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Conheça os Arquivos Hergé

Por Sérgio Codespoti, de Luxemburgo (07/08/06)

Archives HergéEm 1973, a editora francesa Casterman lançou uma coleção preciosa para os fãs de Tintim e Hergé: a série Archives Hergé.

São álbuns em capa dura com mais de 400 páginas, reproduzindo os originais em preto-e-branco de Tintim e outros personagens de Hergé, como eles foram publicados nos jornais da época, com todos seus defeitos e inclusive com pranchas nunca mais republicadas.

Os álbuns mais longos foram posteriormente redesenhados e adaptados para caber no formato padrão da Casterman.

O volume 1 traz uma pequena introdução sobre o trabalho de Hergé na época, os personagens e os jornais onde foram publicados, o valor histórico do material e uma explicação sobre uma página de Tintim no País dos Sovietes, que até esta edição (de 1973) nunca havia sido reproduzida desde 1929, nem nos álbuns especiais e nem mesmo nas edições piratas.

São 418 páginas em preto-e-branco reproduzindo na íntegra: Totor, Chef de Patrouille des Hannetons (escoteiro precursor e inspirador de Tintim), publicado no jornal Le Boy-Scout Belge entre 1926 e 1929; Tintim no País dos Sovietes (1929); Tintim no Congo (1930); e Tintim na América (1931), estes três últimos publicados no suplemento semanal Le Petit Vingtième.

Archives Hergé

As três histórias de Tintim foram originalmente encadernadas pelo próprio jornal e lançada no selo Éditions du Petit Vingtième. Ambas foram posteriormente redesenhadas por Hergé e relançadas em cores, pela Casterman nos álbuns bastante conhecidos do público atual.

Estas histórias originais são profundamente influenciadas pela política e as informações disponíveis nos livros e filmes da época, com todas as suas distorções e até preconceitos. A Rússia estava no início do período pós-revolução, o Congo era uma colônia Belga, e os Estados Unidos em plena época da proibição e do gangsterismo, que caracterizam a América dos anos 1930.

Também é bom lembrar, para fazer um julgamento mais balanceado, que Hergé era um jovem na casa dos vinte anos de idade e que a informação era muito mais escassa do que hoje em dia. Não havia TV, o rádio estava em seus primórdios e, é óbvio, não havia Internet.

Visto fora de contexto, estas histórias são assustadoramente racistas e colonialistas, privilegiando um ponto de vista europeu branco elitista. Parte do paternalismo e do ranço colonial ainda permanecem nestes álbuns redesenhados, que Hergé modificou para atualizá-los e para mudar muito de seus valores, pois os do próprio autor haviam se transformado pelas suas experiências e ele reconheceu isto, várias vezes, em entrevistas.

Estas páginas em preto-e-branco, com um desenho até primitivo, mostram a preocupação do autor com a trama, a dificuldade da pesquisa na época, e são uma janela para os valores morais e éticos da Europa no início da década de 1930.

O terceiro volume da coleção (em capa dura, com 397 páginas) traz os originais de Os Charutos do Faraó (1932), O Lótus Azul(1934) e o Ídolo Roubado (1935), todos relançados no Brasil recentemente, pela Companhia das Letras.

Além disso, há uma introdução e duas páginas traduzem diversos textos e inscrições em chinês que podem ser vistos nos quadros de O Lótus Azul.

Archives Hergé Aqui já é possível ver, nas páginas em preto-e-branco, o desenvolvimento no traço de Hergé, que melhorava a cada história. O estilo de desenho de Georges Remi, que assinava Hergé, influenciou dezenas de artistas, na década de 1960 ganhou o nome de Linha Clara, e é até hoje seguido por muitos desenhistas.

Sua paixão pela pesquisa cresceu principalmente depois do encontro com Chang Chong-jen, que foi sua grande referência para fazer O Lótuz Azul.

(Nota do Universo HQ: Durante sua visita ao Festival de Contern, em Luxemburgo, Sérgio Codespoti teve a sorte de encontrar dois volumes, o 1° (décima edição) e o 3°, pela bagatela de 16 euros cada. Uma ninharia considerando-se que os volumes da Casterman estão esgotados).

O Archives Hergé Tome 1, edição Casterman, de 1973, em francês, pode ser achado na Fnac francesa, setor de raros e antigos, por 53,28 euros, sem incluir frete.

No site Amazon o volume 1, da Methuen (edição de 1984, provavelmente em inglês, afinal a Methuen é uma editora inglesa, mas o site não especifica a língua), usado, sai por 249,95 dólares (sem o frete!).

Na Amazon francesa ele custa assustadores 346,81 euros; e na Amazon inglesa sai por exorbitantes 218,83 libras. Sempre sem incluir o frete e lembrando que são edições em bom estado, mas usadas.

O segundo volume da série, que traz os endiabrados personagens Quick e Flupke, também de Hergé, pode ser encontrado por razoáveis 40 euros na Amazon francesa.

Archives Hergé

Já os volumes 3 e 4 (exclusivamente destinados à Tintim) estão esgotados e não há preços nem disponibilidade nos catálogos de nenhum destes sites.

TENHA NA SUA COLEÇÃO!
As Aventuras de Tintim - Os Charutos do Faraó As Aventuras de Tintim - Tintim na América As Aventuras de Tintim - Tintim no Tibete As Aventuras de Tintim - O Caranguejo das Pinças de Ouro As Aventuras de Tintim - O Cetro de Ottokar
















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