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UHQ: Fábulas vocês já sabem como trabalharão?
Forastieri:
Sim. A maioria das coisas que vamos lançar apenas no formato álbum, terá
sempre algo em banca para apresentar o título para o público em geral.
No caso de Fábulas, vamos publicar o especial O Último Castelo,
de 48 páginas, desenhado pelo P. Craig Russel, dentro da Pixel Magazine
# 4, acho, para que mais gente conheça um pouco da história.
Aí, no mês seguinte, Fábulas volta em formato álbum, de onde a
Devir parou.
Por exemplo, estou lendo um livro lindo, chamado Fábulas - Mil e Uma
Noites, uma história sensacional estrelada pela Branca de Neve, com
desenhos do John Bolton, do Brian Bolland, Charles Vess e outras feras,
que saiu nos Estados Unidos em 144 páginas, com capa dura e sobrecapa.
Se eu lançar assim aqui, não vou vender nada, porque pouca gente conhece
Fábulas.
Então, colocando Fábulas na revista mix ou em especiais de banca,
criamos um conhecimento de que aquele material existe e aumentamos as
chances de o título ir bem nas livrarias.
Isso
vale para Preacher também. Quando formos continuar os álbuns de
onde a Devir parou, lançaremos alguns especiais da série, como
Cassidy e O Cavaleiro Altivo, de 80 ou 96 páginas, em bancas.
E depois de seis, oito meses, encadernamos as edições num volume só.
UHQ: Ainda na linha Vertigo, Os Invisíveis será publicado?
Forastieri: É um dos meus gibis preferidos dos anos 90.
Cassius: Mas a gente ainda não sabe como lançar. Vamos publicar,
mas não sabemos se em encadernado ou banca. É muito complicado.
Forastieri: Olha que situação maluca: os primeiros números de Invisíveis
tiveram tiragem maior, depois esse número caiu e em seguida parou. Como
trabalhar isso? Lançar uma tiragem, pequena do arco inicial? Continuar
de onde pararam? Difícil, pois quem não leu os primeiros, não consegue
entender, pois a série é mais complexa que 100 Balas. Daí a dúvida.
Aguardamos opiniões dos fãs.
UHQ:
Nessa linha há também Transmetropolitan...
Cassius: É o mesmo caso. Ainda não sabemos como lançar. Teremos
que pesquisar junto aos leitores.
Forastieri: Uma coisa que estamos avaliando é uma hipótese meio
maluca. Alguns títulos são tão específicos que talvez seja o caso de fazer
uma pré-venda. Chegar no mercado e dizer: "Estamos considerando a hipótese
de publicar Transmetropolitan, em livro, formato assim ou assado.
Quem quer comprar?".
Ou podemos fazer isso direto com os pontos de vendas, com gibiterias e
livrarias. Se elas se comprometerem a adquirir uma quantidade X, a gente
faz.
UHQ: Patrulha do Destino, do Grant Morrison, pode pintar?
Forastieri: É tudo nosso.
UHQ:
Materiais antigos como Monstro do Pântano, do Alan Moore, e Sandman
- Teatro do Mistério podem ser relançados? Ou a prioridade será para
materiais inéditos?
Forastieri: Veja, o material inédito é, certamente, prioridade.
Nós vamos publicar algumas coisas como o Monstro do Pântano do
Alan Moore? Lógico. Mas o que os fãs precisam entender, é que temos cinco
anos para lançar esses títulos. Por mais que seja tentador soltar algo
que acaba de sair nos Estados Unidos, nem sempre essa é a melhor coisa
a fazer.
Odair: Esses clássicos terão sua hora, claro.
UHQ: Watchmen está no pacote?
Cassius: Não. Watchmen (que recentemente foi republicado
pela Via Lettera) pertence ao catálogo da DC.
Forastieri:
Mas V de Vingança é Vertigo. E este é um título que, daqui
a cinco anos, as pessoas têm que achar isso numa prateleira de livraria.
Precisa estar sempre à venda.
