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MATERIAL IMPORTADO
Título: KILL YOUR BOYFRIEND (DC
Comics) - Edição especial
Autores: Grant Morrison (texto), Philip Bond (arte), D'Israeli
e Bond (arte-final).
Preço: US$ 4,95
Número de páginas: 60
Data de lançamento: Junho de 1995
Sinopse: Uma garota entendiada. Um cara sem rumo. Quando os dois
se encontram, dividem uns goles de água e decidem dar um jeito na chatice
da vidinha dela, a começar pelo totem de caretice que é seu namorado,
um gordinho que prefere se masturbar diante de filmes pornôs a desvirginar
a mocinha.
Depois de assassinar o garoto, os dois partem para uma aventura que envolve
transformismo, drogas, bissexualismo, música eletrônica, pop art,
assaltos, suicídio e infanticídio.
Positivo/Negativo: Página 10: um cara oferece vodka a uma garota.
É a primeira vez que eles conversam.
- Não, eu não bebo - ela responde.
- Quer começar? - o cara revida.
Página 11: eles conversam, ela reclama da vida. Ele diz que a garota está
entediada e dá a solução:
- Vamos matar seu namorado.
As duas páginas estão entre as melhores que os quadrinhos norte-americanos
produziram nos anos 90 - e repare que seus autores são britânicos. Nesse
período, a Grã-Bretanha foi o celeiro das boas HQs que saíram nos Estados
Unidos. E se Neil Gaiman e Alan Moore já tinham conquistado espaço cativo
de devoção de seus leitores, Grant Morrison estava no caminho.
No seu currículo, o Batman perturbado e perturbador de Asilo
Arkham e duas inebriantes revitalizações: Homem-Animal
e Patrulha do Destino. E, no meio de trabalhos menores, obras admiráveis
como Flex Mentallo, Sebastian O, Aztek.
Nada de X-Men, Liga da Justiça, Invisíveis, WE3 ou Superman.
Ele ainda não era um popstar. Vertigo Voices, a coleção
que publicou Kill Your Boyfriend, era um lado B dentro do lado
B da DC Comics, o selo cult Vertigo. Na coleção,
alguns autores foram convidados a desenvolver histórias ainda mais pessoais.
E foi nesse contexto que KYB saiu. Só assim dá para entender como
essa história não aparece citada entre as melhores da década passada.
Mais do que um marco para os quadrinhos, ela merece espaço no hall
da cultura pop. Foi produzida simultaneamente com os filmes Natural
Born Killers e Pulp Fiction, e transita no mesmo universo.
Mais que coincidência, o dado mostra um reflexo do espírito daqueles tempos
nas três obras. E, por vezes, esta HQ é mais radical: correndo o risco
de estragar uma das grandes surpresas da história, os dois personagens,
embora não saibam, são irmãos, o que transforma os ares de fraternidade
em um perturbador incesto.
O ritmo é doentio, os coadjuvantes são deliciosos, o desenho de Bond é
impecável, mas é nas frases e nos diálogos de Morrison que estão os grandes
momentos. Tudo que é dito é imediato, espontâneo e decisivo - o que acabou
rendendo um delicioso site
de citações randômicas na internet.
A importância do texto foi o que acabou matando a versão nacional da história,
publicada em 1999 pela Tudo em Quadrinhos, rebatizada como Como
Matar seu Namorado. A tradução não segura a obra, que perdeu o brilho.
Definitivamente é outra coisa. Visualmente parecida (embora com cores
desbotadas e letras bem tortas), mas está longe de ter a força do original
em inglês.
A começar, repare no título: em inglês, é direto, como um soco - "Mate
Seu Namorado". Em português, ganhou ares de manual, o que é exatamente
o oposto do que a HQ recomenda: se você quer fazer, vá lá e faça.
Classificação:   
- Eduardo Nasi
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