| |
Título: OS 300 DE ESPARTA (Editora
Abril) - Minissérie em 5 edições
Autores: Frank Miller (roteiro e arte) e Lynn Varley (cores).
Preço: R$ 3,50 (preço da época)
Número de páginas: 32 por fascículo
Data de lançamento: 1999
Sinopse: No ano de 480 a.C., o império persa comandado por Khchayarcha
reúne o maior exercito já organizado até então para executar a homérica
missão de conquistar todos os povos gregos.
Para tentar conter a terrível investida persa, as cidades gregas de Atenas,
Egina, Eubéia e Esparta preparam seus exércitos para uma batalha no desfiladeiro
das Termópilas, onde enfrentarão um inimigo infinitamente maior do que
qualquer outro que já tenham visto antes.
Leônidas, rei de Esparta, conta apenas com seus 300 soldados da guarda
especial, e terá que organizar toda a defesa dos povos gregos contra seus
terríveis inimigos.
Honra, dever, glória, combate e vitória em cinco emocionantes capítulos.
O consagrado mestre dos quadrinhos Frank Miller conta uma aventura real
de coragem, na qual homens incríveis encaram o maior desafio de suas vidas
e ultrapassam as barreiras da existência para entrarem para a História.
Positivo/Negativo: Há diversos fatores que fazem de 300
uma obra ímpar dos quadrinhos. Com uma narrativa primorosa e desenhos
estupendos, Frank Miller construiu uma história brilhante.
A trama já merece atenção por sua premissa. Por muito tempo, quadrinhos
foram associados a super-heróis. Mas nessas páginas, o autor mostra que
uma HQ, assim como qualquer outro meio artístico, pode servir para os
mais diversos fins. Ou seja, um bom gibi pode contar qualquer tipo de
história.
E a história que poderia soar enfadonha na sala de aula é contada com
brilhantismo por Miller. Claro que há algumas liberdades poéticas por
parte do autor, mas vale ressaltar que o material é, em sua grande maioria,
um retrato fiel da batalha das Termópilas.
Além de fazer uma larga pesquisa sobre o material da época, o escritor
capturou a verdadeira essência do povo espartano. Em momentos em que qualquer
outra história cairia na pieguice, o forte sentimento guerreiro daquele
povo se sobressai criando uma atmosfera totalmente diferente da esperada.
Os personagens são profundos e traduzem perfeitamente o espírito da época.
Em vários momentos, suas ações chocam, e suas falas, mesmo quando carregadas
de emoções, são duras e frias.
Montando esse complexo paradoxo de sensibilidade e rudeza, Miller conta
a história do ponto de vista espartano sem ser maniqueísta. Se por um
lado, o leitor torce por Leônidas e seus soldados, em alguns momentos
sente horror pelas ações dos guerreiros.
Os desenhos são uma contemplação à parte. O autor monta páginas belíssimas
e de uma elaboração genial. Em alguns casos, usa vários quadros dispostos
das mais diversas maneiras; e em outros utiliza páginas duplas para apenas
uma cena. O ritmo da narrativa é inigualável.
Miller também usa traços fortes e firmes, como se quisesse representar
a determinação de seus personagens. As cenas de luta são dignas de muitas
obras hollywoodianas, pois transmitem toda a selvageria de uma
batalha com armas frias.
As cores de Lynn Varley são sublimes e acompanham perfeitamente o clima
imposto no roteiro e nos desenhos por seu esposo. Usando um tom desgastado,
ela destaca todo o potencial dramático da história.
As capas estão impecáveis e cumprem todas suas funções possíveis: são
elegantes, chamativas e, de um modo preciso, resumem o conteúdo da edição.
Os cinco capítulos que dividem a obra montam no final um perfeito quadro.
No primeiro episódio - Honra -, o leitor é apresentado ao cruel
mundo espartano, ao formidável rei Leônidas e à guerra que se aproxima.
No segundo, Dever, a trama é aprofundada e revela aos poucos o
verdadeiro motivo da guerra e as artimanhas usadas pelos persas para enfraquecer
Esparta antes mesmo da batalha.
Aqui também é possível perceber uma crítica sutil de Miller aos representantes
de "divindades" na Terra, que muitas vezes se aproveitam da ignorância
do povo em seu próprio proveito.
A terceira parte, Glória, define de vez que tipo de povo era o
espartano, além de apresentar um personagem de extrema importância para
a trama, o bizarro Ephialtes, que merece ser destacado por seu visual
inesquecível e por ser a figura mais complexa depois de Leônidas.
No capítulo seguinte, Combate, Frank Miller conduz a história para
seu clímax e banha as páginas com sangue. O leitor conhece melhor Xerxes,
rei e deus dos persas. Bom lembrar que esse personagem será vivido pelo
brasileiro Rodrigo Santoro na vindoura adaptação de 300 para o
cinema, com direção de Zack Snyder, e estréia prevista para 2006.
O último capítulo fecha a história de modo sensacional. Todos os personagens,
todos os acontecimentos, exatamente tudo mostrado até então cumpre um
objetivo na trama e o ciclo é fechado de modo espetacular.
Os 300 de Esparta é uma daquelas obras que surgem raras vezes nos
meios artísticos e consegue encantar pessoas no mundo todo. Pode ser lembrado
como um gibi que foge da mesmice, um épico da nona arte ou mesmo uma aula
empolgante. No entanto, é "apenas" uma história bem contada, como
toda HQ deveria ser.
Classificação:   
- Diego Navarro
|
|