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10 razões por que A Morte de Gwen Stacy é a história mais importante do Homem-Aranha
Por Sérgio
Codespoti (19/09/07)
Gwen Stacy surgiu em 1965, na revista Amazing Spider-Man # 31,
numa história de Stan Lee e Steve Ditko. Ela se tornou uma das principais
personagens durante os anos clássicos das aventuras do aracnídeo.
A namorada de Peter Parker morreu de maneira assombrosa para a época,
numa batalha entre o Homem-Aranha e o Duende Verde, que entrou para a
história dos quadrinhos. A aventura foi publicada em 1973, em duas partes,
nas edições # 121 e # 122 de Amazing Spider-Man.
Os roteiros de A Noite em que Gwen Stacy Morreu (The Night
that Gwen Stacy Died) e de sua conclusão (The Goblin Last Stand)
são de Gerry Conway. Os desenhos são de Gil Kane, com arte-final de John
Romita. O editor da revista era Roy Thomas.
Abaixo, você confere as dez razões que fazem desta emblemática HQ a melhor
de todos os tempos do Homem-Aranha.
1) Fim da Inocência
A
Morte de Gwen Stacy ganhou uma importância histórica pela maneira
que chocou os leitores e cristalizou vários elementos de uma tendência
mais sombria nos quadrinhos de super-heróis.
Nunca antes um super-herói de peso como o Homem-Aranha havia falhado de
maneira tão catastrófica quanto nesta saga.
De modo geral, os uniformizados, desde seu surgimento no final da década
de 30, representavam o triunfo do bem contra o mal; a garantia da vitória.
Esta condição é considerada por muitos como uma das razões do apelo desses
personagens junto ao público jovem.
No início da década de 1970, os quadrinhos estavam mudando, desafiando
o Comics
Code Authority, com histórias mais próximas da realidade,
mostrando, entre outras coisas, o envolvimento de garotos com drogas (Ricardito
- Roy Harper, hoje conhecido com Arsenal, em Lanterna Verde; e
Harry Osborn, em Amazing Spider-Man são os exemplos mais famosos).
A Morte de Gwen Stacy coloca um ponto final na eterna vitória
do bem contra o mal, e mostra que, apesar dos heróis, nem sempre os inocentes
sobrevivem.
Muitos pesquisadores americanos consideram esta história como o final
da Era de Prata, e o início da chamada Era de
Bronze.
2)
Razões Editoriais
As causas editoriais da Morte de Gwen Stacy foram explicadas
em Amazing Spider-Man # 125, em resposta às inúmeras cartas recebidas
pela redação.
Segundo o editorial, o escritor Gerry Conway, ao ler os números recentes
(na época) do Homem-Aranha, chegou à conclusão de que o relacionamento
entre Gwen Stacy e Peter Parker estava em ponto morto, e que o único caminho
interessante a seguir seria o casamento. Mas essa idéia parecia inapropriada
para o Homem-Aranha. Afinal, ele ainda era um estudante colegial.
Num debate entre os editores e a equipe criativa (o texto menciona diretamente
Roy Thomas, Stan Lee e Gerry Conway, mas alguns relatos excluem a participação
direta de Lee) ficou decidido que Gwen deveria morrer.
John Romita, numa entrevista recente, explicou que a idéia de matar um
personagem da revista foi "emprestada" da tira Terry e os Piratas,
de Milton Caniff, na qual ocasionalmente morria uma das namoradas de Pat
Ryan. Na época, Romita era editor de arte da Marvel
e responsável pelo visual de inúmeros personagens, como, por exemplo,
Wolverine e o Justiceiro.
O curioso é que existem versões em que a equipe criativa queria matar
um personagem, e Tia May e Robbie Robertson estavam entre os candidatos,
mas opção acabou sendo por Gwen. Aliás, a ameaça de morte da Tia May é
uma das tramas mais comuns na vida do herói.
Gwen Stacy estreou numa história em que May Parker estava no hospital
lutando pela vida; e este apelo continua em vigor até hoje, pois na fase
atual do aracnídeo (antecedendo os eventos da saga One
More Day), a tia dele está mais uma vez às portas da morte.
Posteriormente, foi revelado que, entre as razões citadas para matar Gwen
Stacy, além de criar um momento forte na série, estava o envelhecimento
do personagem. Peter Parker casado pareceria mais velho, e poderia ficar
fora de sincronia com sua base de leitores, ainda jovens.
Atualmente, este argumento e com outro sobre as possibilidades dramáticas
de introduzir outros amores na vida de Peter Parker (sem que ele seja
considerado adúltero, bígamo ou sacana), são
razões citadas para separá-lo, de alguma forma, de Mary Jane.
3) O maior vilão
O Homem-Aranha já enfrentou um grande número de vilões e o Duende Verde
sempre foi um dos seus mais importantes inimigos, juntamente com o Dr.
Octopus.
O Duende surgiu em Amazing Spider-Man # 14, em 1964, numa história
de Stan Lee e Steve Ditko e, no início, sua identidade era um segredo
- o assunto foi explorado em boas tramas.
A trajetória do Duende Verde e sua relação com o Homem-Aranha e Peter
Parker podem ser consideradas um exemplo clássico do gênero.
Ao longo de uma década, o Duende Verde e o Homem-Aranha se enfrentam,
um sem saber a identidade do outro. Eventualmente, o vilão
descobre que Peter Parker é o Homem-Aranha, armando o cenário inicial
para a catástrofe que viria mais tarde.
