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Os dez grandes momentos do Super-Homem nos quadrinhos
É hora de relembrar o que de mais importante aconteceu na vida do Homem de Aço em quase sete décadas de aventuras
Por Marcus Ramone
Uma inigualável experiência de vida. Isso é o que o Super-Homem acumulou
em tantos anos de luta a favor dos fracos e oprimidos, como diz a máxima
dos heróis dos gibis.
Não é à toa que o personagem tem muita história para contar. Ele já morreu,
ressuscitou, ganhou um clone, virou monstro, perdeu os poderes, desenvolveu
novas habilidades, enfim, sofreu as mais diversas transformações físicas,
sociais, psicológicas e profissionais que se possa imaginar.
Confira, a seguir, alguns dos fatos mais relevantes que ajudaram o Homem
de Aço a se tornar um dos maiores fenômenos da indústria pop em todo o
mundo.
10)
Um beijo para ficar na memória
Qual fã nunca imaginou o Super-Homem e a Mulher-Maravilha fazendo um par
romântico? Isso acabou acontecendo em Action Comics # 600 (no Brasil,
saiu pela Editora Abril em Superpowers # 16, em 1989). A
aventura, escrita e desenhada por John Byrne, prometia mostrar o ”romance
do século”, mas o caso amoroso não passou daquela edição.
Na verdade, foi apenas uma sessão de beijos, ou melhor, superbeijos. Por
se tratar de um love affair entre dois dos mais famosos super-heróis
dos quadrinhos, o acontecimento causou bastante frisson entre os leitores
na época.
Dali em diante, tornou-se comum os dois personagens aparecerem casados
e até com filhos em histórias de cronologia alternativa.
Cena marcante: Super-Homem e Mulher-Maravilha flutuando no ar aos
beijos e abraços.
9)
Homem de Aço versus Homem-Morcego
Desde Davi e Golias, não acontecia uma luta do mesmo porte. Em O
Cavaleiro das Trevas, obra-prima de Frank Miller que revolucionou
os quadrinhos na década de 1980, Batman mediu forças com o Super-Homem
no que parecia ser um confronto desigual. Ledo engano.
O embate homérico, no final da minissérie, foi o clímax da trama. O Morcego
saiu muito machucado e foi dado como morto, mas também bateu a valer no
Homem de Aço, graças a uma armadura e, claro, a um pouco de kryptonita.
Cena marcante: Super-Homem levando um chute certeiro no queixo
com o sangue escorrendo.
8) Super-Homem assassino
Quem disse que o Homem de Aço não mata? Para livrar uma Terra alternativa
do domínio do General Zod e seus asseclas, o Super-Homem se viu obrigado
a usar o único artifício capaz de detê-los: assassinato.
Após voltar à sua dimensão, o herói foi acometido por crises existenciais
que o forçaram a se exilar no espaço por um bom tempo.
Cena marcante: De olhos fechados e cabeça baixa, Super-Homem sofre
em silêncio após matar os três vilões.
7) Super-Homem contra Capitão Marvel
Há muitos motivos para considerar a fantástica minissérie O
Reino do Amanhã uma das melhores HQs de super-heróis de todos
os tempos. Um deles é a sensacional seqüência de páginas em que Super-Homem
e Capitão Marvel travam um duelo sem precedentes.
O Homem de Aço apanhou como poucas vezes em sua vida, e não conseguia
impedir que o mortal mais poderoso da Terra ajudasse os supervilões a
deflagrar um Armagedon. Mas, talvez por isso mesmo, o conceito de herói
tenha caído tão bem sobre ele.
Cena marcante: Super-Homem quase é “torrado” pelos sucessivos ataques
dos raios que transformam Billy Batson em Capitão Marvel.
6) A revanche contra Apocalypse
O monstro assassino que acabou com a vida do Super-Homem também morreu
no confronto com o Homem de Aço. E, assim como ele, voltou dos mortos
como quase todo personagem dos quadrinhos que parte desta para melhor.
Nada mais justo, então, que houvesse uma revanche.
É certo que o novo encontro entre os dois não foi tão devastador quanto
o primeiro, mas valeu pela chance que o herói merecia de ir à forra. Dessa
vez, ele usou a inteligência para vencer Apocalypse. Não sem a ajuda de
Tempus e da Caixa Materna, é bom que se diga.
Cena marcante: Vestido como um guerreiro kryptoniano, Super-Homem
brada “Essa loucura termina hoje!” e desfere um potente soco em Apocalypse.
Reforçando a dramaticidade da cena, o desenho foi feito em página dupla.
5) O primeiro encontro com o Homem-Aranha
Um sonho que todo leitor de quadrinhos de super-heróis, em todas as gerações,
sempre rezou para ver realizado. Em 1976, os dois principais personagens
da Marvel e da DC apareceram
juntos em uma mesma aventura.