UHQ: O Universo WildStorm passou recentemente por uma "revolução",
cujo ponto de partida foi a minissérie do Capitão Átomo, super-herói da
DC que ficou uns tempos nessa outra linha. Vocês lançarão essa obra como
ponto de partida?
Forastieri: Não, porque tem materiais maravilhosos da WildStorm
que foram pouco - ou nada - vistos por aqui, que merecem ser lançados
antes.
Odair: Wild C.A.T.s, por exemplo, devemos voltar da fase
2.0 ou da escrita pelo Alan Moore.
Cassius: A própria DC nos orientou a não se apressar em
relação aos materiais mais novos da WildStorm, pois os lançamentos
estão demorando para sair lá. Esse material do Capitão Átomo, por ser
recente, também vai esperar um pouco.
UHQ: Esses materiais da WildStorm sairão na Pixel Magazine?
Forastieri: Não. A revista mix é pra um cara que gosta de quadrinhos
comprar e ser feliz. E que ele não precise seguir série nenhuma. Ao mesmo
tempo, o leitor usual também vai curtir.
Cassius:
Esses materiais devem sair em minisséries ou edições especiais.
Forastieri: Nossa idéia é fazer da Pixel Magazine, modestamente,
uma espécie de Heavy Metal, com coisas que estarão sempre ali e
outras histórias fechadas que não exigem nenhum conhecimento prévio sobre
o personagem.
UHQ: E Authority?
Forastieri: Vai continuar de onde parou na Devir. Em
bancas.
Cassius: É um das melhores coisas do pacote, pois os arcos são
quase sempre de quatro partes. Então, faremos especiais de 96 páginas,
que podemos encadernar depois juntando dois ou mais volumes.
Odair: E temos histórias curtas do Authority que vamos colocar
na Pixel Magazine. Elas podem ser entendidas por gente que não
lê a série e servirão para atrair a atenção dos leitores para o título.
UHQ:
Astro City?
Forastieri: Somos muito fãs da série. Astro City sai
de cara. Histórias legais também em bancas. A estréia é com material inédito.
Odair: Mas pretendemos relançar aquela primeira minissérie (saiu
aqui pela Pandora Books), que deu origem ao título.
UHQ: Gen13?
Cassius: Provavelmente, sai alguma coisa ainda este ano, mas
não sabemos ainda de onde partiremos.
UHQ: The Maxx, do Sam Kieth, tem uma fase na WildStorm. Alguma
possibilidade?
Cassius: Creio que temos direito, mas ainda não analisamos.
É muito material para ser avaliado.
UHQ:
Ex
Machina, série que já teve um especial lançado pela Panini, está
nos planos?
Forastieri: Em maio, nas bancas. É nosso. Nós selecionamos para
os primeiros meses personagens que já tenham sido publicados no Brasil,
mas em histórias inéditas. Este merece ser publicado, é legal e vamos
primeiro pra banca. Queremos que mais gente conheça títulos como Ex-Machina.
UHQ: Quem publicará as minisséries e especiais com crossovers
entre personagens da Wildstorm e da DC Comics, como Authority/Batman
ou Authority/Lobo?
Forastieri: Ninguém sabe. Em tese, o que foi publicado pelo
selo WildStorm é nosso. O que saiu pela DC é da Panini.
Então, a gente vai atravessar esse rio quando chegar nele.
UHQ:
Liga Extraordinária, que saiu pelo selo ABC, é da Pixel?
Forastieri: Esse material requer uma negociação separada. Há
alguns títulos cujo copyright não é da DC. Por exemplo:
Thundercats e Robotech não são da DC, apesar de a
WildStorm ter publicado. Liga Extraordinária tem um contrato
bem complicado com o Alan Moore e, francamente, a Devir está fazendo
um ótimo trabalho.
E o terceiro álbum da série, que sai este ano, League of Extraordinary
Gentleman Dossier é uma edição graficamente muito complicada.
Odair: Parece que terá até um disco de vinil dentro pro leitor
colocar pra ouvir.
Forastieri: A informação que temos da DC é que será uma
coisa muito cara e complicada de publicar fora dos Estados Unidos. Acho
que nem tentaremos buscar isso.