Com a identidade secreta de Parker exposta para um de seus maiores inimigos,
o que impediria o Duende Verde de revelar o segredo ao grande público
ou realizar sua vingança contra a família do rapaz? A solução do problema
rendeu um ótimo confronto entre ambos, no qual Norman Osborn revela a
Peter Parker - capturado e desmascarado - que é o Duende Verde.
A trama se complica junto com o relacionamento desses personagens. Norman
é pai de Harry Osborn, um dos melhores amigos de Parker, com quem ele
divide um apartamento.
No final, Osborn perde a memória e esquece temporariamente sua identidade
criminosa. Mas a possibilidade de que um dia ele se recorde é um fantasma
que ronda Peter Parker.
Tudo isso é pano de fundo para o dia fatídico, quando Osborn redescobre
seu passado e usa Gwen Stacy como isca para destruir o Homem-Aranha.
A Morte de Gwen Stacy é surpreendente e não podia ficar impune.
Osborn morre vítima de sua própria traição, num momento em que tenta matar
Parker pelas costas com seu planador, empalado por uma de suas invenções.
A ascensão e queda do Duende Verde, explorada em diversos encontros num
período de quase uma década, roubou da Marvel de um dos
mais importantes vilões da carreira do Homem-Aranha.
Durante anos, a "Casa das Idéias" tentou substituir o personagem (que
ao matar a namorada do herói alcançou o posto máximo da vilania) com outros
Duendes Verdes (Harry Osborn, Dr. Bart Hamilton e Phil Urich); Duendes
Macabros (Roderick Kingsley, Ned Leeds e outros) e até mesmo Halloween
(Jack O'Lantern).
Norman Osborn e o Duende Verde foram ressuscitados retroativamente, numa
aventura controversa, durante a reformulação do Homem-Aranha, no final
da Saga do Clone.
A revisão mudou muito da história de Peter, Gwen e Norman, alterando motivações
e o relacionamento entre eles, e transformou o Duende Verde numa espécie
de eminência parda do submundo, controlando o crime das sombras, por trás
das cortinas.
Esta não foi a última vez que Osborn, numa ação retroativa de editores
e escritores, teve seu passado e sua relação com Peter Parker e Gwen Stacy
modificados (veja o item 5).
4) O Casamento do Homem-Aranha
Com a Morte de Gwen Stacy, o caminho de Mary Jane Watson, sobrinha
da vizinha de Tia May, fica livre; e a relação entre ela e Peter Parker
se intensifica.
Gwen e Mary Jane formaram vários triângulos amorosos na juventude de Parker,
num grupo que incluía, além dos três personagens citados, Flash Thompson,
Harry Osborn e Liz Allen.
Mary, eterna rival de Gwen, apareceu pela primeira vez em The Amazing
Spider-Man # 42, em 1966, pelas mãos de Stan Lee e John Romita. Anteriormente,
a personagem já havia sido mencionada e até feito uma aparição com seu
rosto totalmente obscurecido, mas que surpreendeu Liz Allen e Betty Brant
por sua beleza.
O relacionamento de Peter e Mary Jane foi interrompido diversas vezes
e os dois acabaram se casando em 1987, em Amazing Spider-Man (Vol.
1) Annual # 21 (no Brasil, Homem-Aranha
# 100, da Abril).
O casamento de Peter e Mary foi resultado de uma disputa entre Stan Lee
e Jim Shooter. Afastado do trabalho nas revistas da Marvel,
Lee cuidava de outras áreas da editora e escrevia as tiras do aracnídeo
para os jornais, cujo interesse estava em baixa. Por isso, ele decidiu
casar o personagem.
Avisado do que iria ocorrer, Jim Shooter, editor-chefe da Marvel
em 1987, decide que o herói não poderia se casar nas tiras antes de o
mesmo acontecer nas revistas mensais. Então, organiza a cerimônia.
O casório foi realizado com grande pompa. O vestido de Mary Jane na capa
de Amazing Spider-Man foi desenhado por Will Smith (nenhuma relação
com o ator de mesmo nome) e a editora chegou a distribuir convites de
casamento para a imprensa.
A cerimônia foi encenada por atores no campo do Shea Stadium (que mais
tarde seria palco da batalha entre o Homem-Aranha, seu clone e o Chacal),
com a presença de Stan Lee.
Para muitos, isso envelheceu Peter Parker e confronta uma análise de Umberto
Eco, publicada em seu famoso ensaio sobre os heróis, O Mito de
Superman, na qual afirma que uma das principais características desses
personagens é o seu perfil icônico imutável, a ausência de evolução e
o teor cíclico de suas aventuras.
O
casamento do Homem-Aranha sempre foi visto por muita gente, inclusive
escritores e editores que trabalharam na revista, como um impedimento
para o personagem, por razões similares às que resultaram na Morte
de Gwen Stacy (vide item 2).
Depois de 20 anos, existe hoje uma enorme quantidade de fãs que nunca
leram uma história do Homem-Aranha solteiro.
As tentativas editoriais de afastar, ou até matar, Mary
Jane nunca foram bem-sucedidas junto ao público.
Nos últimos anos, Joe Quesada, atual editor-chefe a "Casa das Idéias",
vem promovendo a separação dos personagens de maneira mais definitiva
(segundo ele, pior que o Homem-Aranha casado seria o aracnídeo divorciado).
Este rompimento do status quo poderá acontecer na saga One
More Day, que será lançada em breve nos Estados Unidos.
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