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Fantasma, o último romântico

Por Fernando Viti (17/02/06)

Lee Falk Sucesso na Escandinávia, Itália, popular no Brasil (entre as décadas de 1940 e 1970) e, principalmente, na Oceania, o Fantasma chega à sétima década de vida como uma verdadeira relíquia de um mundo que não existe mais, mas que persiste no imaginário ocidental.

O gênio de Lee Falk é atestado pela criação de um personagem de certa forma simples e, digamos, "clássico". O primeiro dado é o cenário das aventuras de seu herói: a mítica selva, entre ficcionais Índia e África. Nos anos 30, viagens ao continente negro e às terras de Gunga Din, eram verdadeiras aventuras por territórios habitados por fauna e flora exóticas, e de grande diversidade étnica e cultural.

Tanta distância, associada ao "natural" etnocentrismo ocidental, tornou o Espírito-que-anda o personagem ideal para levar os leitores a imaginar, mais uma vez, o quão importante é o papel civilizante desempenhado pelo homem branco em terras habitadas por rajás, sultões, canibais de hábitos e costumes cruéis, além dos homens do Ocidente "seduzidos e corrompidos pelo Oriente".

Lee Falk Do antigo império colonial britânico ficaram as roupas e o gosto pela aventura. Falk, atento ao sucesso de um outro herói branco das selvas, Tarzan, deu ao seu soberano de Bangala o paradigmático perfil clássico: como um Alexandre Magno do século XX, o Fantasma é o soberano promotor da justiça amado pelo povo conquistado, o herdeiro de uma dinastia comprometida com o combate à pirataria de bens matérias e vidas.

A terceira característica, talvez a mais importante, é de fundo romântico. O Fantasma é um personagem misterioso, jamais é visto sem sua máscara ou óculos escuros. Ele nunca revela sua face, pois tão importante quanto a preservação da lenda é o poder de intimidação da persona.

De acordo com a lenda, o senhor das selvas não morre, há um Fantasma desde o século XV. E o trabalho de manutenção do mito é feito por uma família que há muitos anos educa seus herdeiros para atingirem o ápice da força física, moral e capacidade intelectual.

O personagem, por ser criado na selva e educado mediante os desafios que ela apresenta, ainda que realize os necessários estudos em centros urbanos como Paris, Londres e Nova York, não se deixa corromper pelos "vícios" da modernidade. Os filhos da dinastia Walker sempre voltam à Floresta Negra.

The Phantom

Uma possível resposta à popularidade deste personagem está associada à analise aqui feita. Lee Falk realizou, em sua época, uma síntese entre o passado e o presente. Que esta combinação continue a encantar leitores ao redor do mundo, em pleno século XX, não deve espantar ninguém. Afinal, assim como Super-Homem, Tex Willer e Tio Patinhas, o Fantasma e seus companheiros, Capeto e Herói, são personagens íntegros, simples e pertencentes a um mundo ficcional sem grandes áreas cinzentas, ou seja, onde o "bem" e o "mal" são facilmente reconhecidos.

Fernando Viti, assim como o Espírito-que-anda, ainda se considera um dos últimos românticos

 
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