UHQ:
Ainda em relação ao selo ABC, quais as chances de Promethea ou
Tomorrow Stories?
Forastieri: Logo, logo. Promethea este ano ainda. Vamos
ver como.
UHQ: Tom Strong voltará?
Forastieri: Vai voltar a partir de onde parou na Devir,
mas não definimos o formato ainda.
Cassius: Já Top Ten, só o que ainda não saiu, que são especiais.
Os dois álbuns já saíram pela Devir.
UHQ: Há possibilidade de saírem títulos da DC que, apesar de não serem
Vertigo, são mais "alternativos", como Hitman e Starman?
Forastieri: Não. Nós adoramos as duas séries e esperamos que
a Panini lance encadernados das duas.
UHQ: Com essas linhas, a Pixel deixará de dar ênfase ao material mais
alternativo e menos conhecido que vinha lançando?
Odair: Vertigo é alternativo por essência...
Forastieri: Vamos continuar publicando outros materiais, como Spawn
e temos vários álbuns europeus programados. Os eróticos inclusive.
Lógico que nossa prioridade é colocar esse projeto novo para andar. Por
isso, não vamos mais lançar coisas que, apesar de gostarmos muito, se
assemelhem com os títulos da Vertigo, WildStorm e ABC.
Nexus, por exemplo. Só se for alguma coisa bem diferente.
UHQ: Pingue-pongue agora. Graphic novels do Kyle Baker, como
You are here, I die at midnight, King David, Why
I hate Saturn?
Forastieri: Se depender de mim, publico Rei Davi amanhã,
mas o leitor tem que entender o seguinte: no primeiro ano, temos que nos
consolidar na banca e provar pro mercado livreiro que ele pode pegar mais
mil ou dois mil exemplares, para abrir um espaço importante. Essa é a
nossa missão.
Tem várias coisas que a gente adora, mas o potencial de vendas é muito
pequeno. Então, esses títulos vamos lançar dependendo da demanda. Não
posso colocar na grade algo que vai vender pouco. É difícil.
UHQ:
Heavy Liquid, do Paul Pope?
Forastieri: Não sei.
UHQ: American Virgin, do Steven T. Seagle e Becky Cloonan?
Cassius: É um material ainda recente, vamos analisar mais pra
frente.
UHQ: The Fountain, do Daren Aronofsky e Kent Williams?
Cassius: Por enquanto, não. É um álbum bem grande e sairia caro
demais.
UHQ: Pride of Baghdad, do Brian K. Vaughan e Niko Henrichon?
Cassius: Esta programado para este ano ainda.
UHQ:
A fase do American Splendor, do Harvey Pekar, na Vertigo?
Forastieri: Não sabemos. Temos que ver se podemos. Talvez os
direitos pertençam ao Pekar.
UHQ: Fora dessas linhas, a Pixel pretende publicar algum clássico das
HQs dos anos 40, 50 e 60?
Cassius: Temos algumas coisas sendo estudadas, mas nada fechado.
UHQ: Vocês publicarão os últimos dois números da série Arthur,
lançados recentemente na França?
Odair: Não. Esse material era da Ediouro e não daremos
continuidade.
UHQ: Um leitor pergunta se contratarão mais editores, tradutores e
revisores para manter a qualidade editorial?
Forastieri: Quer ser tradutor? Não precisa nem mandar o currículo.
Traduz um gibi bem difícil e manda pra gente. Se estiver bom, a gente
contrata. (Risos)
UHQ: Com esse acréscimo de títulos, a Pixel terá alguma linha editorial?
Forastieri: Nosso negócio é lançar títulos que as pessoas gostem.
Formar um belo catálogo. O que uma editora pode fazer de melhor é levar
coisas legais para o máximo de pessoas.
E toda editora faz isso à sua maneira. A Devir tem um cuidado muito
legal com a seleção material que publica, não só pelo trabalho do Mauro
(Martinez dos Prazeres, publisher), do Douglas (Quinta Reis, diretor)
e do próprio Leandro (Luigi Del Manto, editor), mas porque eles acreditam
que merecem ser conhecidas por mais gente. A Conrad e a Opera
também, mas cada uma no seu estilo. As escolhas partem sempre do gosto
pessoal e, no nosso caso, não é diferente, pois antes de sermos editores,
somos fãs.
