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Os super-heróis do mundo real
Por Marcus Ramone
(12/04/06)
No
início deste ano, o Universo HQ noticiou
a incrível história do Capitão Jackson, um vigilante mascarado que patrulhava
as ruas da cidade de Jackson, em Michigan, Estados Unidos, e teve a carreira
encerrada por culpa de um repórter de jornal.
Embora a origem, os feitos e a derrocada do indivíduo em questão revelem
uma história que, talvez, o torna o único "super-herói da vida real",
a verdade é que existem outros malucos (ou brincalhões) mundo afora que
brigam por esse título. E a disputa é acirrada.
Para se ter uma idéia, "Batman" e "Robin" atuam desde 2004 em Whitley,
na Inglaterra, segundo uma recente matéria publicada no jornal inglês
The Evening Post. Entre outras boas ações, eles ajudam motoristas
com problemas no carro e ainda lutam contra o crime, seja lá de que forma
fazem isso.
Ainda na Inglaterra, o site da BBC de Londres revelou a existência
do "Serralheiro", que atua na cidade de Kent e na capital inglesa. O
sujeito passa seus dias procurando carros presos com as chamadas botas
de Denver e os liberta. Esse dispositivo é tão impopular quanto utilizado
naquele país, e consiste em prender a roda de um automóvel de forma a
impedir seu movimento.
Embora tenham o propósito de segurança, as botas de Denver são muito usadas
pela polícia ou por donos de propriedades que encontram veículos estacionados
em locais proibidos ou não autorizados. E todos podem cobrar uma quantia
para liberar os carros. Assim, o Serralheiro, que já foi vítima dessa
prática mais de uma vez, resolveu agir em defesa de outros infortunados.
O Canadá também tem o seu "super-herói". É o "Homem-Polar", que entretém
crianças com brincadeiras, distribui alimentos e roupas aos mais necessitados
e pratica outras louváveis iniciativas. Mas não é que o danado também
cisma de fazer rondas noturnas na cidade de Iqaluit, a fim de inibir ações
de criminosos?
Voltando aos Estados Unidos, mais precisamente em Nova York, qualquer
um pode se deparar com Terrifica e seu visual que mistura Feiticeira Escarlate
com Valquíria. A pochete de utilidades da "super-heroína" contém telefone
celular, batom e máquina fotográfica, tudo necessário à realização de
sua missão: impedir que os homens molestem as mulheres que bebem demais.
Por isso, Terrifica (ou Sarah, o nome verdadeiro da garota) patrulha bares,
clubes noturnos e as ruas da Grande Maçã. Ela se iniciou no "vigilantismo"
no final da década de 1990, logo ao chegar em Nova York, depois de sofrer
uma desilusão amorosa em Pittsburgh (cidade que já tem um "super-herói",
o Burgh Man). Seu arquiinimigo (sim, ela tem um, mas ninguém nunca o viu),
que se chama Fantástico e é o arquétipo do homem cafajeste, deve ser a
personificação das frustrações em torno de seu antigo namorado. Sem dúvida,
a garota tem tudo para virar ídolo das feministas.
Um vigilante bem mais invocado é o Escorpião Verde. "Estou aqui para chutar
traseiros", diz o enigmático
herói que atua na região do Oeste norte-americano. Pouco se sabe sobre
ele, além do fato de que anda por aí vestido de forma esquisita e assustadora.
Já os mexicanos têm o Superbarrio, da Cidade do México, que não
se vale de violência para combater crimes de qualquer ordem. Seu "poder"
é o de organizar reuniões, protestos e abaixo-assinados sobre assuntos
que afetam a sociedade.
Dois outros superfantasiados dos EUA também são servos das nobres missões.
Um é o "Homem Respira-Fácil", garoto-propaganda e ativista da ONG Partners
for Clean Air, um voluntariado que luta pela melhoria da qualidade
do ar e realiza convenções e palestras educativas.
O outro é o... Super-Homem! O Homem de Aço oficial da cidade de Metrópolis,
em Illinois, participa anualmente da Superman
Celebration e, há poucos meses, tem sido convidado pelo Exército dos
EUA a visitar
e animar os filhos de soldados nas bases norte-americanas da Europa.
Mas há os que não estão nem aí para praticar heroísmo ou militar por causas
humanitárias. Na categoria dos engraçadinhos que apenas querem aparecer
sem precisar recorrer a uma melancia pendurada no pescoço, se encontram
Giftman e Capitão Beany, ambos da Inglaterra; Superataf, da Itália; "Homem
Cor-de-rosa", dos EUA; e o Super Dooper, da Austrália.
Houve um caso em 2003, na Inglaterra, em que muita gente caiu no conto
de um desses brincalhões. Ele não se limitou a ajudar
velhinhas a atravessar as ruas, mas também alimentou as informações de
que possuía superforça e outros poderes especiais. O mistério em torno
de suas aparições gerou muitas manchetes na mídia britânica, até mesmo
com repercussão em outros países. No final, o "Homem-Macaco", como era
conhecido, revelou sua história: tudo não passava de uma brincadeira do
site de humor B3ta.
E aqui vai uma dica para quem estiver a fim de ser o primeiro super-herói
brasileiro da vida real. Visitando o site Superhero
Instruction Manual, o pretendente irá encontrar as mais úteis
informações sobre como realizar esse sonho, com detalhes sobre os equipamentos
que darão "superpoder" ao usuário, e onde encontrá-los.
Depois, é só começar as patrulhas diárias pelas ruas da cidade... ou pelo
alto e avante, dependendo dos apetrechos que adquirir.
        
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