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Natal Disney de Ouro
A inesquecível publicação que marcou a época dos gibis natalinos no Brasil
Por Marcus Ramone
(21/12/07)
Os tempos áureos dos quadrinhos Disney no Brasil já se foram, mas
entre tantos títulos marcantes, um é lembrado especialmente nos finais
de ano: Natal Disney de Ouro, uma coletânea que durante 20 anos
esteve presente nas bancas e acompanhou a infância e a juventude de milhares
de fiéis leitores.
Embora as histórias natalinas fossem constantes no universo Disney
e, no Brasil, uma ou outra edição especial houvesse sido lançada, somente
em 1979 o primeiro título fixo sobre esse tema aportou nas bancas do País.
Em dezembro daquele ano, Natal Disney de Ouro estreou pela Abril
em uma edição com capa cartonada, mais de 200 páginas e apresentando a
republicação de 18 aventuras protagonizadas por Tio Patinhas, Donald,
Pateta, Mickey, Zé Carioca, Quincas, Branca de Neve e outros personagens.
Tudo produzido por artistas clássicos como Carl Barks, Tony Strobl, Paul
Murry, Waldyr Igayara de Souza e mais.
Em
1980, o gibi apareceu com um nome diferente (Edição Especial Natal),
um grande time de personagens e quadrinhistas e, além de outras histórias
de boa qualidade, a reedição de A princesa da neve, talvez a melhor
das HQs natalinas criadas por Carl Barks.
Década completa
Quando Natal Disney de Ouro # 3 foi lançado, em 1981, voltou com
o nome original. A edição, como não poderia deixar de ser, trouxe algumas
histórias de Carl Barks - sem esquecer de outros escritores e desenhistas
tradicionais -, mas apostou em mais produções nacionais, como a estrelada
pelo Zé Carioca em Um Natal inesquecível, da dupla Ivan Saidenberg
e Renato Canini.
A partir desse número, o título seguiu durante toda a década de 1980 sem
deixar de comparecer às bancas. Impreterivelmente no mês de dezembro de
cada ano, os colecionadores ou leitores habituais podiam encontrá-lo.
Mais que isso, era lembrado e aguardado com a certeza de que não faltaria
ao compromisso de levar bons momentos de diversão em clima natalino.
Algumas da melhores edições foram lançadas nesses anos. A de 1983 é uma
delas, com a presença de clássicas aventuras produzidas por Carl Barks
(que nessa década esteve em quase toda edição de Natal Disney de Ouro)
e uma história "caseira" antiga do Zé Carioca, que reuniu na mesma trama
uma extensa galeria de personagens de núcleos diferentes - como Donald,
Pluto, Lobão, Irmãos Metralhas e outros -, algo comum na época em que
foi publicada pela primeira vez (1968).
Foi também a partir desse número que Natal Disney de Ouro passou
a ostentar um bonito e definitivo logotipo, cujo nome estilizado ganhou
um destaque dourado em 1986.
Nos anos 1980, a revista diminuiu a quantidade de páginas, estabilizando-se
em 128, e perdeu o diferencial da capa cartonada. O tamanho também chegou
a um formatinho ainda menor que o dos primeiros números.
A seleção de histórias, porém, continuava fazendo do gibi um item certo
na coleção dos fãs, todos os anos. Até o número 5, eram apenas republicações,
mas com a edição # 6 as aventuras inéditas entraram no mix da revista.
Início do fim
Natal Disney de Ouro chegou aos anos 1990 em grande estilo. Em
1991, apresentou uma de suas capas mais bonitas e, no ano seguinte, recauchutou
a logomarca eliminando "Disney" do nome, em uma edição que primou pela
qualidade das histórias (incluindo material de Carl Barks e várias produções
brasileiras), todas republicações.
O título parecia mesmo consolidado. Na década anterior, mais precisamente
em 1985, havia resistido até mesmo a uma "concorrência interna", quando
a Editora Abril lançou o Grande Almanaque de Natal, uma
revista em formato grande, capa cartonada e 240 páginas de quadrinhos
e passatempos, que revezava suas edições com o tema "Férias".
Foi uma publicação que não resistiu por muito tempo e, já em 1989, caiu
no limbo.
Assim, Natal Disney de Ouro se aproximava do século 21 com todo
o gás e dava mostras de que seguiria em frente por muito tempo. Mas não
foi o que aconteceu.
Em meados dos anos 1990, entre vários fatores que deram início à vertiginosa
queda de popularidade e vendas dos quadrinhos Disney no Brasil,
culminando no cenário apresentado atualmente, estava a qualidade sofrível
de suas histórias contemporâneas.
Coincidência ou não, as edições de Natal Disney de Ouro passaram
a ter, quase integralmente, aventuras inéditas produzidas em países como
Itália e França.
O melhor exemplo aconteceu em 1996, seguramente o pior de todos para a
revista, cuja "perda total" só não se configurou por completo graças à
republicação de um clássico de Lobão e Os Três Porquinhos desenhado por
Floyd Gottfredson.
Ironicamente, a derradeira edição, Natal Disney de Ouro # 20, levava
a crer que nem tudo estava perdido e, no geral, mostrou boas histórias
em quadrinhos.
O fim, entretanto, chegou para um gibi que já havia se tornado clássico
e tradicional.
Felizmente, para quem tem pelo menos alguns exemplares da coleção de Natal
Disney de Ouro, é possível reviver os bons tempos não apenas nos finais
de ano, mas sempre que der vontade.
Marcus Ramone sabe que Natal com Disney é sempre de ouro.
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