UHQ:
Os títulos nacionais ficarão de lado?
Forastieri: Não. Teremos alguns trabalhos brasileiros também.
Odair: O primeiro deles é um álbum do Zózimo, do (roteirista)
Wander Antunes.
Forastieri: Olha, tudo que me mandam pra analisar, eu leio. O Odair
e o Cassius idem. E quando vou numa gibiteria compro de tudo. Fanzine,
revista independente, HQ nacional etc. Só que as pessoas querem ser publicadas,
mas poucos mandam seus trabalhos pras editoras...
UHQ: Qual é o maior desafio para a publicação de quadrinhos no Brasil?
Forastieri: Acho que nosso desafio tem três pontos:
1) Produtos fortes. No nosso primeiro ano, tivemos alguns, mas não tínhamos
uma linha forte, o que estávamos buscando. Acho creio que temos.
2) Bom custo gráfico, para garantir o produto com um preço decente. E
a Ediouro, que a sócia da Pixel tem uma ótima gráfica. Podemos
imprimir onde quisermos, mas se um sócio da empresa tem a maior gráfica
do Rio de Janeiro, ajuda bastante para chegar a um custo bacana.
3) Boa distribuição. Estamos na Dinap, que fará um trabalho forte.
E essa força será vista também em livrarias. Teremos uma equipe exclusiva
para esse segmento e vamos usar a estrutura da Ediouro, que é líder
de vendas em livros. Junto com isso, faremos uma ação mais ambiciosa de
venda na internet. Ou seja, somando tudo isso, o cara só não compra se
não quiser. Mas não porque não achou.
UHQ: Como você prevê a Pixel daqui a cinco anos, quando esse contrato
estiver expirando? Diversificando os lançamentos, ou concentrando-os num
determinado gênero? Expandindo as tiragens ou focando em nichos?
Forastieri: Eu a vejo nas livrarias. O que percebo é que não
temos que oferecer um produto por um mês apenas, mas para sempre. Tem
que haver catálogo, venda pela internet, na livraria. Precisa estar sempre
disponível. Nosso objetivo é ter o mais importante catálogo do Brasil.
As bancas suportam 30 até 45 dias; depois, acabou!
UHQ: Não acha contraditório dizer que quer levar seus títulos pra mais
gente e dizer que, daqui a cinco anos, enxerga a Pixel nas livrarias?
Forastieri: Não, porque vai muito mais gente nas livrarias.
Um livro que vende bem em determinado gênero alcança 20 mil exemplares,
mas em um ano. O que é elitista pra caramba é ter um título na banca por
um mês. Se você não tiver dinheiro pra comprar, ferrou.
O trabalho que fizemos na Conrad com os mangás, do qual todos aqui
participaram, gerou muitos leitores. Agora, o pessoal vem dizer que as
vendas de mangás estão ruins. Nada! O problema é que agora tem uns 30
títulos nas bancas. Hoje só existem eventos pelo Brasil todo, porque sete
anos atrás lançamos Pokémon, Cavaleiros do Zodíaco, Dragon
Ball etc.
Eu continuo lendo super-heróis americanos. Compro pra saber o que está
rolando. E se você pegar a lista de revistas mais vendidas do mês, verá
que ela é muito diferente da de encadernados. Nesta segunda, aparecem
vários títulos que vamos publicar. É uma linha premiada, com números (financeiros)
legais e talvez seja a mais premiada do mundo.
Esse trabalho nas livrarias é de longo prazo, de educar o leitor que ali
também se vende quadrinhos.
E é o seguinte: nada impede que a gente lance alguma em revista e descobrir
depois que a lógica é livro. Ou vice-versa. Se publicarmos um título como
livro e esgotar do dia pra noite, significa que ele tem uma demanda reprimida
e temos que fazê-lo com uma tiragem maior e preço menor.
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