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Mangás ou comics: afinal, qual é mais bem-sucedido?

Por Pablo Casado (01/06/07)

New X-MenNão é de hoje a rixa mercadológica e ideológica entre norte-americanos e japoneses no que diz respeito às suas produções de histórias em quadrinhos. Na verdade, não só entre eles, mas entre seus consumidores de outras nacionalidades espalhados ao redor do globo. Basta uma rápida visita a uma comunidade virtual, fórum ou lista de discussão relacionada aos comics ou mangás para se deparar com opiniões acaloradas sobre qual estilo é o melhor.

O japonês Yoshikazu Hayashida veio apimentar ainda mais o caldo desse debate. Em artigo publicado no site nipônicoOh My News, traduzido e reproduzido pelo norte-americano Manganews, ele discursa sobre a carreira mundial bem-sucedida dos quadrinhos de sua terra e aproveita para explicar por que o mesmo não acontece com aqueles produzidos pelos filhos do Tio Sam.

DoraemonSegundo Hayashida, o fato de os quadrinhos norte-americanos utilizarem o inglês, o idioma mais conhecido do planeta, não seria necessariamente uma vantagem contra os mangás. E ele explica isso em duas teorias: o uso de papel de baixa qualidade por parte das publicações executadas no Japão e o fato dos publishers nipônicos serem melhores que os norte-americanos.

Na Terra do Sol Nascente, as revistas semanais de quadrinhos - antologias tão grossas quanto listas telefônicas - têm seu miolo constituído por papel reciclado. Inclusive, como informa o artigo, uma das principais revistas do país é conhecida historicamente pela péssima qualidade do papel reciclado que utiliza. Para Hayashida, a vantagem desse modus operandi é a viabilidade econômica de um volume maior de histórias a serem publicadas.

Nos Estados Unidos, boa parte da produção (principalmente a do mercado mainstream) é realizada com páginas coloridas de boa qualidade. O que, na visão de Hayashida, encarece o custo e limita as edições mensais a terem, em média, cerca de 30 páginas. Somando isso, inclusive, a essa mensalidade na distribuição dos títulos, a variação entre a quantidade do que é produzido em cada país é gritante.

Com apenas alguns títulos de renome junto ao público, é possível para uma publicação japonesa obter um bom índice de vendagem, permitindo que o restante do material disponibilizado no miolo possa contar com novos autores e mangás mais "experimentais". Eventualmente, alguns deles podem atingir o sucesso diante do público, tornando-se mais um chamariz da revista.

NightwingE o que estimula os autores japoneses é algo também ausente (em parte) para os norte-americanos: a manutenção dos direitos autorais das histórias para os próprios artistas em um cenário não dominado pelas criações de longa data de grandes editoras - no caso, a referência, obviamente, está relacionada às editoras Marvel e DC Comics.

No entanto, editoras como a Image - citada pelo próprio Hayashida no artigo, a Dark Horse, Oni Press, Tokyo Pop são exemplos de selos que oferecem bons acordos quanto à questão do copyright de suas publicações. A Vertigo e a WildStorm, subdivisões da própria DC, também se encaixam nesse esquema. A distância entre a produtividade satisfatória dos dois mercados vai além disso.

Há muitos anos as vendas em solo norte-americano não têm mostrado grandes cifras. Ocorrência que se mantém devido a centralização da distribuição nas comic shops (as famosas lojas especializadas) e do Direct Market (Mercado Direto) gerenciado pela Diamond. Esta última, única grande distribuidora do país a atuar no meio e responsável por praticamente todo o mercado, disponibiliza os títulos por meio do número de pedidos feitos para os mesmos pelos proprietários das comic shops e pelos leitores. As editoras, por sua vez, rodam nas gráficas uma média de edições baseadas nessas requisições.

Old BoyHayashida parece não estar a par desse cenário. O que, ainda assim, não invalida boa parte de seus argumentos - mesmo quando há uma pontinha de egocentrismo em seu discurso. E até mesmo eles se restringem a pontos pequenos de uma indústria que, há anos, tem se mostrado mestre na geração de itens de consumo pop. Você não apenas lê o mangá feito pelos japoneses. Você assiste ao desenho animado que o adapta, compra o boneco articulado, camisas e muitas de outras coisas. Existe todo um apelo e publicidade espontânea em torno do estilo.

Talvez o melhor argumento levantado por Hayashida seja o de que, no Japão, não há distinção no tratamento dado aos quadrinhos e seus artistas como ao que é destinado aos escritores de prosa. Visão similar e tão empolgada pode ser encontrada entre os europeus, que dão atestado de arte às suas produções. Independentemente da rotulação e apreciação, o interessante é notar como o Japão é capaz de associar o respeito a essa manifestação artística com uma estrutura administrativa e comercial de sucesso.

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