Batizado de “a batalha do século”, o evento foi o primeiro crossover
entre as duas maiores editoras de super-heróis dos Estados Unidos. O roteiro
bem amarrado de Gerry Conway e os magistrais desenhos de Ross Andru deram
aos fãs uma HQ inesquecível na qual Super-Homem e Homem-Aranha, depois
de partirem para a briga devido a um mal-entendido, unem forças contra
Lex Luthor e Dr. Octopus.
Cena marcante: Super-Homem desfere um murro contra o rosto do Homem-Aranha,
mas se detém a tempo de evitar acertá-lo. Entretanto, o deslocamento de
ar gerado pelo movimento do punho do Homem de Aço joga o Cabeça-de-Teia
muito longe, fazendo-o atravessar um prédio.
4) A reformulação por John Byrne
Depois de Crise nas Infinitas Terras, o Super-Homem passou a ser,
de fato, o último filho de Krypton; seu maior inimigo, Lex Luthor, deixou
de ser um supervilão high-tech para se tornar um inescrupuloso
magnata com sede de poder; e seus dons quase divinos foram bastante diminuídos.
Essas e outras mudanças transformaram o Homem de Aço em um personagem
mais humano e com muitas possibilidades para grandes aventuras. Tudo por
obra do genial (e genioso) John Byrne.
Cena marcante: Depois que o Super-Homem, ainda em trajes civis,
salva Lois Lane de um acidente com a nave espacial em que ela se encontrava,
a repórter do Planeta Diário dá ao herói o nome pelo qual seria conhecido
em todo o mundo.
3) O casamento
Não foi o primeiro enlace matrimonial de um super-herói. Muito antes disso,
Fantasma e Homem-Aranha já haviam subido ao altar. Mas, como se tratava
do Super-Homem, o evento ganhou destaque fora dos gibis e foi noticiado
pelos veículos de comunicação em muitos países, antes e depois do acontecimento,
realizado em 1996.
Os brasileiros só puderam assistir à cerimônia dois anos depois, na edição
especial O Casamento do Super-Homem (Editora
Abril), onde aconteceu de tudo: ação, humor, romance e até o Batman
presenteando os noivos com um apartamento. Inesquecível para o casal...
e para os leitores.
Cena marcante: Os super-heróis patrulhando Metrópolis, a fim de
garantir uma lua-de-mel tranqüila para os recém-casados. Página dupla
muito bonita.
2) A morte
"Todos sabiam exatamente onde estavam e o que faziam no momento em que
John Kennedy foi assassinado. Hoje é um dia como aquele. Pois hoje é o
dia em que o Super-Homem morreu".
Muitos consideram que nunca houve um acontecimento tão marcante quanto
esse nas HQs. O combate épico entre o Homem de Aço e o monstro alienígena
Apocalypse foi talvez o mais tenso, equilibrado e devastador de todos
os confrontos entre heróis e vilões já mostrado em uma revista em quadrinhos.
Mais que isso, o maior super-herói da Terra morreu
de uma forma tão dramática quanto poética. A repercussão do fatídico acontecimento
caiu como uma bomba atômica no Universo DC. Jamais se viu tamanha
comoção nos gibis.
Mas, na vida real, a morte do Super-Homem foi ainda mais significativa.
Além das manchetes em jornais, revistas e telejornais em várias partes
do mundo, o resultado da tragédia reascendeu a popularidade do último
filho de Krypton e aumentou as vendas de seus títulos a um nível que há
muito tempo a DC não via.
Cena marcante: Lois Lane segurando o corpo sem vida do Super-Homem.
Ao fundo, a capa vermelha rasgada e hasteada em um mastro improvisado.
1) Surge o Homem do Amanhã
O começo de tudo. Em 1938, quando o Super-Homem estreou na primeira edição
de Action Comics, já existiam nos quadrinhos outros heróis fantasiados
lutando contra a opressão e a injustiça. Mas nenhum como ele. Ninguém
tão poderoso e capaz de tantas proezas quanto aquele personagem que inaugurou
o conceito de super-herói.
Apenas um ano depois da estréia, o assim chamado Homem do Amanhã já era
um tremendo sucesso, estampando produtos licenciados com sua marca e testemunhando
as imitações baratas que começavam a aparecer.
Em sua primeira aventura, surgiu a famosa descrição de suas habilidades:
mais rápido que uma bala, mais forte que uma locomotiva e capaz de saltar
edifícios com um único salto. A partir dali, teve início a saga de um
dos nomes mais conhecidos da cultura popular em todo o mundo.
Cena marcante: Na capa de Action Comics # 1, mais do que
mil palavras, a imagem já mostrava aos leitores que aquele herói vestido
de azul e vermelho era diferente de todos os outros. A cena é reproduzida,
numa bela homenagem, no filme Superman
– O Retorno.
Marcus Ramone não revela para ninguém, mas anda sempre com uma surrada
camisa azul com um grande “S” sob a roupa
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