ocorresse, ele levaria seus projetos remanescentes (leia-se Liga Extraordinária Volume 3) para ser publicado em outro lugar.

Para entender o resto das razões que levaram Moore a sair da DC, é necessário explicar problemas que o escritor inglês teve com outros filmes adaptados de seus quadrinhos, mais precisamente a versão cinematográfica de A Liga Extraordinária.

A série original foi escrita por Moore e desenhada por Kevin O'Neil, e serviu de "base" para o filme, que tem pouca relação com o material original.

V de Vingança O filme (e não Moore) introduz no grupo de heróis vitorianos (composto por Alan Quarterman, Mina harker, Sr. Hyde, Capitão Nemo e o Homem-Invisível), os personagens Tom Sawyer e Dorian Gray. E isto levou a um processo por plágio.

O processo contra a 20th Century Fox, por plágio do roteiro de Cast Of Characters, acabou incluindo Moore, que chegou a passar dez horas depondo sobre seu trabalho numa delegacia de polícia. E o fato da Fox pagar para resolver o problema fora dos tribunais, só piorou a imagem do acontecido.

Desde então, Moore tem recusado dinheiro e crédito nos filmes adaptados de seu trabalho. O autor pediu que seu nome fosse retirado de Constantine e que sua parte do dinheiro fosse dividida com os artistas e outros autores que trabalharam com o personagem que ele criou, como John Totleben, Rick Veitch e Steve Bissette.

Joel Silver O mesmo ocorreu com o filme V de Vingança, da Warner Bros. (estúdio que é dono da DC Comics) produzido por Joel Silver e escrito pelos irmãos Wachowski, cuja parte em dinheiro foi para David Lloyd.

Moore chegou a conversar com Larry Wachowski e lhe disse que não queria participar do filme, não tinha interesse em Hollywood e que estava ocupado. Um press release de Joel Silver divulgando a data de lançamento do filme (novembro deste ano), distorceu as palavras de Moore, usando seu nome para promover o filme.

Alan Moore pediu, novamente por intermédio de Dunbier, que o produtor se retratasse, explicasse o ocorrido e fizesse um pequeno pedido de desculpas. Algo simples como "devido a um mal entendido Alan Moore não deseja estar associado ao filme V de Vingança".

Apesar da tentativa do próprio Paul Levitz de obter um pedido de desculpas do produtor, a única coisa que foi feita depois de duas semanas (prazo dado por Alan Moore), foi a retirada de seu nome do release, no site do filme.

O que levou o autor, famoso por suas atitudes decisivas e pelas defesa ferrenha de seus valores, a tirar A Liga Extraordinária (The League of Extraordinary Gentlemen) das mãos da DC.

O terceiro volume da série, que está quase pronto, será publicado pela editora Top Shelf, editado por Chris Staros, em parceria com a britânica Knockabout Comics.

Anteriormente o autor já havia se indisposto com a Marvel Comics, que nos últimos anos tem tentado restabelecer relações com Moore.

Além disso, o criador está terminando seu novo livro, Jerusalem, e uma graphic novel que sairá pela Avatar.

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