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Super-herói da vida real encerra a carreira
Por Marcus Ramone
(16/01/06)
O
enredo é bastante familiar a qualquer leitor de quadrinhos: um super-herói
cheio de boas intenções vive entre uma parte da população que o admira
e outra que o odeia, quando um ardil perpetrado por um repórter de jornal
revela a todos sua identidade secreta e destrói sua carreira de vigilante.
Neste caso, porém, a história é real e aconteceu na cidade de Jackson,
Michigan, nos Estados Unidos, com o "super-herói" Capitão Jackson, um
paladino da justiça fantasiado que durante anos ajudou a encontrar vítimas
de assassinato e bichinhos de estimação perdidos, mobilizou empresários
da cidade para criar uma espécie de banco de alimentos para a população
carente, e ainda encontrava tempo para aparecer em eventos sociais.
A cruzada do pretenso herói teve início há cinco anos, com suas primeiras
patrulhas regulares nas ruas de Jackson, sob a anuência das autoridades
locais. Pouco depois, juntaram-se a ele as "super-heroínas" Crimefighter
Girl (Garota Combatente do Crime) e Queen of Hearts (Rainha dos Corações),
formando a equipe Crimefighter Corps.
Mas, apesar do sucesso daquela figura folclórica, com direito a site
oficial na internet, ainda havia pessoas que não queriam seus filhos
tendo um homem mascarado como exemplo a ser seguido, e a imprensa local
fomentava a desconfiança com ocasionais reportagens depreciativas.
Até que, há algumas semanas, o pacato Capitão Jackson se viu obrigado
a encerrar a carreira. "Meus dias de patrulha terminaram. Agora eu tenho
medo", disse o operário de fábrica Thomas Frankini, 49 anos, o homem por
trás da máscara do super-herói, numa entrevista concedida ao jornal Detroit
Free Press.
O ocaso do herói começou em outubro do ano passado, quando, em seus trajes
civis, foi parado e autuado por policiais ao dirigir bêbado e teve a carteira
de motorista suspensa por seis meses.
No mês de dezembro, veio o golpe final. O repórter Steven Hepker, do jornal
Jackson Citzen Patriot, descobriu a identidade secreta do Capitão
Jackson, investigou o passado do herói e escreveu uma matéria com o título
"Combatente do crime é preso por dirigir embriagado". No texto, ainda
foi revelado que Crimefighter Girl e Queen of Hearts são, respectivamente,
filha e namorada de Thomas Frankini.
Sobre ter arruinado a carreira do vigilante da cidade, Hepker foi enfático:
"Eu faria a mesma coisa se ele fosse um oficial da polícia. Mas, no fundo,
havia o desejo de desmascarar um super-herói".
"Tudo o que eu queria era fazer a diferença, diminuir o buraco sempre
crescente entre a polícia e o cidadão comum. Sou realmente um super-herói?
Por definição, sim. Eu desfruto deste título? Não. Sempre preferi ser
conhecido como combatente do crime", disse Frankini em um artigo para
o seu site.
Essa é a conturbada história do único cruzado de capa conhecido do mundo
real, com um desfecho digno das aventuras em quadrinhos do Homem-Aranha.
O pobre Capitão Jackson, definitivamente, pendurou o colorido traje e
agora tentará viver anônimo pelo resto de sua vida. Ou retornar quando
a cidade clamar por ajuda.
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