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O humor com todo status
A revista Status Humor trazia sacanagem, sim, mas com a melhor qualidade do mundo
Por Marcelo
Naranjo
Na
década de 1970, a revista erótica Status, da Editora Três,
brindava seus leitores com uma edição mensal que trazia conteúdo de alta
qualidade e muito bom gosto para adultos, a Status Humor.
Em formato magazine, a publicação trazia nomes consagrados, seja pelo
humor inteligente ou pelo trabalho no gênero erótico das charges e cartuns.
Entre os criadores que desfilaram nas páginas da Status Humor,
estavam artistas estrangeiros do naipe de Hoviv, Mordillo, Quino, Sempé,
Kiraz, Lassalvy, Tetsu, Anscomb, Aldebert, Pat Mallet, Du Buillon, Siné,
Wolinsky, Maroc, Clew, Reiser, Soro, Crist, Bellus, Vigno, Chanson, Nydegger
e outros.
Nesse panteão verdadeiramente galáctico, houve a participação de artistas
brasileiros, que mostraram seu talento e também fizeram a festa dos leitores
da publicação. Craques nacionais como Nani, Nelson Coletti, Juarez Machado,
Daniel Azulay, Carlos Estevão, Geandré, Luscar, Henfil, Jaguar, Millôr
Fernandes, Duayer, Osnei, Michelle e Nildão. Todos reconhecidos no meio
e com direito até a biografias.
Alguns
autores tiveram grande destaque, como Lassalvy, Suas gatas voluptuosas
e cheias de curvas provocavam com sua nudez situações que muitos marmanjos
gostariam de participar, num humor direto, tanto machista quanto divertido.
Quino dispensa apresentações, por ser talvez o melhor do mundo em seu
gênero. Em cada quadro, cada cartum seu, fazia obrigatoriamente o leitor
parar para pensar - depois dos risos.
Outro que marcou época nas páginas da revista foi Pat Mallet, que trazia
seus pequenos marcianos verdes, extremamente sacanas, que só pensavam
"naquilo" com as terráqueas.
Já Mordillo, com seu humor extremamente visual, sem palavras, apresentava
seu nonsense em cenários detalhados, que chegavam a sair em cores
na revista, quando a maioria das páginas era em preto-e-branco.
Algumas edições traziam coletâneas com o melhor do humor francês, humor
inglês, humor suíço, humor negro, humor brasileiro, humor norte-americano
e outros. Completavam as páginas algumas entrevistas, contos ou textos
dos criadores.
Diversos volumes de capa dura foram lançados pela editora, coletando duas
revistas mensais cada - os famosos "encalhes", reunidos num formato luxuoso.
A publicação marcou época. Afinal, quem não curte uma sacanagem? No bom
sentido, lógico!
Infelizmente, será difícil que uma coletânea de humor de tal porte volte
a aportar em nossas bancas. Sorte nossa que, hoje, a internet permite
acompanhar o humor de tantos artistas que, com seu traço, tornam menos
árdua a difícil labuta de nosso dia-a-dia.
Marcelo Naranjo garante
que comprou essas revistas pelo teor intelectual de seu conteúdo, e não
pelas piadinhas de sacanagem...
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